Pensamento breve #1: Por que não concordo com o relativismo cultural

2 de novembro de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: comportamento, cultura, vida

Pensamento breve #1: Por que não concordo com o relativismo cultural

Porque o relativismo cultural se baseia no pressuposto de que todas as interpretações são válidas. Porém, se todas as interpretações são válidas, todas serão neutralizadas por não haver um princípio ordenador. É o típico “se tudo vale, nada tem valor”. Nesse caso, a crueldade – ou seja, proporcionar sofrimentos e humilhações físicas ou morais aos outros – também será moralmente neutralizada e seremos cúmplices da injustiça. A meu ver, o relativismo cultural incentiva a crueldade ao justificar o mal.

Qual seria o critério? O que foi vivido e testado por gerações e transmitido pela tradição em forma de sabedoria: não aceitar qualquer forma de crueldade.

Não sei ao certo, mas tenho a impressão que o relativismo moral é uma boa desculpa para não se comprometer. Você não precisa tomar partido de nada e estará sempre certo. É um lugar cômodo para se estar.

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Cultura brasileira e cultura corporativa

3 de outubro de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: administracao, cultura

Entre os tantos assuntos que a literatura brasileira não aborda ou aborda mal, está o da chamada “cultura corporativa”, sobretudo na superposição com a cultura brasileira. Este é um dos países que menos respeitam o horário do trabalhador, que não raro fica muito mais tempo no serviço do que o contratado, sem receber os respectivos direitos, isso quando são formalizados. Como os laços pessoais sempre aparecem no lugar dos méritos profissionais, os ambientes se convertem em simulacros de famílias, em chacrinhas afetivas, com todos os exageros e atritos que os ambientes domésticos costumam ter. Aí é um tal de fofoca, assédio, gente se metendo folgadamente no assunto dos outros; confunde-se colega com amigo, quando na realidade o bom coleguismo é que já é raro. Chefes querem que subordinados os copiem em tudo e boicotam sua vida fora da empresa; em troca, o estresse sobe a níveis desnecessários, botando tensão onde deveria haver talento.

Texto de Daniel Piza, na mosca.

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Fordlândia: Uma história esquecida

30 de agosto de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: administracao, cultura

 

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Trechos (1): Duelo de banjos do filme Amargo Pesadelo (1972)

25 de agosto de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: arte, cultura, vida

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Idéias dentro e fora do lugar

19 de julho de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: cultura, sociedade

Idéias dentro e fora do lugar

Foto de um dos parques da cidade de Cernusco Sul Naviglio, próximo a Milão. Acervo pessoal

Domenico de Masi , professor de sociologia da Universidade La Sapienza de Roma, é conhecido no Brasil por seus trabalhos sobre a criatividade, importância do tempo livre e sociedade pós-industrial (centrada na produção de bens imateriais, como a estética). Para quem conhece um pouco a Itália ou já esteve lá, não se espanta que essas idéias sejam defendidas por um italiano. No meu entender, é o típico caso de um contexto cultural exercer forte influência sobre as idéias: são as idéias dentro do lugar.

A primeira impressão que tenho da sociedade italiana é que o senso estético inunda todos os vínculos sociais. Para citar um exemplo, por lá, quando eles gostam de um filme (mesmo os de terror), não dizem que ele é bom – como dizemos por aqui – mas que é bello , uma das palavras mais usadas por eles. Outra característica que noto é que eles levam a sério o tempo livre ( tempo libero ), uma expressão também muito usada. É o tempo do não trabalho, que eles aproveitam para freqüentarem as praças públicas a partir das 17 horas, por exemplo. Em Milão, as praças são lugares onde as pessoas podem caminhar e “dar um tempo”, ou ainda se encontrar com pessoas para conversar, comer e beber algo. E eles sabem muito bem comer e beber. A qualidade da comida que se consome cotidianamente é superior ao Brasil. Para ter essa qualidade, precisamos gastar muito mais.

E isso me faz pensar se as idéias de De Masi não ficariam um pouco fora de lugar no Brasil. De fato, elas são muito atraentes, mas me pergunto sobre a qualidade de nosso tempo livre, quando o temos. Uma questão crucial, a meu ver, é que nossos espaços públicos, onde poderíamos usufruir desse tempo, estão degradados: são feios, não oferecerem segurança, e muitas vezes distantes. Há muito a praça deixou de ser lugar de encontro e fonte do sentimento de pertença à cidade. O que deveria ser regra, é privilégio: sentar em um banco de praça sem ser perturbado ou ter medo de ser assaltado. Talvez a palavra “deveria” seja a chave. Quando uma idéia está dentro do lugar, é possibilidade, e é preciso apenas de “mudança de mentalidade”. Mas quando uma idéia está fora do lugar, vira desejo e, assim, “gostaríamos” e “deveríamos” ter essa possibilidade. E, dessa forma, continuamos a aguardar o futuro, nem que seja o do pretérito.

Publicado na GV-executivo, São Paulo, v. 7, n.1, p. 19, 2008 .

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EdC – Uma economia baseada na comunhão

2 de junho de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: ética, cultura, economia, economia de comunhao, religiao, reportagem, sociedade

Em São Paulo, uma Jornada internacional reuniu cerca de 1800 pessoas que discutiram caminhos alternativos para a superação da pobreza e a construção de uma sociedade mais justa e fraterna. Reportagem de Fernanda Postigo e Adalberto Rocha.

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A norma culta e elitismo

29 de maio de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: cultura

E agora, pensando aqui nessa tirania da norma culta, fico imaginando se ela não é empregada com esse fim, por certos fiscais dogmáticos. Não devia ser, porque, afinal, ela é necessária para preservar e aprimorar a precisão da linguagem científica e filosófica, para refinar a linguagem emocional e descritiva, para conservar a índole da língua, sua identidade e, consequentemente, sua originalidade. Ao contrário do que entendi de certas opiniões que li sobre o assunto, a norma culta não tem nada de elitista, é ou devia ser patrimônio e orgulho comuns a todos. Elitismo é deixá-la ao alcance de poucos, como tem sido nossa política.

Trecho do ótimo texto de João Ubaldo Ribeiro.

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Li e recomendo – Ruth Cardoso: Fragmentos de uma vida

19 de maio de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: administracao, capital social, ciencia, cultura, politica, redes sociais, sociedade

Li e recomendo – Ruth Cardoso: Fragmentos de uma vida

“Combater a pobreza não é transformar pessoas e comunidades em beneficiários passivos de programas sociais. Toda pessoa tem habilidades e dons. Toda comunidade tem recursos e ativos. Combater a pobreza é fortalecer capacidades e potencializar recursos." Ruth Cardoso

Um livro escrito com delicadeza e riqueza de detalhes sobre uma pessoa de uma extraordinária riqueza de vida . Sua experiência durante o governo FHC deveria ser amplamente estudada nos cursos de administração pública porque ela soube catalizar como ninguém a efervecência da sociedade civil daquela época, conjugada com ações governamentais. E foi ela quem propôs uma das mais bem-sucedidas experiências de coprodução dos serviços públicos no Brasil: o Alfabetização Solidária.

o comovente posfácio de Manuel Castells que descreve sua amizade e influência que recebeu de Ruth. Para ele,

Ruth foi uma grande pesquisadora e sua obra será compilada de forma sistemática nos anos vindouros. Mas foi sobretudo uma extraordinária inovadora social, que utilizou sua pesquisa e sua mente para inventar processos de mudança social em benefício de uma multidão de pessoas. E extraiu permanentemente ensinamentos dessas experiências a fim de refinar a análise e colocá-la em prática em novas iniciativas que contribuíram para mudar a sociedade, de baixo para cima. Influenciou agentes políticos, empresariais, líderes sociais, que viram em suas ideias a resposta para muitos dos problemas práticos que eles se colocavam ( p. 252)

A obra me fez pensar muito sobre muitas coisas. Uma em especial foi uma passagem que descreve a incomodação de Ruth com a entrada de FHC na política. Ela detestava a política partidária, mas logo se deu conta que aquilo poderia ser a ‘aventura de sua geração’. E foi mesmo. O Brasil ficou muito melhor, apesar do discurso dominante dizer o contrário. E pensei: ‘qual seria a aventura de minha geração?’. Não tenho uma resposta.

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