Dinheiro traz felicidade

26 de julho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: ciencia, economia, sociedade, vida

 

Desde que os pesquisadores da Universidade da Pensilvânia descobriram que milionários americanos que moram em mansões são só marginalmente mais felizes que guerreiros massai que vivem em choupanas, vários economistas vêm minimizando o nexo entre dinheiro e satisfação.

Num livro de 2005, Richard Layard, estudioso britânico, diz que ambiente familiar, emprego e saúde são, todos, fatores mais influentes para a sensação de bem-estar do que a renda.

riam ser mais felizes que os pobres, mas, além de determinado limiar, a relação enfraquece, e mais dinheiro não compra mais felicidade, diz a teoria.

As novas pesquisas lançam alguma dúvida sobre essa escola de pensamento.

Os dados coletados dão maior peso ao argumento segundo o qual crescimento e renda desempenham um grande papel na substancial melhoria da satisfação das pessoas com a vida e de sua atitude em relação ao futuro.

Reportagem do The Economist traduzida e publicada no Valor Econômico. Leia o texto na íntegra aqui.

Viver é estar atento ao Outro

17 de julho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: filosofia, vida, ética

Para Rorty, pensar era um modo particular de viver, e viver era estar atento ao Outro. Era um exercício constante de colocar-se em seu lugar e imaginar o que poderia torná-lo mais livre ou mais submisso, mais feliz ou mais miserável, para, então, decidir o que era humanamente útil, e, conseqüentemente, moralmente verdadeiro. Embora agnóstico, é impossível não escutar em suas palavras e atitudes ecos da fé cristã de Agostinho, que traduzo, com “licença rortyana”, como: “Quem sou eu” e, “Quem eu amo quando amo o Outro”. Embora irônico, e, às vezes, brincalhão e provocador, é impossível não ouvir no que ele disse os rastros da “infinita responsabilidade pelo Outro” de Lévinas. Embora um asceta do pensamento, cuja sobriedade resistia à sedução de quaisquer piruetas conceituais, é impossível não ver o espectro do insaciável desejo de justiça de Derrida, sublinhando, suavemente, tudo o que escreveu. Em suma, o pensamento rortyano é um condensado, um magnífico breviário do que melhor se produziu em matéria de ética no domínio da ética ocidental. E, apesar de ser ele avesso à mitificação ou á mistificação dos grandes nomes da Antigüidade filosófica, não há como deixar de comparar sua obra com o que disse o estóico Sêneca: “Se a sabedoria só me for concedida na condição de a guardar para mim, sem a compartilhar, então, rejeitá-la-ei: nenhum bem há cuja posse não partilhada dê satisfação”.

Rorty foi um exemplo de dignidade em forma de vida. Infelizmente, estou certo de que nenhuma gratidão sentida pode estar à altura da dádiva recebida. Resta, então, dizer novamente com Sêneca: “nada nos pertence daquilo que o acaso nos traz”. Mas acrescentar com Freud que fazer o luto dos seres queridos significa guardá-los no coração e na memória para fazê-los viver além da morte. Adeus Rorty. Ou melhor, adeus “Dick”.

Jurandir Freire Costa em um texto em honra da memória do filósofo Richard Rorty. Leia o texto na íntegra aqui.

Sagrado segundo Rorty – uma bela frase

16 de junho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: filosofia, religiao, vida

[...] “meu sentido do sagrado está atado à esperança de que algum dia meus remotos descendentes vivam em uma civilização global em que o amor será a única lei”.

Frase do filósofo americano Richard Rorty, citado no seu obituário escrito por Habermas.

Veja também:  Morre o filósofo Richard Rorty.

Empreendimento social – nova proposta para a diminuição da pobreza

8 de junho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: administracao, economia, politica, sociedade, vida

Suponhamos que um empresário, em vez de contar com uma única fonte de motivação (tal como a maximização dos lucros), possua agora duas fontes de motivação: maximizar os lucros e beneficiar o povo e o mundo.

 

Cada tipo de motivação gera um tipo diferente de negócio. Chamemos o primeiro tipo de empreendimento para a maximização do lucro, e o segundo tipo de empreendimento social.

 

O empreendimento social será um novo tipo de negócio introduzido na esfera do mercado com o objetivo de fazer uma diferença para o mundo. Os investidores em um empreendimento social poderão recuperar o dinheiro investido, mas não receberão nenhum dividendo da companhia.

 

Os lucros serão injetados de volta na companhia para expandir o seu alcance e melhorar a qualidade dos seus produtos e serviços. Um empreendimento social será uma companhia sem perdas e sem dividendos.

 

Tão logo a empresa social seja reconhecida pela lei, várias companhias existentes tomarão a iniciativa de criar um empreendimento social além das suas atividades tradicionais.

Ao contrário do setor sem fins lucrativos, no qual é necessário coletar doações para manter as atividades em andamento, um empreendimento social será auto-sustentável e criará lucro para a expansão, já que se trata de uma empresa sem perdas.

 

Jovens em todo o mundo, especialmente nos países ricos, acharão o conceito de empreendimento social muito atraente já que ele lhes proporcionará um desafio no sentido de fazer uma diferença ao usarem o talento criativo.

 

Quase todos os problemas sociais e econômicos do mundo poderiam ser resolvidos por meio dos empreendimentos sociais. A paz está intrinsecamente vinculada à pobreza, e a pobreza é uma ameaça à paz. E não podemos lidar com o problema da pobreza no âmbito da ortodoxia do capitalismo pregado e praticado nos dias de hoje.

 

O desafio consiste em inovar os modelos empresariais e aplicá-los para a produção dos resultados sociais desejados, de forma eficiente e efetiva sob o ponto de vista dos custos. Podemos criar uma alternativa poderosa: um setor privado guiado pela consciência social, criado por empreendedores sociais.

Artigo de Muhammad Yunus, ganhador do prêmio Nobel de Paz, sobre uma nova proposta para o problema da pobreza. Leia o artigo na íntegra aqui.

Leia também: Pioneiro do microcrédito ganha Prêmio Nobel da Paz

Miscigenação (2) – Somos todos mestiços

4 de junho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: ciencia, informacao, reportagem, sociedade, vida

Numa excelente entrevista, Luigi Luca Cavalli-Sforza, um dos maiores genetistas do século XX, afirma que não existem raças distintas entre as pessoas e o que nos define é a mistura genética. Uma outra afirmação importante é que somos distintos dos outros animais apenas por graus, ou seja, tanto nós como os animais possuem habilidade lingüística e capacidade de inventar e construir ferramentas, estando a diferença na nossa habilidade de aprimoramento, que é maior. A ciência está ajudando a nos enxergarmos como semelhantes, tanto entre os próprios homens quanto entre os homens e os animais.

Abaixo segue alguns trechos da entrevista publicada no Estado de S.Paulo, que pode ser lida na íntegra aqui.

Talvez seja surpreendente para algumas pessoas que a aparência física, como cor da pele, não sejam bons indícios da herança genética. Os brasileiros estão certamente entre os povos mais misturados do planeta, embora não sejam os únicos. A diferença é que nenhum dos outros grupos mestiços forma um povo tão vasto. O Brasil teve a boa sorte de não ver o racismo prosperando, como costuma acontecer noutros cantos. Isto provavelmente vem de uma herança portuguesa, povo que já demonstrava predisposição pela mistura racial desde os tempos de suas primeiras colônias, na África. O estudo de nossas origens genéticas apenas confirma o que já estava claro para bons observadores: a mistura entre povos e a produção daquilo que nós geneticistas chamamos de híbridos não traz qualquer desvantagem do ponto de vista genético. Até melhora, traz uma vantagem naquilo que chamamos de “vigor híbrido”.

As diferenças entre povos de locais geográficos distintos são claramente visíveis, caso de cor da pele e tamanho e formato das partes do corpo. Estas características refletem adaptações ao clima local que surgiram após a espécie humana se originar na África Oriental, há relativamente pouco tempo (não mais que 100 ou 150 mil anos, período bastante curto na escala evolutiva) e, naturalmente, após deixar a África, há coisa de 50 ou 60 mil anos. De qualquer forma, estas diferenças são triviais em todos os aspectos essenciais. A grande maioria das diferenças genéticas se encontram entre um indivíduo e outro, jamais entre um povo e outro. Falando em números, mais de 90% das diferenças genéticas se dão entre duas pessoas de um mesmo povo. Apenas 10% da variação se dá entre, digamos, europeus e asiáticos, entre africanos e americanos nativos. Isto acontece porque a nossa é uma espécie muito jovem e ainda não houve tempo evolutivo para nos diferenciarmos. Quer dizer: não existem raças distintas entre os homens.

Por definição, tribos falam a mesma língua, e a linguagem, por conta de seu gigantesco potencial de comunicação, há de ter sido uma força importante sem a qual a grande migração que levou o homem a todos os cantos do planeta não teria sido possível. Todos temos a mesma capacidade intelectual de adquirir esta técnica de comunicação que é a língua. Ela, junto com nossa capacidade de inventar novas máquinas, são as características que nos diferenciam dos outros animais. Embora, sempre é bom lembrar, esta é uma questão de graus. Animais também se comunicam e inventam ferramentas. A diferença na habilidade é que é tremenda.

Via Weblog.

Leia também: Miscigenação.

Arte de domingo (1)

3 de junho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: arte, vida

Hoje recomendo três vídeos que tratam de arte. O primeiro é o “Women in art” e faz um belo trabalho de “morfogenia” (não sei se a palavra mais adequada é essa) que cobre 500 anos de pinturas que retratam a mulher no ocidente. O segundo utiliza a mesma técnica para mostrar algumas obras de Picasso. E o terceiro vídeo é uma homenagem ao trabalho de Van Gogh, com música de Don McLean.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=nUDIoN-_Hxs]

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=fjoWCdzhuFI]

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=Gi_P8XwrSCU]

Coragem de viver

1 de junho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: recortes, vida

Talvez, o aplauso suscitado pelo breve filme sobre Raul Cortez tivesse também outra significação, igualmente presente no aplauso da entrada em cena de Bibi Ferreira ou de Paulo Autran – os quais, claro, estão bem vivos entre nós (e se espera que assim continuem por muito tempo), mas numa idade que encoraja a avaliação do caminho que eles percorreram. Talvez trate-se, nesses casos, do aplauso por uma vida bem vivida.

Por que, às vezes, estou a fim de aplaudir uma vida? Esse tipo de aplauso não expressa apenas a gratidão e o elogio reservados a quem se dedicou generosamente aos outros nem o encômio destinado a quem deixou no mundo uma obra ou uma marca duradouras. Tampouco estou a fim de aplaudir porque uma vida me parece ter alcançado uma forma qualquer de bom êxito material ou espiritual.

Tudo isso, claro, pode alimentar minha admiração, mas o aplauso, justamente por seu caráter teatral, é desencadeado por algo mais, algo que aparecia no pequeno filme sobre Raul Cortez e que poderia ser resumido assim: aquela vida vale a pena ser contada.

Não é fácil definir o que faz que uma vida tenha essa qualidade estética ou poética que lhe dá, por assim dizer, a grandeza e a dignidade de um romance. Não é a felicidade nem o sucesso, nem o caráter extraordinário dos eventos; uma vida pode ser uma série de fracassos, mancadas e tristezas, pode também ser trivial e, no entanto, valer a pena ser contada.

Talvez a qualidade poética de uma vida que desperta o aplauso esteja na sensação de que seu protagonista foi animado por uma obstinada fidelidade ao desejo: seja qual for a distribuição das cartas pelo acaso ou pelo destino, ele jogou bem porque jogou sem medo de jogar. Na hora de nos despedir de alguém que nos é querido, choramos nossa perda, e é normal que seja assim. Mas deveríamos festejar, quando der, a “beleza” de sua vida. E chorar, quando for o caso, as vidas que se perdem não pela morte, mas pela morte-em-vida – as vidas, em suma, dos que não conseguiram ser atores de suas próprias vidas.

Fonte: Contardo Calligaris. Via Folha de S.Paulo, (31.05.2007, seção Ilustrada – para assinantes)

Show de Loreena McKennitt

23 de março de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: arte, cultura, musica, vida

Show de Loreena McKennitt

Ontem fui ao show de Loreena McKennitt, um antigo sonho, desde que conheci sua música numa fita K7 que um amigo meu – hoje padre Alexandre – me emprestou. Ainda me lembro daquela noite em que estava escrevendo minha dissertação de mestrado, em 2000. Era 11:00 da noite e coloquei a fita para tocar, sem pretensão. Havia muito tempo que nada me surpreendia musicalmente, apenas gostava ou não. Comecei a escrever e a música a soar. Num certo momento senti uma leveza no coração e não sei bem o porquê, lágrimas vieram. Por isso, quis conhecê-la um pouco mais e comprei seus CDs, que sempre estiveram muito comigo, principalmente em momentos que era preciso sentir um pouco mais a beleza. Considero-a a artista atual que melhor consegue extrair beleza da melodia. E como a melodia é fundamental para mim, Loreena é a minha compositora favorita. E tive a oportunidade de assisti-la no Teatro degli Arcimboldi, em Milão. A turnê que está passando pela Europa é de seu novo trabalho, An Ancient Muse, canções encantadoras que remetem a viagens e a nossas heranças universais. O trabalho, inspirado no livro Odisséia, de Homero, é o primeiro trabalho inédito desde 1998, ano de falecimento de seu noivo, em um lamentável acidente de barco.

Show de Loreena McKennittO cenário do show estava impecável e os efeitos das luzes nos absorviam para o mundo que ela cantava. As músicas dos outros álbuns tiveram bastante destaque e muitas delas empolgaram o público, que expressaram muito carinho por Loreena por meio de aplausos demorados e três pedidos de bis. Além da instrumentos inusitados que ela usa em suas músicas – como o nyckelharpa (violino dedilhado da Escandinávia) – me chamou a atenção quando ela disse que o álbum também é sobre as pessoas que viajam para poderem se conhecer e se encontrar. De alguma forma isso sempre esteve presente em várias civilizações ao longo de nossa história. E me tocou particularmente porque estou fazendo uma viagem – por dever profissional – mas que está tocando profundamente minha alma. E Loreena me ajudou a entendê-la.

Para se ter uma pequena noção de como é o seu show, acesse dois vídeos de um concerto na Espanha, em que interpreta duas canções de seu novo álbum: Penelope’s song e Caravanserai. Boa viagem!

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