História do violão

2 de abril de 2006 por Mauricio Serafim
Categorias: informacao

Esse programa, dizem, é um dos melhores sobre a história do violão. Veja aqui .

Defesa incondicional da vida

12 de março de 2006 por
Categorias: em_geral

No recente debate sobre o aborto e a eutanásia no Brasil, a Igreja Católica (e outras de filiação cristã) se posiciona de modo a defender a vida. É contra que haja a interrupção da gestação do feto em qualquer situação, ou seja, é uma defesa incondicional. Pois bem, não vou querer discutir esse posicionamento da Igreja. Mas fiquei pensando no que seria uma "defesa incondicional à vida". E dos vários aspectos que se poderia discorrer, vou por essa via: a defesa da vida dos animais.

Em outras épocas, matar animais para alimentação era necessário para a manutenção da vida da nossa espécie predadora, principalmente com a escassez de alimentos de outras origens, como os vegetais. Isso fazia parte do jogo da natureza. Hoje a espécie humana superou esse ciclo. Não precisamos mais dos animais para sobreviver. Temos tecnologia suficiente para nos alimentar sadiamente com a variedade de alimentos de origem vegetal que conseguimos processar, como os alimentos derivados da soja. Apesar disso, a indústria de criação e abate de animais continua crescendo, participando de uma parcela significativa do mercado internacional. Essa indústria consome um quarto de grãos do mundo para alimentar os animais, uma quantidade enorme de água potável, além da poluição gerada por seus excrementos. É uma criação artificial de vida, em que é gerada exclusivamente para o comércio.

Todos os animais vertebrados sentem dor e tentam preservar sua vida no momento em que ela está em perigo. A maioria cuida de sua prole, alimentando-a e afastando os perigos dos predadores. A maioria também tem a noção de liberdade, sendo que muitos não se reproduzem em cativeiro ou morrem ao serem colocados em uma jaula. Essas características fazem com que o animal que é criado em confinamento para o abate tenha uma vida (artificialmente encurtada, após ser artificialmente desenvolvida) marcada pelo sofrimento. É um sofrimento infligido sem necessidade e que, por isso, faz com que sejamos uma espécie cruel: matamos e comemos animais apenas pelo prazer.

Para se ter coerência com a defesa da vida, deveria ser levado em conta não apenas a vida de nossa espécie, mas também a das demais. O direito à integridade, ao não sofrimento desnecessário e o de seguir seu curso natural de desenvolvimento, deveria ser estendida além do âmbito do homo sapiens . Existe o preconceito entre etnias (por exemplo, com os negros em determinadas sociedades), entre gênero (com as mulheres), entre classes (entre ricos e pobres ou "capitalistas e proletariados"), mas há um em especial que geralmente não levamos em conta: o preconceito entre espécies. Isso significa que achamos que as outras espécies são menores, não possuem "alma", não são racionais, ou não possuem o sentido de trabalho como possuímos. Seja qual for a justificativa que dermos, todas legitimam a matança dos animais, seu confinamento para a criação e posterior abate. "Ela não é da nossa espécie, por isso a matamos" é a justifica final, a única que permanece se deixarmos de lado qualquer justificativa de caráter ontológica.

 Por isso, acredito que se a Igreja Católica quiser ser coerente com a defesa da vida, deve defender também a de outras espécies. Se a Igreja quer defender o feto de um ser humano, que também defenda o feto das vacas, por exemplo, para não virarem carne de vitela. Isso implicaria numa defesa, por parte da Igreja, do vegetarianismo, uma atitude de respeito e de verdadeira unidade e solidariedade com a natureza.

Mas se a Igreja não se importar com isso, seria coerente assumir sua atitude preconceituosa em relação às espécies, de que a vida que ela fala é apenas a vida dos seres humanos. Enquanto isso, movido pelo nosso prazer gustativo, as outras vidas podem ser instrumentalizadas, produzidas e mortas artificialmente, e comercializadas. Sendo assim, a Igreja não defende incondicionalmente a vida. Há uma condição: que seja a espécie homo sapiens .

Maurício C. Serafim

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