Max Weber: Religião e economia

11 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, religiao, sociologia

IHU On-Line – Serão as análises de Weber sobre as religiões, em particular o cristianismo, pertinentes para uma reflexão sobre o fenômeno religioso na contemporaneidade, na qual há uma “revanche da religião”?

Colliot-Thelene – Weber deu uma grande importância para a influência que as religiões puderam exercer sobre a conformação das condutas de vida dos indivíduos, notadamente sobre suas práticas econômicas. Ele tinha a convicção, entretanto, de que nas sociedades ocidentais modernas, essa influência basicamente havia se esgotado. Podemos pensar que, diante dos diversos fenômenos do mundo contemporâneo, que se resume falando no “retorno das religiões”, ele teria modificado seu diagnóstico. O essencial é que encontramos em seus ensaios de sociologia das religiões múltiplas análises que ilustram os efeitos que as diversas religiões podem exercer sobre as condutas de vida, onde cabe a nós atualizarmos essas análises.

IHU On-Line – Para Weber, quais eram as implicações das orientações religiosas na conduta econômica das pessoas? Como ele estabelece essa relação?

Colliot-Thelene - Essas implicações divergiam conforme o estilo das religiões, em particular a natureza da “salvação” que elas deixavam seus adeptos a esperar. Do ponto de vista de seu efeito para as práticas econômicas, a diferença mais fundamental, no entender delas, era a que separa as religiões que valorizam a ação no mundo diário (o confucionismo, ou, por razões radicalmente diferentes, o protestantismo), e as que, ao contrário, têm uma atitude negativa para com este mundo e favorecem a indiferença ou o distanciamento para com ele, como o budismo, por exemplo.

Trecho da entrevista da filósofa Catherine Colliot-Thelene publicada no IHU On-line. Leia mais aqui.

Lady in red e o retorno às cavernas

8 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: civismo, comportamento, cultura, sociedade, ética

Abaixo reproduzo o artigo publicado na coluna de Augusto Nunes que, para mim, é um ótimo retrato sobre a nossa condição moral. Crescido nos anos 1980 – sob a defesa da cidadania, direitos da mulher, entre outras coisas que hoje não parecem ser mais tão importantes – nunca imaginei que iríamos regredir culturalmente. Sempre acreditei que minha geração iria presenciar avanços importantes nas instituições democráticas, no direito individual e no respeito à mulher. A expulsão de Geisy da Uniban mostra que eu estava errado.

Por Augusto Nunes

O monumento ao primitivismo que começou a ser erguido na noite de 22 de outubro, quando centenas de alunos do campus de São Bernardo protagonizaram a tentativa de linchamento da moça do vestido curto, foi inaugurado com a expulsão de Geisy Arruda e a aprovação, com louvor, dos agressores. A nota divulgada pela direção da Uniban, com o título A educação se faz com atitude e não com complacência, faz sentido nestes tempos estranhos. Num Brasil pelo avesso, o certo virou errado e o errado virou certo.

Como o culpado é inocente, Antonio Palocci pode estuprar a conta do caseiro, o MST pode invadir o que vier pela frente, José Sarney pode continuar engordando o prontuário de matar de inveja um general do PCC. Como o inocente é culpado, Francenildo Costa não pode queixar-se da condenação ao desemprego, os fazendeiros não podem invocar o direito de propriedade nem alegar que as terras são produtivas. Por divulgarem verdades sobre um homem incomum, o Estadão merece censura e merecem pancadas jornalistas que escrevem livros contando um pouco do muitíssimo que fez o dono do Maranhão.

Como o que era já não é, diplomas de universidades estrangeiras agora equivalem a atestados de elitismo. Devem ser transferidos da parede para o porão, antes que os diplomados sejam considerados inimigos do Grande Ignorante e, portanto, da pátria. Falar e escrever direito é coisa de preconceituoso, miudezas desprezíveis para um enviado da Divina Providência. O brasileiro tem de aprender a desaprender, porque é de linguagem chula que o povo gosta, é palavrório grosseiro o que o povo quer.

A minissaia foi inventada em 1960, os trajes das universitárias hoje sessentonas eram bem mais ousados. Mas um microvestido ficou moderno demais, porque o país está avançando para trás. A sindicância interna concluiu que Geisy teve “uma postura incompatível com o ambiente da universidade, frequentando as dependências da unidade em trajes inadequados”.

A sorte é que jovens de boa família estavam lá para defender “os princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade” desrespeitados pela moça desvestida de vermelho. “A atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar”, descobriu a Uniban.

Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, a Uniban transformou o campus de São Bernardo no muro da boçalidade. A expulsão do vestido curto riscou a fronteira que separa o país moderno do Brasil primitivo. A turma das cavernas está do lado de lá.

fonte: Veja.

Sociologia econômica em luto

27 de outubro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, vida

Sociologia econômica em luto

Cecile Raud, professora do Departamento de Ciências Sociais da UFSC, fará muita falta.

Cecile era francesa de nascimento e faleceu na tarde desta terça-feira, dia 27, em Florianópolis. Integrava o corpo docente do Departamento de Sociologia e Ciência Política da UFSC.

Autora de primeira grandeza da Sociologia Econômica no Brasil, seus temas de estudo eram Estado, Mercado, Empresariado e Sistema Financeiro, Meio Ambiente e Desenvolvimento Rural e Urbano.

Coordenava o Núcleo de Estudos Sociológicos do Mercado (Nusmer) www.nusmer.ufsc.br e integrava o corpo docente da Pós-graduação em Sociologia Política (PPGSP). Também era pesquisadora do Núcleo Interdisciplinar em Sustentabilidade e Redes Agroalimentares.

Graduou-se em Ciências Econômicas e Comerciais pela École Supérieure des Sciences Economiques et Commerciales (ESSEC), França, onde também obteve o mestrado. Seu doutorado foi em Sociologia do Desenvolvimento pela École des Hautes Etudes en Sciences Sociales (EHESS), França.
Fez dois Pós-Doutorados: em Sociologia, na Université de Paris IX, Paris-Dauphine (U.P. IX), França, e em Sociologia Econômica e Política, na Wageningen University (WUNI), Holanda.

Fonte: Agecom/UFSC

+ Ciência

18 de outubro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: ciencia, sociedade

Já se passaram 400 anos da primeira observação de telescópio por Galileu Galilei e 150 anos da publicação de A Origem das Espécies, de Charles Darwin, e muita gente ainda parece não ter percebido. No Brasil, em particular, devido aos problemas da educação e a inclinações culturais, os conceitos não parecem ter sido assimilados; há ainda muita confusão sobre seus valores e limites. Associa-se sempre o conhecimento científico à arrogância, à falta de humildade, à vaidade de explicar “coisas maiores que nós”, como tanto se ouve dizer. Mesmo pessoas de boa formação afirmam, por exemplo, que a ciência não pode provar que Deus não existe, como se esta fosse a questão central. E assim as contribuições desde Copérnico até o Genoma ficam mal compreendidas e, pior, não se sente nelas o encantamento com a natureza que lhes é inerente. Nem mesmo todas as efemérides em livros, revistas e jornais conseguem mudar isso. [...]

Precisamos de mais mentalidade científica nas escolas, de mais fundações de amparo público e privado, de melhores museus, de mais autores de livros que não fiquem apenas no didatismo gracioso – e que vejam esse trabalho no mesmo patamar da própria pesquisa. Afinal, obras como Vida Maravilhosa, de Stephen Jay Gould, e Cosmos, de Carl Sagan, para citar apenas dois críticos do determinismo que muito me marcaram quando jovem, são o melhor caminho. Revelam a fascinante tapeçaria da natureza e nos convidam a partilhar o pouco que sabemos, independentemente de haver ou não um criador. Só assim os delírios e as calúnias poderão perder espaço para o encanto das ciências.

Trecho desse texto imperdível de Daniel Piza.

Tango

3 de outubro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: arte, vida

Tango

Um casal de dançarinos durante a inauguração do 2009 Tango World Championship em Buenos Aires (AP Photo/ Natacha Pisarenko). Mais fotos de Tango aqui.

Assembléia de constituição do Observatório Social de Florianópolis

28 de setembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: civismo, educacao, politica, sociedade

Assembléia de constituição do Observatório Social de Florianópolis

Karl Polanyi – A nossa obsoleta mentalidade mercantil

27 de setembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, cultura, economia, pesquisa, politica, sociedade, ética

Karl Polanyi A nossa obsoleta mentalidade mercantil

Estava fuçando na internet coisas sobre o Polanyi para a aula do mestrado e achei este texto traduzido para o português de Portugal. A leitura desse grande mestre vale a pena.

Lançamento do Centro Ruth Cardoso

10 de setembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, sociedade, sociologia, vida

A Alfasol (Alfabetização Solidária) lançará no próximo dia 18 um centro de pesquisas e eventos em homenagem à ex-primeira-dama Ruth Cardoso (1930-2008). As atividades serão concentradas em um prédio na rua Pamplona, nos Jardins (zona oeste de São Paulo), que será batizado com o nome da antropóloga. Haverá também um espaço que irá expor parte do trabalho de Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

A visitação será aberta dentro de oito meses a um ano, após reforma do prédio. As atividades de pesquisa e seminários começam já neste mês. Haverá parcerias com centro de estudos de universidades, como os da USP (Universidade de São Paulo).

A primeira investigação será sobre o comportamento dos jovens que vivem em regiões metropolitanas do país, além da oferta de políticas públicas e privadas a essa população. O projeto foi iniciado pela própria ex-primeira-dama e deverá durar oito meses.

Também estão previstos seminários temáticos, com assuntos como sustentabilidade, que darão origem a cadernos com textos para discussão.

“Há a necessidade de uma organização histórica do trabalho que a doutora Ruth deixou. Mas também abordando discussões para o futuro”, afirmou a superintendente da AlfaSol, Regina Esteves.

A ex-primeira-dama era bacharel em ciências sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

A AlfaSol e as outras quatro organizações que a antropóloga criou -Unisol, Artesol, Capasol e Comunitas – também funcionarão no local, com projetos integrados. No prédio, de cinco andares, deverão trabalhar cerca de 130 pessoas.

Segundo Esteves, o centro está sendo custeado com contribuições de empresas ou pessoas que possuíam afinidade com Ruth Cardoso, como Antônio Ermírio de Moraes e a família Safra. Os recursos provenientes da obra “Livro de Ruth” (Imprensa Oficial) também são utilizados no projeto.

Fundada em 1996, a Alfabetização Solidária capacitou 254 mil alfabetizadores e atendeu 5,5 milhões de alunos e adultos em 2.433 municípios.

Folha de SP, 10/9/2009. Via Jornal da Ciência.

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