Três mitos sobre a ajuda aos países pobres

27 de agosto de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: administracao, economia, politica, vida

O primeiro é que o fardo da doença entre os pobres seria de certa forma inevitável e inescapável, como se os pobres estivessem fadados a adoecer e morrer prematuramente.

Na verdade, os pobres morrem de causas conhecidas e identificáveis que em grande parte podem ser evitadas e tratadas a custo muito baixo. Não há desculpa para as milhões de mortes causadas pela malária, Aids, poliomielite, sarampo, diarréia ou infecções respiratórias, ou para que tantas mulheres e crianças morram durante ou após o no parto.

O segundo mito é que a ajuda dos países ricos é inevitavelmente desperdiçada. Essa falácia é repetida tão freqüentemente por líderes ignorantes nos países ricos, que se tornou uma importante barreira ao progresso.

Os ricos gostam de culpar os pobres, em parte porque isso reduz a pressão sobre eles e em parte porque isso lhes confere uma sensação de superioridade moral. Os países pobres, porém, são capazes de estabelecer programas de saúde pública eficazes velozmente quando são ajudados. Histórias de sucesso recentes se tornaram possíveis através de uma combinação de aumento nos gastos dos orçamentos dos países pobres, complementados com ajuda vinda dos países ricos doadores.

O terceiro mito é que salvar os pobres piorará a explosão populacional. Mas as famílias nos países menos desenvolvidos têm muitos filhos – uma média de cinco por mulher – em parte porque o temor das altas taxas de mortalidade infantil os leva a adotar uma reação exagerada, compensando com a constituição de famílias grandes.

Quando as taxas de mortalidade infantil caírem, as taxas de fertilidade tenderão a declinar ainda mais, já que agora as famílias confiam que seus filhos sobreviverão. O resultado será crescimento populacional mais lento.

Chegou a hora de cumprir uma promessa global básica – a de que todos, ricos e pobres – devem ter acesso a serviços de saúde básicos.

Trecho do artigo de Jeffrey Sachs no jornal Valor Econômico. Acesse o texto aqui .

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