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Um casal de dançarinos durante a inauguração do 2009 Tango World Championship em Buenos Aires (AP Photo/ Natacha Pisarenko). Mais fotos de Tango aqui.

Um casal de dançarinos durante a inauguração do 2009 Tango World Championship em Buenos Aires (AP Photo/ Natacha Pisarenko). Mais fotos de Tango aqui.
A Alfasol (Alfabetização Solidária) lançará no próximo dia 18 um centro de pesquisas e eventos em homenagem à ex-primeira-dama Ruth Cardoso (1930-2008). As atividades serão concentradas em um prédio na rua Pamplona, nos Jardins (zona oeste de São Paulo), que será batizado com o nome da antropóloga. Haverá também um espaço que irá expor parte do trabalho de Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).
A visitação será aberta dentro de oito meses a um ano, após reforma do prédio. As atividades de pesquisa e seminários começam já neste mês. Haverá parcerias com centro de estudos de universidades, como os da USP (Universidade de São Paulo).
A primeira investigação será sobre o comportamento dos jovens que vivem em regiões metropolitanas do país, além da oferta de políticas públicas e privadas a essa população. O projeto foi iniciado pela própria ex-primeira-dama e deverá durar oito meses.
Também estão previstos seminários temáticos, com assuntos como sustentabilidade, que darão origem a cadernos com textos para discussão.
“Há a necessidade de uma organização histórica do trabalho que a doutora Ruth deixou. Mas também abordando discussões para o futuro”, afirmou a superintendente da AlfaSol, Regina Esteves.
A ex-primeira-dama era bacharel em ciências sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.
A AlfaSol e as outras quatro organizações que a antropóloga criou -Unisol, Artesol, Capasol e Comunitas – também funcionarão no local, com projetos integrados. No prédio, de cinco andares, deverão trabalhar cerca de 130 pessoas.
Segundo Esteves, o centro está sendo custeado com contribuições de empresas ou pessoas que possuíam afinidade com Ruth Cardoso, como Antônio Ermírio de Moraes e a família Safra. Os recursos provenientes da obra “Livro de Ruth” (Imprensa Oficial) também são utilizados no projeto.
Fundada em 1996, a Alfabetização Solidária capacitou 254 mil alfabetizadores e atendeu 5,5 milhões de alunos e adultos em 2.433 municípios.
Folha de SP, 10/9/2009. Via Jornal da Ciência.
Confesso: eu não tenho uma concepção de vida, sou um coitado. Vejo a vida como Pepi, a faxineira do romance de Kafka “O Castelo”. Pelo buraco de uma fechadura, vejo a vida e seus muitos vultos aos pedaços, arrastando-se pelas paredes. A duras penas pressinto suas formas. Muitas vezes estremeço quando as pressinto mais agudamente.
Já tentei ter uma concepção de vida, mas desisti e hoje, como diz o filósofo romeno Cioran (século 20), eu acho que grande parte dos problemas do mundo advém da praga que é todo mundo querer ter uma concepção de vida. Quando estou diante de alguém que tem uma concepção de vida, recuo assim como quem recua de um predador. A certeza acerca do que seja uma vida plena me apavora. Antigamente apenas alguns poucos eram tomados por esta febre, mas hoje, como vivemos no mundo das grandes quantidades, todos se acham no direito de ter concepções de vida.
A indiferença faria do mundo, talvez, um lugar melhor. Mas sei que isso é difícil de ser compreendido por quem se vê como um agente do bem, a partir de seu pequeno apartamento de classe média, ao som de seu programa alegre de domingo. Quem assim se vê normalmente não tem qualquer piedade.
Luiz Felipe Pondé, em mais um de seus textos provocadores. Leia-o na íntegra aqui (assinantes).
Enviado por Fabíola. Letra inspirada e inspiradora.
Há mais de um ano eu escrevi sobre minha admiração a Ruth Cardoso, uma mulher que trabalhou para a felicidade humana como poucas. Como eu sentia muita falta de uma bibliografia que tratasse sobre sua vida e obra, fiquei muito satisfeito com o anúncio da publicação (prevista para hoje) da obra Livro de Ruth, de Margarida Cintra Gordinho. Certamente valerá a leitura.
Sinopse:
A obra traça a trajetória de vida de Ruth Cardoso (1930-2008), a sua dedicação às causas sociais, a militância acadêmica e política e sua maneira delicada de interferir nos processos e na vida das comunidades. A biografia discorre sobre a vida e o legado de Ruth Cardoso em três capítulos que se complementam. Em ‘Uma mulher’, o leitor conhece sua trajetória, da infância em Araraquara, interior paulista, até a época de estudante na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas de São Paulo, onde conheceria o marido, Fernando Henrique Cardoso, e as décadas seguintes, em que atuou como professora, primeira-dama e condutora de projetos sociais. Este capítulo traz depoimentos de Fernando Henrique Cardoso, Ignácio de Loyola Brandão, Tessy Hantzschel, Ivaldo Bertazzo, Gilda Portugal Gouvêa, José Arthur Giannotti, José Serra e outros. Os dois capítulos que se seguem aprofundam alguns aspectos já vistos no anterior. Em ‘Lições de vida’, partindo da contribuição de nomes como Rosa Maria Fischer, Eva Blay, o cardeal Paulo Evaristo Arns, Eunice R. Durham, Danielle Ardaillon, Maria Helena Gregori, a autora se detém nas atividades de Ruth Cardoso como professora, orientadora e intelectual. No terceiro capítulo, ‘O Bom Combate’, um relato histórico a partir da mobilização dos jovens estudantes contra o regime militar instalado no país em 1964; mostra também o trabalho de Ruth Cardoso na área de pesquisa e levantamento socioeconômico de áreas faveladas na Grande São Paulo, na criação da Comunidade Solidária, da Comunitas e na nova visão dela em relação ao Terceiro Setor. Ruth Cardoso introduziu e inovou com as parcerias com governos, empresariado e sociedade civil.
Vale a pena conferir uma entrevista que a Dra. Ruth Cardoso concedeu à profa. Ana Cristina Braga Martes e ao prof. Mario Aquino Alves (ambos da FGV-SP) e publicado na Revista de Administração de Empresas, em 2006. Tive a honra de ter participado desse texto como editor assistente. Para ler, acesse aqui.

Por Licia Paglione
Quante gocce di luna
accese nel buio stanotte!
Lassù, in un misterioso silenzio di luce,
danzeranno fino all’alba.
Qualcuno le chiama stelle.