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Herdei o carinho e admiração a Ruth Cardoso de minha orientadora do doutorado na FGV-SP, Ana Cristina Braga Martes. Cris, como a chamo, foi orientada por Ruth no seu doutoramento na USP e trabalhou como sua assistente de pesquisa por vários anos. Seriedade na função de pesquisador, a importância da pesquisa de campo, a ética em todo o processo da pesquisa, respeito e liberdade de pensamento aos orientandos foram algumas das atitudes que Cris se orgulha de ter aprendido com Ruth.
Quando eu estava no final de minha tese, Cris me perguntou o que eu achava de convidarmos a Ruth para compor minha banca. Fiquei temeroso e inseguro porque julgava que a tese não estava no nível do quilate de Ruth. Mas confiei no bom senso da Cris. Ela me disse: “Mauricio, pode ter certeza que a Ruth vai ler sua tese com muito cuidado e carinho, e fará contribuições valiosas”. Certamente o convite a ela foi uma das melhores coisas que aconteceu no meu doutorado. Sua participação começou um dia antes de minha defesa, em uma mensagem encaminhada a minha orientadora, em que disse: “Adorei ler esta tese”. Essas quatro palavras mudaram o meu estado de ansiedade para serenidade, dando-me coragem para dar o último passo no doutorado. Ruth chegou sorridente no dia da defesa (22 de fevereiro de 2008). A primeira coisa que chamou minha atenção foi sua vitalidade, incrível para uma mulher de 77 anos. Conversamos um pouco, e contou-me que particularmente nas duas últimas semanas estava trabalhando intensamente na Comunitas na captação de recursos para os projetos em andamento. A banca iniciou com a Ruth fazendo seus comentários. Ela foi muito generosa e perspicaz na leitura de minha tese, contribuindo em muitos pontos com suas críticas. Seus elogios estão guardados comigo como um tesouro. E, por fim, compreendi melhor a razão da admiração que a Cris tem por ela.
Provavelmente sua participação em minha banca foi sua última atividade na academia. Perde a academia, mas também perde o país, perde a luta pelo fortalecimento da sociedade civil, perde o verdadeiro espírito público. Difícil hoje em dia que o desaparecimento de uma pessoa represente tantas perdas. Mas com a Ruth isso aconteceu.
Vale a pena conferir uma entrevista que a Dra. Ruth Cardoso concedeu à profa. Ana Cristina Braga Martes e ao prof. Mario Aquino Alves (ambos da FGV-SP) e publicado na Revista de Administração de Empresas, em 2006. Tive a honra de ter participado desse texto como editor assistente. Para ler, acesse aqui.

Será possível uma empresa obter lucro com o trabalho da população pobre do mundo em desenvolvimento sem tirar vantagem dessas pessoas?

O psicólogo [Daniel Kahneman] começou a vislumbrar uma saída para a complicada questão da felicidade apenas em 2004, depois de analisar os resultados de uma pesquisa que mediu a felicidade experimentada no cotidiano de lares norte-americanos. O palpite do cientista é que a pesquisa endossaria a sua hipótese, por ele batizada de “aspiration treadmill” (tambor da aspiração, numa tradução literal). Foram feitas duas perguntas cruciais aos entrevistados: “Você se considera satisfeito com su a vida?” e “Você se considera uma pessoa feliz?”. Os resultados surpreenderam. Eles mostraram que não havia uma correspondência direta entre satisfação (as condições materiais e emocionais que tornam a vida mais ou menos prazerosa) e felicidade. “As coisas que tornam as pessoas satisfeitas com sua vida não as fazem necessariamente felizes”, diz Kahneman. Entre essas condições – alerta o psicólogo – estão todos os supostos fatores que movem a busca à felicidade: casamento, profissão, filhos, estabilidade financeira etc. O que se faz, então? Kahneman recusa-se a dar respostas. “Eu sou um cientista. Não tenho nenhum receituário pronto”, diz ele. “Apenas estou dizendo que a questão da felicidade é imprecisa e misteriosa. Meu palpite é que existe uma ciência da felicidade, mas a comunidade acadêmica ainda não sabe lidar com ela.”