Princípio da dádiva

30 de março de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: vida

– Não nos deve nada, o que está fazendo?

– Não te devo nada, mas porque você tem que dever algo para dar… Por que tem que dever para poder dar?

Diálogo do filme Rocky Balboa .

Dance with me

22 de março de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: arte, vida

Dance with me

Tristeza sem preconceito

20 de março de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: administracao, ciencia, vida

Na revista Época Negócios foi publicado uma entrevista bastante interessante com o americano Jerome Wakefield, professor da Universidade de Nova York, e estudioso dos fundamentos filosóficos da psiquiatria, sobre a tristeza e o seu papel na vida humana e na sociedade e afirma que nos tornamos intolerantes à dor, preferindo nos medicarmos a tentar entendê-la.

Um adeus a Chiara Lubich

14 de março de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: economia de comunhao, religiao, vida

Um adeus a Chiara Lubich

Biografia da fundadora do Movimento dos Focolares

ROMA, sexta-feira, 14 de março de 2008 ( ZENIT.org ) – Faleceu hoje, em sua residência de Rocca di Papa, perto de Roma, aos 88 anos, Chiara Lubich , fundadora do Movimento dos Focolares , cujo nome oficial é Obra de Maria. É considerada uma das figuras femininas mais importantes do cristianismo das últimas décadas.

Nascida em 22 de janeiro de 1920, ao início da década de 40 o Movimento surgiu quando era professora do Ensino Fundamental, com um pouco mais de vinte anos, em Trento (Itália). Havia se matriculado na Faculdade de Filosofia da Universidade de Veneza, pois queria chegar à verdade mais profunda das coisas e da vida. Mas havia começado a Segunda Guerra Mundial.

Em meio às bombas, descobriu que o único ideal que não se derruba é Deus. Foi crescendo em seu interior o desejo de ser toda de Deus e em 7 de dezembro de 1943, em solidão e em uma capela de sua cidade, ela se consagrou a Ele por toda a vida. Esta data marca oficialmente o início do Movimento dos Focolares.

Sua casa foi destruída em 13 de maio de 1944, durante um dos mais violentos bombardeios que Trento sofreu. Sua família busca amparo nas montanhas próximas. Chiara decide ficar na cidade.

Abraçando entre os escombros uma mãe enlouquecida pela morte de seus quatro filhos, sente que deve abraçar a dor da humanidade, e assim, entre os pobres de sua cidade, junto com outros companheiros que a seguem em sua decisão, ela procura viver o Evangelho ao pé da letra, como Palavra vivida.

Ao fazê-lo, experimenta que descobriu a mais poderosa revolução social, capaz de incendiar tudo com um só fogo: o amor.

Em 1948, Chiara se encontra no Parlamento italiano pela primeira vez com Igino Giordani, um prestigioso político, deputado, escritor, jornalista e pai de 4 filhos. Foi ele mesmo quem ajudou Chiara a encarnar na sociedade a espiritualidade da «unidade», razão pela qual ele é considerado co-fundador do Movimento. Pioneiro do ecumenismo, a Igreja Católica iniciou recentemente sua causa de beatificação.

Em ano 1949 se encontra com Pasquale Foresi, um jovem seminarista desejoso de conjugar evangelho e vida na Igreja. Ordenado presbítero em 1954, Foresi é o primeiro focolar sacerdote.

Em 1956, faz surgir os «Voluntários», novo ramo de seu movimento, constituído por pessoas adultas comprometidas nos mais diversos campos sociais: política, economia, justiça, saúde, docência, indústria, etc. Eles procuram ser animadores em suas atividades e vivê-las em união com cada pessoa desde Deus.

Em 1966, propõe aos jovens a radicalidade do Evangelho e assim surge o «Movimento Gen» (Geração Nova).

Em 1977, recebe em Londres o prêmio «Templeton» pelo Progresso da Religião, com o qual a atividade de Chiara começa lentamente a cobrar notoriedade pública, apesar da modalidade do movimento de «amar a fundo e falar pouco» para «ser» mais que aparecer. Desde então até o presente, ela esteve recebendo cada vez com mais freqüência diversas distinções em diferentes países de cada continente.

Em 1991, no Brasil, ela se sente impressionada pelo contraste social e pela miséria das favelas, e põe em andamento a Economia de Comunhão , naquela época um projeto e hoje uma realidade em crescente desenvolvimento desta nova teoria e práxis econômica. Sobre ela estão sendo publicados teses e trabalhos de pesquisa nas universidades do mundo inteiro, e existem centenas de empresas aplicando-a em todas as latitudes.

No ano de 1996, em Paris, a UNESCO lhe confere o Prêmio pela Educação para a Paz 1996.

Entre 1997 e 1998, ela abre novas perspectivas de diálogo inter-religioso: é convidada a falar de sua experiência interior na Tailândia a 800 monges e monjas budistas; em Nova York, a 3.000 muçulmanos negros na mesquita de Harlem, e na Argentina à comunidade hebraica de Buenos Aires. É assim a primeira vez na história que isso acontece em tais religiões e que uma mulher católica o faz.

Em setembro de 1998, em Estrasburgo, ela recebe do Conselho Europeu o Prêmio Direitos Humanos 1998.

O Movimento dos Focolares hoje se encontra difundido em 182 países, com mais de dois milhões de adeptos e uma irradiação entre milhões de pessoas.

Dia Internacional da Mulher

7 de março de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: sociedade, vida

Há uma frase do pensador alemão Karl Marx que gostaria de citar para começar este artigo: “a liberdade da mulher é condição fundamental para a libertação de toda a humanidade”. No dia 08 de março se comemora o Dia Internacional da Mulher. Poderia ser um dia muito especial se a maioria das pessoas soubesse a origem desta data, longe de ser apenas mais um dia para ser dada uma lembrança, um presente, ou um “parabéns”. Por isso, penso que seria importante refletir um pouco sobre o que ele significa.

O humano, em seu sentido lato, é a convergência do feminino e do masculino, concretizado na mulher e no homem. Na história da humanidade, o que prevaleceu não foi o humano, mas parte dele que arroga ser o holos , a totalidade. Esta é a arrogância do macho em querer universalizar valores e condutas muito particulares, relegando à sombra a outra: o feminino. A dicotonomia masculino/feminino foi concretizada socialmente na dicotomia homem/mulher. Dessa forma, a mulher foi vista ao longo da história, por exemplo, como parte da propriedade (Grécia Antiga), como potencial manifestação do demônio (Idade Média), incapaz de escolher representantes políticos (Brasil até 1932) e objeto de consumo para satisfação sexual do homem (dias atuais).

O século XX teve o importante papel de ser um momento histórico no qual a mulher lutou por melhores condições de trabalho e por direitos políticos similares aos do homem. Devido a essa luta, na qual mulheres foram duramente repreendidas, foi criado o dia Internacional da Mulher. A versão mais mencionada sobre a origem desse dia é a data de 08 de março de 1908. Nesse dia, 129 operárias têxteis de Nova York entraram em greve por aumento de salários, redução da jornada de trabalho de 16 para oito horas diárias, e licença maternidade. Apesar de todo o esforço, as trabalhadoras não foram atendidas em suas solicitações. Para reprimir as grevistas, as forças policiais e os patrões atearam fogo na fábrica, após trancarem as portas, e as operárias morreram queimadas no interior da empresa, onde estavam concentradas. O Dia Internacional da Mulher é celebrado oficialmente a partir de 1922.

Portanto, 08 de março é um dia de reflexões políticas (em seu sentido amplo) sob a atual condição da mulher em nossa sociedade. Um dia em que as reflexões acerca das lutas da ampliação de sua liberdade deveriam ser o cerne, e não uma mera bajulação que normalmente acontece. Se hoje mulheres possuem direitos, tais como a licença maternidade, estudar e trabalhar, e mesmo decidir ser mães solteiras sem o estigma do moralismo, é porque outras mulheres lutaram corajosamente, oferecendo muitas vezes a própria vida. E acredito que, por elas, se deveria ter mais respeito, relembrando seus feitos, suas derrotas e, principalmente, continuar seu legado de inquietação perante um horizonte estreito de liberdade. Por favor, mulheres, não transformem (e não deixem os homens transformarem) esse dia em mais um capítulo daqueles livros estilo Júlia .

Patty Adams na vida real

16 de fevereiro de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: politica, sociologia, vida

Uma entrevista muito interessante com o médico americano Patty Adams no programa Roda Viva de 04 de fevereiro desse ano. Uma pessoa bem diferente daquela interpretada por Robin Williams . Ele se define como militante político, revolucionário, intelectual e pensador, e possui idéias inovadores e fortes sobre o relacionamento entre as pessoas no campo da saúde. Surpreende com críticas ácidas ao seu próprio país, ao capitalismo e à indústrtria farmacêutica. Pareceu alinhado com os pensamentos políticos do questionável Michael Moore, mas que não desmerece seu trabalho brilhante.

Neurociência do amor

20 de dezembro de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: neurociencia, vida
Dar apoio moral é uma grande demonstração de amor, crucial para manter saudável a resposta ao estresse de quem o recebe. Mas dar carinho a quem se ama é a mais inequívoca demonstração de amor, tão importante que conta com um sistema de nervos específico para detectá-la. Por isso, não basta amar; é preciso fazer o outro se sentir amado.
Trecho do texto de Suzana Herculano-Houzel na Folha de S.Paulo a respeito de algumas descobertas da neurociência sobre o amor ( assinantes acessam aqui ).

Viajar e amar

29 de novembro de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: vida

De vez em quando, tenho vontade de viajar. O que chamo de viajar não tem muito a ver com viagens de férias. Tampouco significa necessariamente desbravar terras virgens. Encontrei a melhor definição do que é viajar numa maravilhosa e breve fábula de José Saramago, que acaba de ser publicada, “O Conto da Ilha Desconhecida” (Companhia das Letras). O protagonista explica assim seu desejo: “Quero encontrar a ilha desconhecida. Quero saber quem eu sou quando nela estiver”. Viajar é isto: deslocar-se para um lugar onde possamos descobrir que há, em nós, algo que não conhecíamos até então. Sem estragar o prazer dos leitores, só direi que, no fim da fábula de Saramago, talvez o protagonista não encontre sua ilha, mas ele encontra uma mulher. A moral da história é incerta, entre duas leituras opostas.

Primeira leitura: quem casa não viaja (a não ser de férias); casar-se é desistir de viajar. É o que pensam, com freqüência, homens e mulheres casados. E é também o que os leva, às vezes, a se separarem. Quando achamos que o outro nos impede de viajar, ou seja, que ele nos priva da aventura de descobrir o que poderia haver de diferente em nós, o casal se torna nosso inimigo. Claro, na maioria dos casos, acusamos o casal de uma inércia que é só nossa.

[...] Segunda leitura: o protagonista descobre que a mulher ao seu lado é a própria ilha desconhecida que ele procurava e que a verdadeira viagem é o encontro com um outro amado. Faz todo sentido, pois o amor e a viagem, em princípio, têm isto em comum: ambos nos fazem descobrir em nós algo que não estava lá antes.

O outro amado nos transforma. Tanto quanto a chegada numa terra incógnita, ele nos revela algo inesperado em nós. Por isso, aliás, o viajante e o amante podem esbarrar em problemas análogos: às vezes, ao sermos transformados pela viagem ou pelo amor, não gostamos do que encontramos, não gostamos dos efeitos em nós do amor ou da viagem. Essa é, em geral, a única razão séria para se separar ou para voltar da viagem. Moral dessa coluna (e talvez da fábula de Saramago): os outros não são nenhum inferno, são uma viagem. Agora, para amar, como para viajar, é preciso ter determinação e coragem.

Trecho do texto de Contardo Calligaris , na Folha de S.Paulo ( assinantes podem acessar aqui ).

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