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fonte: Blog Sociologia Econômica

fonte: Blog Sociologia Econômica
Assisti e recomendo. A música é “Concerto para violino e orquestra” de Tchaikovsky.
Texto do Youtube : O vídeo é do filme “O Concerto”, baseado em historia real que se passa na Rússia em 1980, quando Andrei Filipov era o melhor maestro da União Soviética e dirigia a famosa Orquestra do Bolshoi. Mas, em plena glória, depois de se ter recusado separar dos seus músicos judeus, entre os quais estava seu melhor amigo, Sacha, foi demitido. O maestro, para sobreviver financeiramente, aceita fazer limpezas no teatro. Certo dia, 30 anos depois, ao limpar a sala do diretor do teatro, intercepta um fax do famoso Teatro Châtelet de Paris, convidando a orquestra para lá ir tocar, não sabendo que a orquestra estava provisoriamente desfeita. De repente, ocorre a Andrei uma ideia mirabolante: por que não reunir os seus ex-colegas músicos, que sobrevivem a fazer biscates e trabalhos temporários, e levá-los a Paris, fazendo-os passar pelo Bolshoi?
Os modernos estão tentando de todas as formas e configurações um mundo onde não há limites (…) Não há nada de mais mesquinho nesta infinitude. Eles dizem que querem ser fortes como o universo, mas o que eles realmente querem é que todo o universo seja fraco como eles.
[...] Observai os que vos rodeiam e vereis como avançam perdidos em sua vida; vão como sonâmbulos, dentro de sua boa ou má sorte, sem ter a mais leve suspeita do que lhes acontece. Ouvi-los-eis falar em fórmulas taxativas sobre si mesmos e sobre seu contorno, o que indicaria que possuem idéias sobre tudo isso. Porém, se analisais superficialmente essas idéias, notareis que não refletem muito nem pouco a realidade a que parecem referir-se, e se aprofundais na análise achareis que nem sequer pretendem ajustar-se a tal realidade. Pelo contrário: o indivíduo trata com elas de interceptar sua própria visão do real, de sua vida mesma. Porque a vida é inteiramente um caos onde a criatura está perdida. O homem o suspeita; mas aterra-o encontrar-se cara a cara com essa terrível realidade, e procura ocultá-la com um véu fantasmagórico onde tudo está muito claro. Não lhe interessa que suas “idéias” não sejam verdadeiras; emprega-as como trincheiras para defender-se de sua vida, como espantalhos para afugentar a realidade.
Homem de mente lúcida é aquele que se liberta dessas “idéias” fantasmagóricas e olha de frente a vida, e se convence de que tudo nela é problemático, e se sente perdido. Como isso é a pura verdade – a saber, que viver é sentir-se perdido -, quem o aceita já começou a encontrar-se, já começou a descobrir sua autêntica realidade, já está no firme. Instintivamente, como o náufrago, buscará algo para se agarrar, e esse olhar trágico, peremptório, absolutamente veraz porque se trata de salvar-se, lhe facultará pôr ordem no caos de sua vida. Estas são as únicas idéias verdadeiras; as idéias dos náufragos. O resto é retórica, postura, íntima farsa. Quem não se sente de verdade perdido perde-se inexoravelmente; é dizer, não se encontra jamais, não topa nunca com a própria realidade.
Isto é certo em todas as ordens, ainda na ciência, não obstante ser a ciência, de seu, uma fuga da vida (a maior parte dos homens de ciência dedicaram-se a ela por terror a defrontar sua própria vida. Não são mentes claras; daí sua notória falta de jeito ante qualquer situação concreta). Nossas idéias científicas valem na medida em que nos tenhamos sentido perdidos ante uma questão, em que tenhamos visto bem seu caráter problemático e compreendamos que não podemos apoiar-nos em idéias recebidas, em receitas, em lemas nem vocábulos. Quem descobre uma nova verdade científica teve antes que triturar quase tudo que havia aprendido e chega a essa nova verdade com as mãos sangrentas por haver jugulado inumeráveis lugares comuns.
José Ortega y Gasset na obra A rebelião das massas . Peguei daqui.