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O banqueiro Olavo Setúbal, que morreu em 2008, contava uma história que explica de forma exemplar o descaso de muitos brasileiros com o dinheiro público. Prefeito de São Paulo entre 1975 e 1979, Setúbal certa vez recebeu em seu gabinete uma delegação de um bairro da periferia – que o procurou para reivindicar a construção de uma ponte.
Comovido com o drama dos cidadãos, ele chamou à sala o secretário Cláudio Lembo e procurou ali mesmo a solução mais rápida para o problema. Os dois concluíram que o melhor seria criar em caráter emergencial uma taxa específica para a finalidade.
Antes que o diálogo terminasse, o líder da comitiva interveio: “Não, doutor Olavo. Nós não queremos que a ponte seja construída com dinheiro da gente, mas da prefeitura.” Para aquele grupo, assim como para muita gente hoje em dia, dinheiro público não é dos cidadãos. Ele apenas surge e, assim sendo, pode ser gasto de qualquer maneira.
Uma anedota muito interessante retirada do texto de Ricardo Galuppo e que ilustra bem a nossa percepção acerca do dinheiro público. Para a maioria de nós ele cresce em árvores.

