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Logo depois da derrota dos Estados Unidos na Guerra do Vietnã, passei um tempo em Washington para preparar uma série de reportagens.
Um dado dia, conversei com os dois principais assessores do então secretário de Estado, Henry Kissinger. No dia seguinte, o Camboja, comunista, tomou o navio Mayaguez, norte-americano. Soaram todos os alarmes, porque parecia a comprovação da chamada “teoria do dominó” (caído o “dominó” Vietnã logo cairiam os demais países do sudeste asiático).
Liguei para um dos assessores de Kissinger para tentar entender como seria a reação. Não estava. Deixei recado, por deixar. Parecia-me óbvio que um alto funcionário norte-americano jamais retornaria a chamada de um jornalista latino-americano, ainda mais em uma situação crítica. Menos de uma hora depois, telefonou de volta e me contou tudo o que podia contar.
Aprendi na prática o significado de ” accountability “, uma palavra, aliás, que não tem tradução precisa em português. Eqüivale a “prestação das contas”, mas mais forte. Faz parte da cultura política da maioria dos países desenvolvidos: os funcionários sentem-se compelidos a dar satisfações ao público que lhes paga o salário.
Agora, Barcelona vive seus dias de São Paulo: caos no aeroporto, apagão (elétrico), congestionamentos nas rodovias, em pleno pico das férias de verão. O que faz a ministra de Fomento (Magdalena Álvarez)? Diz “relaxa e goza”? Some? Não. Interrompe suas férias em Málaga, dá a cara em Barcelona, pede desculpas pelos deficientes serviços públicos e se prontifica a comparecer ao Congresso para explicações.
Essa é a diferença maior entre o Brasil e a civilização: aqui, os poderosos de turno se acham donos do poder, não empregados do público que os paga.
Clóvis Rossi , na Folha de S.Paulo, 09/08/2007, seção Opinião. ( Acesso para assinantes ).
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Josias de Souza no seu blog diz que a manifestação do dia 29 de de julho em São Paulo tinha “trilha sonora de ontem”. Concordo. E já faz algum tempo que percebo que há escassez de músicas que possam ser usadas em protestos ou manifestações. Para colaborar, gostaria de sugerir a música “Somos todos Brasileiros”, da banda Amaryon e composta por Maní Kauss e por mim. Espero que gostem.
[audio http://www.mypodcast.com/fsaudio/serafim_20070804_1043-60852.mp3]
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Por Paulo Ghiraldelli Jr .
Após certo silêncio, que eu acreditava prudente, Marilena Chauí voltou a falar. Não fez o gesto de Marco Aurélio Garcia, mas tentou usar de um discurso aparentemente sofisticado para, em resumo, dizer a mesma coisa que o professor da UNICAMP disse de modo bem mais sincero. Fica difícil acreditar que foi a professora de filosofia da USP quem disse o que disse. Todavia, é o que está no Blog do Paulo Henrique Amorim, chamado “Conversa Afiada”. Ele disse que fez as perguntas para usar em um curso de “Telejornalismo”. Vejam um trecho significativo:
Paulo Henrique Amorim pergunta: “‘Em leituras da Crise’, a sra. discute a tentativa do impeachment do Presidente na chamada ‘crise do mensalão’. A sra. vê sinais de uma nova tentativa de impeachment ?
Resposta da professora: “Sim. Como eu disse acima, a mídia e setores da oposição política ainda estão inconformados com a reeleição de Lula e farão durante o segundo mandato o que fizeram durante o primeiro, isto é, a tentativa contínua de um golpe de Estado.”
Leitor, antes de seguir o que escrevo, volte ao trecho acima, leia mais uma vez. Pare e pense: como que uma professora da nossa querida USP pode confundir impeachment e golpe de Estado? E qual a razão dela querer repreender a oposição por ter quase tentado o impeachment no primeiro mandato do Lula, quando do episódio do “mensalão”? Por acaso a oposição e a imprensa deveriam ficar caladas e aceitar o que ocorreu? Ora, todos nós sabemos que a oposição até fez pouco! E quem está vendo militares rebelados, desafiando Lula e querendo que ele caia? E qual a razão pela qual alguns órgãos da mídia, que sabem que parte da responsabilidade pelo acidente do avião da TAM é do governo, ao usar isso para fazer oposição ao governo, estaria comprometida com golpe de Estado e não com legítimo desempenho de ser oposição?
Caso Marilena Chauí não fosse professora de filosofia, eu não escreveria o que escrevo aqui. Eu deixaria passar. Mas é necessário que alguém que ama a filosofia, tanto quanto ela, coloque a filosofia ao lado da democracia. Não posso ficar quieto. Tenho de dizer três coisas simples, mas que todos sabem que é verdade.
Primeiro: na democracia que vivemos as pessoas que ficaram indignadas e feridas com o acidente da TAM possuem o direito de reclamar, como estão fazendo, do governo, e a imprensa faz o serviço correto ao dar voz para tais pessoas, pois elas não teriam outro canal para reclamar senão o da imprensa. Diante do ocorrido, as pessoas afetadas direta ou indiretamente estão até que muito conformadas.
Segundo: estamos em uma democracia, e as pessoas que reclamaram e colocaram TODA a culpa no governo, podem estar erradas, mas elas não estão chamando militares para dar golpe de Estado em ninguém, e se algumas delas gritam “fora Lula”, talvez tenham aprendido isso com a atitude do PT, que por qualquer coisa escrevia em muros, sujando São Paulo, “fora Sarney”, “Fora FHC” etc. O PT ensinou as pessoas a serem mais agressivas e, talvez, até anti-democráticas, ensinou a vaiar Presidente fora de hora (como no PAN), e algumas dessas pessoas aprenderam isso.
Terceiro: é preferível, em uma democracia, ter uma mídia exacerbadamente aguerrida contra o governo que ter uma mídia subserviente, que escuta somente o Poder, pois, afinal, abaixar a cabeça para o governo é mais fácil, e lhe daria vantagens, uma vez que as estatais gastam bastante com os meios de comunicação. Então, qualquer pessoa, principalmente o filósofo, quando vê uma imprensa aguerrida contra um governo, deve agradecer o destino, pois o mais comum é ver a imprensa ceder às benesses do Poder, que não poupa tentativas de cooptação.
O que quer Marilena Chauí? Ela quer que suas respostas cheguem no curso do Paulo Henrique Amorim, na “Casa do Saber”, para convencer os ricos que votaram no Alckmin que eles são todos golpistas? Ou ela quer fazer como Jânio Quadros e Brizola, que na base do puro populismo atacavam as redes de TV e os grandes jornais, se colocando como vingadores do povo, e acusavam os meios de comunicação de serem só defensores dos magnatas?
Será que Marilena Chauí, no frigir dos ovos, acredita mesmo que as liberdades que temos deveriam ser denominadas de “liberdades burguesas” e, por causa desse qualificativo, deveriam ser substituídas por “liberdades populares”? Será que ela, a quatro paredes, acredita que Chomsky e outros que são amigos de Chávez, poderiam garantir a ela mesma, Chauí, liberdade para escrever seus longos livros, com salário pago por nós, em um regime que levasse o nome de “República Popular”? Se ela acredita nisso, tenho o dever de lhe dizer o seguinte: você está enganada professora.
O compromisso de Marilena Chauí com a chamada verdade é o seu compromisso com a chamada verdade do PT. Ela perdeu a autonomia como filósofa, pois acredita em uma mágica, a saber, que a filosofia poderia continuar existindo em uma situação em que a imprensa viesse a ver o que viu, em Congonhas, e ficar quieta. Não, a filosofia perderia muito sem democracia. Nenhum de nós, filósofos de esquerda, pode querer levantar um dedo contra a imprensa por ela fazer gritaria contra o governo no episódio da queda do avião da TAM, pois os problemas do nosso caos aéreo são problemas do governo e, enfim, a queda do avião está entre esses problemas. Quem acredita no que Marilena Chauí acredita vai terminar por endossar a idéia que o melhor lugar do mundo para se viver é aquele onde você ganha uma medalha em jogos internacionais e não pode recebê-la, tem de voltar para casa como cachorro com o rabinho entre as pernas. Não, filósofos de esquerda que são filósofos democratas, não podem mais defender isso.
Há a possibilidade de amar a filosofia, ser de esquerda e, ao mesmo tempo, ser suficientemente democrata para ver com bons olhos a liberdade de imprensa – a completa liberdade de imprensa, sem quaisquer restrições. Vociferar contra a imprensa, evocando supostos conceitos filosóficos, me parece claramente uma tentativa de torcer as coisas, de preparar terreno para que concordemos com o fim de nossa capacidade de crítica. E isso não é o trabalho do autêntico filósofo.
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Um novo fundo de investimento baseado em valores cristãos foi lançado na Suíça pelo segundo maior grupo bancário do país, seguindo o modelo de fundos, já existentes, respeitam os critérios do islamismo.
Os investidores que quiserem alocar seus recursos de acordo com a ética cristã poderão evitar dilemas morais, graças ao Fundo de Valores Cristãos, promete o Grupo Credit Suisse.
Ficam de fora do fundo papéis de empresas ligadas “violações de direitos humanos, indústria armamentista, lavagem de dinheiro, pornografia, tabaco, álcool e jogos de azar”, diz comunicado do banco.
Também estão descartadas empresas que prejudicam o meio ambiente e que produzem anticoncepcionais.
Além disso, títulos de países que praticam “intolerância política e religiosa” estão fora. O Credit Suisse diz que a garantia de “um enfoque de investimento inovador, baseado nos valores da ética cristã” será dada por um “certificado de conformidade ética”.
O banco diz que a meta de rendimento do novo fundo não será menos ambiciosa que a dos demais, no entanto. “O fundo busca rendimentos comparáveis aos dos produtos de investimento orientados para o lucro”, diz o comunicado.
Fonte: O Estado de S.Paulo , 31/07/2007. Acesse aqui . Via Pavablog .
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Essa foto que fiz hoje é do nome de uma avenida em Milão. Andrea Doria é uma de minhas músicas preferidas do Legião Urbana.

