Música para protesto

1 de agosto de 2007 por
Categorias: em_geral

Josias de Souza no seu blog diz que a manifestação do dia 29 de de julho em São Paulo tinha “trilha sonora de ontem”. Concordo. E já faz algum tempo que percebo que há escassez de músicas que possam ser usadas em protestos ou manifestações. Para colaborar, gostaria de sugerir a música “Somos todos Brasileiros”, da banda Amaryon e composta por Maní Kauss e por mim. Espero que gostem.

 

[audio http://www.mypodcast.com/fsaudio/serafim_20070804_1043-60852.mp3]

Na democracia, a dor pode ser expressa

1 de agosto de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: recortes

Por Paulo Ghiraldelli Jr.

Após certo silêncio, que eu acreditava prudente, Marilena Chauí voltou a falar. Não fez o gesto de Marco Aurélio Garcia, mas tentou usar de um discurso aparentemente sofisticado para, em resumo, dizer a mesma coisa que o professor da UNICAMP disse de modo bem mais sincero. Fica difícil acreditar que foi a professora de filosofia da USP quem disse o que disse. Todavia, é o que está no Blog do Paulo Henrique Amorim, chamado “Conversa Afiada”. Ele disse que fez as perguntas para usar em um curso de “Telejornalismo”. Vejam um trecho significativo:

Paulo Henrique Amorim pergunta: “‘Em leituras da Crise’, a sra. discute a tentativa do impeachment do Presidente na chamada ‘crise do mensalão’. A sra. vê sinais de uma nova tentativa de impeachment ?

Resposta da professora: “Sim. Como eu disse acima, a mídia e setores da oposição política ainda estão inconformados com a reeleição de Lula e farão durante o segundo mandato o que fizeram durante o primeiro, isto é, a tentativa contínua de um golpe de Estado.”

Leitor, antes de seguir o que escrevo, volte ao trecho acima, leia mais uma vez. Pare e pense: como que uma professora da nossa querida USP pode confundir impeachment e golpe de Estado? E qual a razão dela querer repreender a oposição por ter quase tentado o impeachment no primeiro mandato do Lula, quando do episódio do “mensalão”? Por acaso a oposição e a imprensa deveriam ficar caladas e aceitar o que ocorreu? Ora, todos nós sabemos que a oposição até fez pouco! E quem está vendo militares rebelados, desafiando Lula e querendo que ele caia? E qual a razão pela qual alguns órgãos da mídia, que sabem que parte da responsabilidade pelo acidente do avião da TAM é do governo, ao usar isso para fazer oposição ao governo, estaria comprometida com golpe de Estado e não com legítimo desempenho de ser oposição?

Caso Marilena Chauí não fosse professora de filosofia, eu não escreveria o que escrevo aqui. Eu deixaria passar. Mas é necessário que alguém que ama a filosofia, tanto quanto ela, coloque a filosofia ao lado da democracia. Não posso ficar quieto. Tenho de dizer três coisas simples, mas que todos sabem que é verdade.

Primeiro: na democracia que vivemos as pessoas que ficaram indignadas e feridas com o acidente da TAM possuem o direito de reclamar, como estão fazendo, do governo, e a imprensa faz o serviço correto ao dar voz para tais pessoas, pois elas não teriam outro canal para reclamar senão o da imprensa. Diante do ocorrido, as pessoas afetadas direta ou indiretamente estão até que muito conformadas.

Segundo: estamos em uma democracia, e as pessoas que reclamaram e colocaram TODA a culpa no governo, podem estar erradas, mas elas não estão chamando militares para dar golpe de Estado em ninguém, e se algumas delas gritam “fora Lula”, talvez tenham aprendido isso com a atitude do PT, que por qualquer coisa escrevia em muros, sujando São Paulo, “fora Sarney”, “Fora FHC” etc. O PT ensinou as pessoas a serem mais agressivas e, talvez, até anti-democráticas, ensinou a vaiar Presidente fora de hora (como no PAN), e algumas dessas pessoas aprenderam isso.

Terceiro: é preferível, em uma democracia, ter uma mídia exacerbadamente aguerrida contra o governo que ter uma mídia subserviente, que escuta somente o Poder, pois, afinal, abaixar a cabeça para o governo é mais fácil, e lhe daria vantagens, uma vez que as estatais gastam bastante com os meios de comunicação. Então, qualquer pessoa, principalmente o filósofo, quando vê uma imprensa aguerrida contra um governo, deve agradecer o destino, pois o mais comum é ver a imprensa ceder às benesses do Poder, que não poupa tentativas de cooptação.

O que quer Marilena Chauí? Ela quer que suas respostas cheguem no curso do Paulo Henrique Amorim, na “Casa do Saber”, para convencer os ricos que votaram no Alckmin que eles são todos golpistas? Ou ela quer fazer como Jânio Quadros e Brizola, que na base do puro populismo atacavam as redes de TV e os grandes jornais, se colocando como vingadores do povo, e acusavam os meios de comunicação de serem só defensores dos magnatas?

Será que Marilena Chauí, no frigir dos ovos, acredita mesmo que as liberdades que temos deveriam ser denominadas de “liberdades burguesas” e, por causa desse qualificativo, deveriam ser substituídas por “liberdades populares”? Será que ela, a quatro paredes, acredita que Chomsky e outros que são amigos de Chávez, poderiam garantir a ela mesma, Chauí, liberdade para escrever seus longos livros, com salário pago por nós, em um regime que levasse o nome de “República Popular”? Se ela acredita nisso, tenho o dever de lhe dizer o seguinte: você está enganada professora.

O compromisso de Marilena Chauí com a chamada verdade é o seu compromisso com a chamada verdade do PT. Ela perdeu a autonomia como filósofa, pois acredita em uma mágica, a saber, que a filosofia poderia continuar existindo em uma situação em que a imprensa viesse a ver o que viu, em Congonhas, e ficar quieta. Não, a filosofia perderia muito sem democracia. Nenhum de nós, filósofos de esquerda, pode querer levantar um dedo contra a imprensa por ela fazer gritaria contra o governo no episódio da queda do avião da TAM, pois os problemas do nosso caos aéreo são problemas do governo e, enfim, a queda do avião está entre esses problemas. Quem acredita no que Marilena Chauí acredita vai terminar por endossar a idéia que o melhor lugar do mundo para se viver é aquele onde você ganha uma medalha em jogos internacionais e não pode recebê-la, tem de voltar para casa como cachorro com o rabinho entre as pernas. Não, filósofos de esquerda que são filósofos democratas, não podem mais defender isso.

Há a possibilidade de amar a filosofia, ser de esquerda e, ao mesmo tempo, ser suficientemente democrata para ver com bons olhos a liberdade de imprensa – a completa liberdade de imprensa, sem quaisquer restrições. Vociferar contra a imprensa, evocando supostos conceitos filosóficos, me parece claramente uma tentativa de torcer as coisas, de preparar terreno para que concordemos com o fim de nossa capacidade de crítica. E isso não é o trabalho do autêntico filósofo.

Empresa e religião (6)

1 de agosto de 2007 por
Categorias: em_geral

Um novo fundo de investimento baseado em valores cristãos foi lançado na Suíça pelo segundo maior grupo bancário do país, seguindo o modelo de fundos, já existentes, respeitam os critérios do islamismo.

Os investidores que quiserem alocar seus recursos de acordo com a ética cristã poderão evitar dilemas morais, graças ao Fundo de Valores Cristãos, promete o Grupo Credit Suisse.

Ficam de fora do fundo papéis de empresas ligadas “violações de direitos humanos, indústria armamentista, lavagem de dinheiro, pornografia, tabaco, álcool e jogos de azar”, diz comunicado do banco.

Também estão descartadas empresas que prejudicam o meio ambiente e que produzem anticoncepcionais.

Além disso, títulos de países que praticam “intolerância política e religiosa” estão fora. O Credit Suisse diz que a garantia de “um enfoque de investimento inovador, baseado nos valores da ética cristã” será dada por um “certificado de conformidade ética”.

O banco diz que a meta de rendimento do novo fundo não será menos ambiciosa que a dos demais, no entanto. “O fundo busca rendimentos comparáveis aos dos produtos de investimento orientados para o lucro”, diz o comunicado.

Fonte: O Estado de S.Paulo, 31/07/2007. Acesse aqui. Via Pavablog.

Legião Urbana em Milão

31 de julho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: musica, recortes

Legião Urbana em Milão

Essa foto que fiz hoje é do nome de uma avenida em Milão. Andrea Doria é uma de minhas músicas preferidas do Legião Urbana.

Poder do subconsciente

31 de julho de 2007 por
Categorias: em_geral

Novos estudos revelam um cérebro subconsciente que é bem mais ativo, propositado e independente do que se sabia. Leia aqui.

Don’t worry, be happy

28 de julho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: em_geral

Dont worry, be happy

Conversa cabeça… e coração

28 de julho de 2007 por
Categorias: em_geral

Este é um pequeno diálogo hipotético entre dois personagens: a Cabeça e o Coração. O primeiro pode representar a Modernidade e o segundo alguma coisa que se deixou na Idade Média. Também pode representar o que acontece no dia-a-dia, o critério que temos para as decisões que tomamos.

O Coração diz: “quero!”, mas a Cabeça, com suas ardilezas racionais, diz: “são tantas barreiras! Tantas dificuldades! De acordo com a probabilidade…”. E o Coração retruca: “Cabeça, a vida tem que ser vivida como uma obra de arte, e não como um algoritmo matemático!”. A Cabeça se zanga e grita: “mas assim se sofre menos!”. E o Coração – o mais gentil dos órgãos, porque se doa 24 horas por dia para que os outros órgãos sobrevivam – fala em tom conciliador: “se sofre menos e se vive menos. Por que ter medo da dor? Dor é parte da vida, não algo antagônico a ela. O pintor, antes de começar seu quadro, sofre em seu ato criativo, sofre pela imagem não vir a sua mente, pela sua falta de inspiração ou por pensar que deu a pincelada errada. Ele pode desistir, pode querer passar pela vida sem mais complicações, mas deixará de ser um pintor”. A Cabeça, mais calma com a voz tranqüilizadora do Coração, perguntou: “mas, o que devemos fazer?”. O Coração, de modo amável, mas firme, disse: “o que vale na vida é viver. A felicidade é a vida que é jorrada, doada e amada. Quando se vive assim, as coisas acontecem, principalmente por maneiras que nunca poderíamos ter previsto”.

Então, a Cabeça racionaliza todas esses informações, faz uma “análise crítica” e afirma como um resultado de uma pesquisa científica: “são palavras bonitas, mas o que vale é a lógica, a premeditação, o planejamento, o controle. É isso o que conta e que é viável, e não esse seu romantismo e ingenuidade que embaçam a realidade!”. O Coração se calou. Sabia que era um romântico. Mas dava um outro sentido para a palavra. Romântico para ele é aquele que revela algo de cavalheiresco, de apaixonado, de nobre, que se eleva acima de uma realidade prosaica e banal. Mesmo assim, o Coração se recolheu, cessou seu diálogo com a Cabeça. Ela saiu vitoriosa. E o Coração continuou a bater todos os dias, todos os momentos, se doando a todos os órgãos. Inclusive para a Cabeça.

Altruísmo vigiado

28 de julho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: ciencia, neurociencia, reportagem, sociedade, ética

[...] Nos nossos comportamentos mais cotidianos, o olhar do outro e a percepção que nós temos dele desempenham um papel determinante. Este aspecto é evidenciado por um estudo realizado por dois pesquisadores alemães, Manfred Milinski (do Instituto Max-Planck de Plön) e Bettina Rockenbach (da Universidade de Erfurt), publicado na edição de 27 de julho da revista “Science”.

A partir da combinação de experiências que foram inspiradas nos estudos do comportamento animal, na sociologia e nas neurociências, os autores concluem que o fato de se saber observado conduz a se mostrar mais altruísta. Com isso, o desenho de um par de olhos sobre uma caixa para gorjetas incita os fregueses de uma cafeteria a darem mais dinheiro do que diante da representação de uma flor.

Uma tão grande interferência de um olhar exterior decorre de bases biológicas, situadas numa região do cérebro, o sulco temporal superior, da qual as representações imagéticas cerebrais mostram que ela é mobilizada pelo reconhecimento dos olhos de um vis-à-vis, nas situações de comunicação social. A resposta do córtex é particularmente pronunciada em presença apenas dos olhos, isolados do restante do rosto. Uma experimentação revela que a simples imagem de um par de olhos estilizados, quando reproduzida na tela de um computador, é suficiente para modificar o comportamento do seu usuário. [...]

[...] Em última instância, o observador pode decidir que o altruísmo do observado, mesmo que simulado, é benéfico. Talvez seja esta a explicação, conforme sugerem os autores, dos totens que foram erguidos por certas civilizações, nos quais olhos onividentes vigiam, zelando para que cada indivíduo dê mostras – com sinceridade ou duplicidade – de um comportamento desinteressado proveitoso para a comunidade.

Da reportagem “O altruísta, o olho e o totem”, publicado no Le Monde e no UOL. Leia a versão na íntegra em português aqui (apenas para assinantes).

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