Categorias: arte, vida
Por Ligia Paglione
Por Ligia Paglione
Jurandir Freire Costa, um dos pensadores brasileiros mais importantes da atualidade, faz uma crítica contundente ao que ele chama de “cultura da autenticidade e confissão”, a partir do filme “Felicidade”, de Todd Solondz.
Achei particularmente interessante o texto porque foi escrito em 1999, portanto, anterior à popularização das redes sociais na Internet, mas podemos utilizá-lo para refletir sobre o comportamento de muitos internautas que utilizam o twitter, blogs, orkut e facebook, entre outros, para reverberarem tudo e qualquer coisa de suas vidas, iludidos pela crença de que estão sendo autênticos.
Como o psicanalista alerta em determinado ponto do texto:
Fazer das relações humanas cópias de confessionários religiosos ou divãs de psicoterapias não é ser mais honesto, sincero ou autêntico: é desistir do exercício da autonomia.
Com certeza, um artigo para se pensar. Você pode lê-lo integralmente aqui.

Uma bela seqüência de fotos de várias manifestações de dança pelo mundo.
Depois de um fim de semana tranquilo, muita conversa com amigos e novos amigos, recebi esta foto de minha amiga Li de um pôr-do-sol na Itália. Nada melhor para finalizar o feriado.
Sabe aquele texto que você gostaria de ter escrito? O texto de Daniel Piza de hoje é um deles. Aborda muitos pontos que para mim são caros, como a preocupação com a desvalorização da “cultura geral” e da cultura ocidental. Apenas para você ter uma idéia do que meu entusiasmo com o texto, segue um pequeno trecho:
Inteligência, claro, também parece tão fora de moda quanto usar chapéus. Programas de TV e revistas falam o tempo todo em “tipos de inteligência” ou em “inteligência emocional”, mas não conseguem disfarçar o sabor de vingança que sentem com esse desprestígio do raciocínio articulado, formado por leituras atentas. E desvincular inteligência e cultura é outra tática que só serve ao conservadorismo dos nossos tempos, ao consumismo sentimental que emana da mídia sem parar. Sim, há pessoas que leram muito e continuam burras, mas isso porque leem burramente… O difícil é querer que as pessoas realmente inteligentes não sejam curiosas por natureza, atraídas pelo conhecimento porque sabem que sem ele não há equipamento mental que se aprimore.
Você pode ler o texto completo aqui.
[...] Mas qual a relação da matemática com a beleza? Matemáticos e físicos atribuem beleza à teoremas e teorias, criando uma estética da “verdade”. Os mais belos são aqueles que conseguem explicar muito com pouco.
Quando possível, os teoremas e teorias mais belos são também os mais simples; dadas duas ou mais explicações para o mesmo fenômeno, vence a mais simples. Esse critério é conhecido como a “lâmina de Ockham”, atribuído a William de Ockham, um teólogo inglês do século 14.
Einstein, dentre outros, era um defensor da beleza como critério de verdade em teorias científicas: uma teoria tem que ser bela para estar correta. E, sem dúvida, muitas dela são, ao menos de acordo com critérios de elegância e simplicidade na matemática.
Para os que creem na matemática como linguagem universal, essa estética leva à existência de uma única verdade. Acho isso preocupante, pois me soa como ecos de um monoteísmo judaico-cristão, uma infiltração religiosa, mesmo que sutil e metafórica, nas ciências. Melhor é defender a matemática e a beleza como nossa invenção. Criamos uma linguagem para descrever o mundo, que não podemos deixar de achar bela.
Trecho do artigo de Marcelo Gleiser na Folha de S.Paulo.