Teologia e organizações

22 de dezembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, administracao, religiao

Teologia e organizações

Faz algum tempo que trabalho com a hipótese de que muitos conceitos usados na Administração são conceitos teológicos/religiosos secularizados. Por exemplo, a idéia de eficácia organizacional tem sua origem na ética protestante, como nos ensina Max Weber. Essa hipótese era muito particular, fruto de minha experiência no campo com organizações religiosas.

Para a minha surpresa (nem tanto, porque brincamos na academia que quando achamos que uma idéia é original é porque não fizemos uma pesquisa bibliográfica decente) recebi a chamada de trabalhos para um workshop intitulado “Teologia e Organizações” (veja logo abaixo), da Critical Management Studies, divisão da Academy of Management, a principal associação acadêmica em Administração do mundo.

No texto chamam a atenção para o tema do encontro da Academy of Management de 2010, ‘Dare to Care: Passion and Compassion in Management Practice and Research’, que possui um forte cunho teológico.

Enquanto isso, no Brasil, religião e administração juntos podemparecer tão exóticos quanto um koala.

Call for abstracts (deadline January 15) CMS Division Academy of Management, Montreal:

THEOLOGY AND ORGANIZATION

Conveners:
Bent M. Sørensen (bem.lpf@cbs.dk)
Sverre Spoelstra (sverre.spoelstra@fek.lu.se)

The CMS Division of the AOM will conduct a research workshop immediately prior to the 2010 Academy of Management meetings in Montreal in August 2010. The workshop will begin mid-morning of Wednesday Aug 4 and run till the evening of Thursday Aug 5.  We are coordinating a stream called Theology and Organization in this workshop, and seek submissions from interested researchers.

‘All significant concepts of the modern theory of the state’, Carl Schmitt once wrote, ‘are secularized theological concepts’. The same might also be said about concepts of the modern theory of management and organization. Leadership theory, for example, revolves around theological concepts such as charisma, spirit, inspiration, sacrifice, and humility.

A less obvious example concerns our concept of work. Theologically understood, work was, in the Judeo-Christian tradition, the burden imposed upon man after he had been expelled from Paradise: playfulness now became strictly separated from what was done under the sweat of his brow. One of today’s organizational utopias is an attempt to put work and play together again.

The theological roots of other organizational concepts – such as hierarchy, authority, corporation, community, representation, and vision – appear even less self-evident, which only shows how naturalized theological concepts have become in organization studies and, indeed, in common parlance. The European Group for Organization Studies (EGOS) colloquium choose for the 2009 conference an overtly theological theme, ‘Passion for creativity and innovation’, without feeling obliged to acknowledge that both passion and creativity are in fact theological concepts. The AOM theme for 2010, ‘Dare to Care: Passion and Compassion in Management Practice and Research’, goes one step further with this explicit theological footnote to its (theological) theme:

‘Compassion means caring for others as much as caring for oneself, as in the golden rule of “do unto others as you would have done unto yourself” or “love your neighbor as yourself.” All major religions consider compassion to be among the greatest of all virtues.’

This workshop stream encourages thinking through organizations by means of theological concepts (could be ‘compassion’, as in this year’s AOM theme). That is to say, we invite contributions that draw upon theological concepts in making sense of organizational issues, beyond the level of metaphorical analogy or sociological description.
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Náufrago à frente do mar

13 de dezembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: arte, vida

naugrafo-licia

Mar de Trieste, Itália. Enviada por Licia Paglione.

Arte e religião

9 de dezembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: arte, religiao

A escassez de obras que dialoguem esteticamente com a religião, como as de Kiefer, Kieslowski e Pärt, não impede que o sentimento religioso esteja impregnado nas mais diversas expressões culturais do nosso tempo, antes de mais nada como credulidade, como defesa da fé em forças superiores ou ocultas. Se lembrarmos alguns dos maiores sucessos da literatura e do cinema nos últimos dez ou doze anos, vamos encontrar livros que viraram filmes como Harry Potter, de J.K. Rowling, e O Código da Vinci, de Dan Brown, para não falar das adaptações de um livro dos anos 30, O Senhor dos Anéis, de J.R.R. Tolkien, e muitas mais. Há também o brasileiro Paulo Coelho, de Diário de um Mago e O Alquimista, embora hoje não faça o mesmo sucesso, e a nova onda de livros e filmes sobre vampiros, como Crepúsculo, de Stephenie Meyer. Os vampiros e os bruxos, em suma, estão em alta, talvez na esteira de acontecimentos como o 11 de setembro de 2001, que reforçou a fantasia como entretenimento, o esoterismo como escapismo. São obras que estão mais para refrigerante do que para Dante; ainda assim, mostram a força que a aproximação pode ter. Arte & religião, afinal, é uma história que, embora contada de modo mais longevo no passado, ainda parece ter um longo futuro.

Trecho do texto de Daniel Piza. Acesse na íntegra aqui.

Tempo perdido

30 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: humor, sociedade

Tempo perdido

Via blog do Orlandi.

Empresa e religião (24) – Crie uma igreja e livre-se dos impostos

30 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: empresa, religiao, reportagem, sociedade

Bastaram dois dias úteis e R$ 218,42 em despesas de cartório para a reportagem da Folha criar uma igreja. Com mais três dias e R$ 200, a Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio já tinha CNPJ, o que permitiu aos seus três fundadores abrir uma conta bancária e realizar aplicações financeiras livres de IR (Imposto de Renda) e de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Seria um crime perfeito, se a prática não estivesse totalmente dentro da lei. Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para a constituição de uma igreja. Tampouco se exige um número mínimo de fiéis.

Basta o registro de sua assembleia de fundação e estatuto social num cartório. Melhor ainda, o Estado está legalmente impedido de negar-lhes fé. Como reza o parágrafo 1º do artigo 44 do Código Civil: “São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento”.

A autonomia de cada instituição religiosa é quase total. Desde que seus estatutos não afrontem nenhuma lei do país e sigam uma estrutura jurídica assemelhada à das associações civis, os templos podem tudo.

A Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio, por exemplo, pode sem muito exagero ser descrita como uma monarquia absolutista e hereditária. Nesse quesito, ela segue os passos da Igreja da Inglaterra (anglicana), que tem como “supremo governador” o monarca britânico.

Livrar-se de tributos é a principal vantagem material da abertura de uma igreja. Nos termos do artigo 150, VI, b da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com suas finalidades essenciais.

Isso significa que, além de IR e IOF, igrejas estão dispensadas de IPTU (imóveis urbanos), ITR (imóveis rurais), IPVA (veículos), ISS (serviços), para citar só alguns dos vários “Is” que assombram a vida dos contribuintes brasileiros. A única condição é que todos os bens estejam em nome do templo e que se relacionem a suas finalidades essenciais -as quais são definidas pela própria igreja.

O caso do ICMS é um pouco mais polêmico. A doutrina e a jurisprudência não são uniformes. Em alguns Estados, como São Paulo, o imposto é cobrado, mas em outros, como o Rio de Janeiro e Paraná, por força de legislação estadual, igrejas não recolhem o ICMS nem sobre as contas de água, luz, gás e telefone que pagam.

Certos autores entendem que associações religiosas, por analogia com o disposto para outras associações civis, estão legalmente proibidas de distribuir patrimônio ou renda a seus controladores. Mas nada impede -aliás é quase uma praxe- que seus diretores sejam também sacerdotes, hipótese em que podem perfeitamente receber proventos.

A questão fiscal não é o único benefício da empreitada. Cada culto determina livremente quem são seus ministros religiosos e, uma vez escolhidos, eles gozam de privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (CF, art. 143) e o direito a prisão especial (Código de Processo Penal, art. 295).

Na dúvida, os filhos varões dos sócios-fundadores da Igreja Heliocêntrica foram sagrados minissacerdotes. Neste caso, o modelo inspirador foi o budismo tibetano, cujos Dalai Lamas (a reencarnação do lama anterior) são escolhidos ainda na infância.

Voltando ao Brasil, há até o caso de cultos religiosos que obtiveram licença especial do poder público para consumir ritualisticamente drogas alucinógenas.

Desde os anos 80, integrantes de igrejas como Santo Daime, União do Vegetal, A Barquinha estão autorizados pelo Ministério da Justiça a cultivar, transportar e ingerir os vegetais utilizados na preparação do chá ayahuasca -proibido para quem não é membro de uma dessas igrejas.

Se a Lei Geral das Religiões, já aprovada pela Câmara e aguardando votação no Senado, se materializar, mais vantagens serão incorporadas. Templos de qualquer culto poderão, por exemplo, reivindicar apoio do Estado na preservação de seus bens, que gozarão de proteção especial contra desapropriação e penhora.

O diploma também reforça disposições relativas ao ensino religioso. Em princípio, a Igreja Heliocêntrica poderá exigir igualdade de representação, ou seja, que o Estado contrate professores de heliocentrismo.

fonte: Folha de S.Paulo. Via Pavablog.

Amores modernos

24 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: humor, vida

Amores modernos

Fonte: Blog dos Malvados.

Felicidade e ciência

23 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, vida

Felicidade e ciência

“Somente nos últimos seis meses, foram divulgados 27.335 estudos e artigos publicados em revistas científicas abordando de aspectos bioquímicos até aspectos psicológicos sobre felicidade”

Trecho da reportagem que mostra o crescente interesse da ciência pelo tema. Acesse aqui.

Política e religião (10) – Entre a cruz e o Estado

18 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: politica, religiao

[...] Um exemplo da “indigestão” causada pelo relativismo no Ocidente é o recente caso dos crucifixos nas escolas italianas. Aparentemente uma mãe se queixou de que o filho se sentia “desrespeitado” porque, não sendo cristão, tinha que frequentar uma sala de aula com uma cruz na parede. A partir daí, teriam decidido pela proibição do crucifixo nas escolas.

Essa decisão é ridícula porque a cruz é um símbolo, seja eu cristão ou não, das raízes do próprio Ocidente, naquilo que ele mais preza: amor ao próximo, generosidade e justiça, enfim, um Deus que morre de amor. Nós contemporâneos somos ignorantes de um modo gritante acerca do cristianismo, confundindo-o com alguns de seus momentos mais infelizes e cruéis (toda cultura é infeliz e cruel de alguma forma). Essa proibição cospe na cara de 2.000 anos de história de uma grande parte da humanidade, e os ignorantes que a realizaram deveriam ser obrigados a pedir desculpa aos cristãos.

Trecho do artigo do filósofo Luiz Felipe Pondé (acesse aqui). Um outro texto que também aborda o assunto e que foge do senso comum da intelectualidade universitária é este aqui.

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