Categorias: academia, vida
Para sermos autênticos em relação à vida precisamos, urgentemente, abrir mão dos conceitos e darmos mais valor às experiências. Os conceitos são fechados em si mesmos e repetitivos, já as experiências se recriam e possibilitam novas interpretações. Sempre que eu crio um conceito em torno de uma idéia, de uma situação ou de uma pessoa, eu fecho as portas para novas conexões e inspirações. A vida está em eterno movimento e nós também estamos. Ser verdadeiro é não limitar, mas expandir; é perceber que tudo é mutável, inclusive as relações e os seres humanos. Nisso entra a possibilidade do perdão e do recomeço, assim como a aceitação de que os ciclos se fecham e se findam.
[...] Ser genuíno também consiste em respeitar as vontades e preferências alheias e não se sentir agredido pelo que é diferente, é enxergar beleza no incomum. Eu não me refiro a ser tolerante em relação às diferenças, pois isso ainda transpira uma relação de desigualdade, de um superior aceitando o inferior, isso seria apenas uma concessão. Refiro-me a amar o outro pelo que ele é! Sabemos que estamos nos transformando em pessoas plenas quando não temos a pretensão de mudar os demais, quando mergulhamos no insight de que a nossa missão existencial é em relação a nós mesmos.
Trecho do ótimo artigo de Lígia Guerra. E o que isso tem a ver com ciência, universidade, essas coisas? Acredito que para sermos bons estudantes, professores e pesquisadores temos que ser, antes de tudo, pessoas melhores. E para isso, temos que ter mais experiências do que conceitos, amar mais do que tolerar, ser autênticos mais do que seguir a multidão, rebelar-se mais do que querer revolucionar. E talvez isso seja a coisa mais difícil e gratificante que podemos fazer.



