Por que as novas igrejas evangélicas fazem tanto sucesso

10 de maio de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: capital social, religiao

Que outro lugar, neste país, hoje, está de portas abertas e com alguém a postos para escutar o que o outro tem a dizer, ainda que possa ser apenas para avaliar o quanto de dinheiro poderá arrancar de quem desabafa? Se você está doente ou seu marido é alcoólatra, você vai encontrar alguém que o escute no SUS? Se seu filho está mal nos estudos ou agressivo em sala de aula e em casa, ou envolvido com traficantes, você vai encontrar alguém que o acolha na escola ou em outra instituição? Se você está sem emprego ou sua casa foi levada pela enchente porque a prefeitura e o estado deixaram de fazer as obras necessárias, onde você vai encontrar um teto e um banco para sentar e um ombro para chorar, ainda que tenha de dar o último trocado que restou no seu bolso? Em que outro lugar você se sentirá parte, ainda que no meio de uma multidão, mas uma com a qual você se identifica e o reconhece como um igual?

Por mais fraudulento que possa parecer – e em muitos casos é –, há algo que funciona nesses espaços. Há uma mercadoria que é entregue – ou os templos estariam vazios. E é entregue em geral não por um pastor ou bispo ou apóstolo ou irmão fulano qualquer, mas um fulano com um nome, sobrenome e rosto parecido com o do fiel. Este acolhimento e esta escuta fazem diferença na vida dessas pessoas ou elas não estariam lá. Deveria ser diferente? Acredito que sim. E lamento que não seja.

Mas as pessoas, todas e especialmente as mais pobres e desamparadas, têm de se virar com a realidade que está aí. Hoje, agora. E estas são as portas que estão abertas – quando quase todo o resto parece falhar. Ou está fechado. Ou não tem vaga.

Uma das análises mais lúcidas e generosas que conheço na imprensa sobre o crescimento das novas igrejas evangélicas. Muito mais do que olhar a demanda, Eliane Brum aborda a oferta de serviços que essas igrejas oferecem de modo competente. No ano passado publiquei um artigo que vai nessa direção.

Via Pavablog .

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Psiu! Silêncio!

7 de maio de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: comportamento, ensaio

Psiu! Silêncio!

Um texto que escrevi há alguns anos e que republico em homenagem ao dia do silêncio:

“No princípio era o Verbo”, escreve São João. Palavra que interrompe o silêncio. Assim é também quando nascemos. Quando concebidos, ficamos nove meses nos transformando e nos preparando para um dos momentos mais traumáticos que iremos vivenciar: o término da unidade física com a nossa mãe. Nove meses cuja única experiência sonora é a monótona batida do coração de quem nos abriga. Ao sermos expulsos daquela condição agradável, damos nosso primeiro berro, o primeiro ato de uma longa adaptação ao novo mundo, como que concordando com São João sobre a primazia da palavra. “No princípio é o berro”, digo, parodiando o apóstolo. Não importa aqui sobre o significado teológico da frase do evangelho e nem a heresia ao parodiá-lo. Importa apenas conversarmos um pouco sobre a relação do ser humano com o som, ou melhor, com sua ausência, o silêncio. Uma relação abalada nestas últimas décadas.

Na sociedade japonesa, quando alguém está pensando, numa postura de reflexão sobre algo, outra pessoa não o perturba, respeitando este momento no qual a interrupção pode ser nociva. Em nossa sociedade, quando alguém está quieto, meditando, entendemos ser este o instante em que devemos interpelá-lo, mesmo que seja uma pergunta banal do tipo “o que foi, aconteceu alguma coisa?”. Pronto! Perdemos o fio da meada, como costumamos dizer. Nossa relação com o silêncio, posso afirmar, é receosa, temerosa, temos medo dele. Não sei bem ao certo se é porque estamos desacostumados ou porque ele pode nos colocar de frente com nós mesmos, ou se ambos. A falta de costume é fácil de perceber. Acordamos com o despertador, aquele aparelho escandaloso que nos faz acordar aos sobressaltos. Ligamos a televisão ou o rádio e já começamos a saturar nossos ouvidos de sons, misturados com os do caminhão do gás que passa três vezes por dia; o carro do picolé e os que anunciam ofertas que não nos interessam também têm sua participação nessa cacofonia, e nem ao menos saímos de casa. No caminho do trabalho e no trabalho, motos, carros, caminhões, buzinas, ares-condicionados, gente conversando, gente gritando, telefones (os que irritam mais são os celulares, que estão em todo lugar), música (ou pseudomúsicas) por todos os lados (até em elevadores!) fazem com que ouvido e penico sejam mais do que uma rima. “Meu ouvido não é penico!”, lembram disso? Chegando em casa, televisão é ligada, vizinhos fazendo aquela festa, telefone toca, a vizinha pré-adolescente cantando a música do filme  Titanic com toda a energia do sonho de um dia ser a Sandy… ufa! Com os ouvidos estafados, deitamos para descansar, fechamos os olhos e… os cachorros da vizinhança decidem conversar entre si.

Na sociedade atual, na melhor das hipóteses, há pouco espaço para o silêncio. Desaprendidos de escutar o nada, tememos o silêncio porque nos obriga a ficarmos frente a frente com nós mesmos, desprovidos de qualquer anestésico sonoro. Somos obrigados a nos ouvir, e não raro, quando isso ocorre, experienciamos o desconhecimento que temos de nós mesmos. Percebemos que somos estranhos em nossa própria casa.

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Tão longe, tão perto

16 de abril de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: arte, cultura

Tão longe, tão perto

Alguns diálogos do excelente filme “Tão longe, tão perto” ( Farway, so close! , Wim Wenders, 1993) que me deixaram muito pensativo. Em seguida U2, em uma das canções da trilha sonora.

– Sempre quis saber se o mundo para homens e mulheres é igual. As mulheres são diferentes?

– Mulheres são seres humanos. Elas carregam a luz humana. Os homens procuram, procuram, até que achem o calor que lhes faz falta. Até serem compreendidos. É tudo o que posso dizer”.

* * *

– Isso é solidão, Raphaela. É horrível. Niguém ouve o que os outros sentem. Niguém olha no coração do outro. Ninguém pergunta nada, nem informação. O que estou fazendo aqui? Só vendo o dia virar noite? Nada faz sentido… Não devo perder de vista minha missão. Como os homens vêem e ouvem? O que posso dizer é que tudo é tão bonito. É quente, a noite cai, os pássaros festejam, o céu fica em tons pastel. Mas o que há além? Eu não vejo nem ouço o sopro da eternidade, as leis universais, ou a luz do amor. Para os humanos, Raphaela, acho que não há nada além… Cada um cria seu mundo dentro de sua visão e audição. E fica prosioneiro dele. E, de sua cela, ele vê a cela dos outros.

* * *

– Cassiel!

– Devo estar em casa de novo. Estou ouvindo sua voz.

– Sempre ouvi sua voz. E vi tudo. Mais ainda, vi o mundo por meio dos seus olhos. Os humanos não vêem mais como nós.

– Os olhos deles se acostumaram só a tomar. Eles observam e tomam. Eles não sabem mais dar.

– Eles se esqueceram de que a luz entra no coração pelos olhos, e depois reflete pelos olhos do coração.

– O ciclo foi interrompido.

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Expanda seus limites

9 de abril de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: arte, vida

Campanha "Rethink Possible" da AT&T. Via coluna de Ricardo Setti .

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Transvalorização da razão

4 de abril de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, administracao, filosofia, sociedade, sociologia

“A transvalorização da razão – levando à conversão do concreto no abstrato, do bom no funcional, e mesmo do ético no não ético – caracteriza o perfil intelectual de escritores que têm tentado legitimar a sociedade moderna exclusivamente em bases utilitárias”.

Alberto Guerreiro Ramos. Trecho do livro A nova ciência das organizações (1989, p. 3).

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Cor e humor

19 de março de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: cultura, humor

Concordo com Carlos Pires : o que mais gosto no vídeo é o humor com que é tratado um tema tão importante e sério. Por aqui, no Brasil, já fizemos isso , mas não conseguimos fazer mais. Também pudera: até a política deixou de ser tema dos comediantes (não me refiro a fazer graça com os políticos, mas dos políticos) porque, para rir da política, basta apenas ler os jornais. Particularmente eu rio de nervoso.

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Artigo – Gestão da imigração recente no Brasil: Políticas públicas e os desafios da integração no Mercosul

25 de fevereiro de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, administracao, sociedade
Artigo   Gestão da imigração recente no Brasil: Políticas públicas e os desafios da integração no Mercosul

 

 

MARTES, Ana Cristina B.; SERAFIM, Mauricio C. Arm und ausgebeutet im „Land der Chancen“ – Zuwanderung in Brasilien und im Mercosur. In: REIFELD, Helmut. Auf der Suche nach dem „Land der Chancen” . Sankt Augustin: Konrad Adenauer Stiftung, 2011.

Foi publicado neste mês o texto traduzido para o alemão que escrevi em co-autoria com Ana Cristina Braga Martes   Arm und ausgebeutet im „Land der Chancen“ – Zuwanderung in Brasilien und im Mercosur (Gestão da imigração recente no Brasil: Políticas públicas e os desafios da integração no Mercosul). Trata-se de um capítulo de um livro sobre a imigração de iniciativa da Fundação política alemã Konrad Adenauer Stiftung . O livro completo está aqui .

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Ocidente e Islã: uma convivência possível, porém…

1 de fevereiro de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: cultura, politica, religiao, sociedade

Os direitos individuais são a pedra de toque para saber se uma convivência minimamente harmônica entre Ocidente e Islã é possível. O que distingue o Ocidente das demais civilizações são as suas bases espirituais: a afirmação da razão humana como eficaz para conhecer a realidade e, como consequência disso, a descoberta de uma moral natural. Um dos maiores méritos de Tomás de Aquino é exatamente esse: a elaboração racional da ética sem necessidade de fé e não circunscrita a um “povo eleito”. Nossos direitos inalienáveis são descendentes diretos da lei natural de S. Tomás. Não é pouca coisa que, nos séculos XVI e XVII, enquanto a Espanha expandia seu império e escravizava povos inteiros, os teólogos de Salamanca afirmavam que os índios tinham direito a suas terras e à sua liberdade, que nada justificava o roubo de suas posses e sua escravização, nem mesmo a recusa em se converter ao Cristianismo. Parece pouco, dado que os crimes ocorreram sem grandes empecilhos práticos? Mas no campo do espírito quem venceu foi Salamanca, e isso fez toda a diferença.

A grande conquista do Ocidente é essa: a eficácia da razão humana no plano teórico e os direitos individuais no plano prático. A ciência, a arte, a riqueza, são consequências disso. Os muçulmanos não têm nenhum pudor em se apropriar de certas filosofias ocidentais. Marxismo, relativismo, desconstrucionismo; de fato, todas vieram do Ocidente; mas o que as caracteriza é justamente a negação daquilo que nos constitui. A razão humana é incapaz de conhecer o mundo real, e o discurso moral e político não passa de máscara para jogos de poder. Elas caem como uma luva para uma visão de mundo fideísta : a razão é impotente, portanto tudo é questão de fé; portanto ninguém tem como criticar minha fé. Não há certo e errado objetivos, apenas vontades arbitrárias em conflito; portanto, entreguemo-nos à vontade arbitrária de Deus.

Ótimo t exto de Joel Pinheiro sobre o conflito no mundo islâmico e o que nós temos a ver com isso.

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