Cartas à milanesa (I)

10 de março de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: comportamento, cultura, ensaio, sociedade

Estou morando em uma numa cidadezinha chamada Cernusco Sul Naviglio , distante 10 quilômetros de Milão . É uma comune (como eles chamam aqui) de 13 quilômetros quadrados e 30 mil habitantes. A primeira coisa que me chamou a atenção foi sua beleza. A natureza, muito presente, é apreciada em suas sete praças e dois parques e todo o espaço público é muito bem cuidado. Nas praças sempre há pessoas conversando e tomando café aproveitando o sol da manhã. No rio Naviglio, que atravessa a cidade, há patos nadando, algo bem estranho para alguém que vem da cidade de São Paulo. Bom, confesso que aqui tudo é muito estranho. A vida é calma, os horários do comércio são variados – porque cada negócio tem o seu, que é exposto na porta –, as pessoas saem nas ruas tranquilamente com os seus filhos em carrinhos de bebê e as praças são lugares onde as pessoas sentam e conversam. Tudo muito estranho…

Na primeira vez que fui à cidade de Milão de metrô, as pessoas que estão me hospedando ficaram preocupadas porque é a maior cidade da Itália e, como toda cidade grande, tem seus perigos. Também fiquei apreensivo. Mas havia me esquecido que a população de Milão, de dois milhões de habitantes, equivale ao número de pessoas que freqüentam por dia o metrô de São Paulo. A sensação que tive foi a de chegar numa cidade de interior: era calmo, sem os formigueiros humanos que me acostumei a fazer parte em São Paulo. Fui logo para o centro histórico, na Piazza Duomo (Praça Catedral). Fiquei sem fôlego ao ver a catedral medieval e estranhei como a praça é bem freqüentada. Conheci a famosa Galleria Vittorio Emanuele , dedicada ao primeiro rei da Itália. Perambulei pelas ruas e em todo lugar que eu ia tudo era muito bonito. [Continua]

Mais repercussão

6 de março de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, comportamento, educacao, ensaio, sociedade

O artigo publicado na GV-executivo escrito pelo meu amigo Pedro Bendassolli e por mim foi comentado na coluna do professor da FGV-EAESP Thomaz Wood Jr. na revista CartaCapital. Para lê-la, acesse aqui .

Cuidado: bebezões a bordo

13 de fevereiro de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, administracao, comportamento, ensaio, sociedade

Cuidado: bebezões a bordo

Acabou de ser publicado na GV-executivo de jan-fev. 2007 um artigo que escrevi com o meu amigo Pedro Bendassolli sobre a questão da infantilização do adultos e sua repercussão nas organizações. Para lê-lo, acesse aqui .

Zumbi or not zumbi: uma boa metáfora para os dias atuais

9 de setembro de 2006 por Mauricio Serafim
Categorias: comportamento, ensaio, politica

Numa noite dessas tive um sonho com zumbis – desses que estamos acostumados a ver nos filmes – sendo que eu mesmo tinha virado um. Mas era um zumbi tipo light , que não fazia mal às pessoas e bastava que as beijasse (ou algo do gênero) para que elas se transformassem também. No sonho os zumbis podiam voar e eram alegres porque adquiriam capacidades melhores do que os humanos. Pode parecer estranho que eu esteja comentando isso, mas a verdade é que o sonho mexeu comigo. Fiquei me perguntando que metáfora poderia significar. A minha relação com os filmes de zumbis começou quando há algum tempo assisti sem querer ao filme Madrugada dos Mortos , porque estava passando os canais e as cenas me chamaram a atenção. Achei o filme bem feito para o gênero, mas no fim eu me senti muito mal. Ele me passou uma desesperança que me causou desconforto durante vários dias. No filme, todos os esforços dos humanos para se salvarem tinham grandes chances de darem certo, mas sempre eram frustrados pelos zumbis.

Após o meu sonho, então quis me “exorcizar” e aluguei o filme Terra dos Mortos (Land of the Dead), do lendário cineasta George A. Romero . Um ótimo filme para quem se aventura pelo gênero, e mais alinhado com o meu sonho. Para uma boa resenha, recomendo uma publicada no site Omelete , de Érico Borgo. É interessante que você quase torce pelos zumbis e quase se solidariza com eles. Dizem que o filme é uma metáfora ao governo Bush e sua política internacional, principalmente com os países árabes. Faz muito sentido, as metáforas são poderosas e aqui merece reproduzir o comentário de Borgo:

Mas o grande mérito do filme é explorar novamente os problemas da sociedade moderna utilizando inteligentíssimas situações metafóricas. Na história, os mortos estão espalhados pelo planeta e os humanos sobreviventes se mantêm protegidos em cidades-fortaleza. Essa organização feudal remonta à Idade Média, mas apresenta uma perturbadora – e moderna – constatação. Os poderosos aristocratas vivem em torres de vidro imponentes, cercados de exércitos particulares e vivendo em ostentação e negação. Enquanto isso, os indesejados, os desafortunados, ocupam o perímetro de tais construções e fazem o trabalho sujo: varrem as cidades dominadas pelos zumbis a bordo de um caminhão blindado em busca de mantimentos para abastecer as fortalezas.

A estrutura na qual os abastados vivem, liderados pelo poderoso Kaufman (Dennis Hopper, mistura de George W. Bush com Donald Trump), imediatamente lembra a crítica ao consumismo de O Despertar dos Mortos. No entanto, apesar desse elemento também estar presente no novo filme, aqui é a desigualdade de classes e as relações imperialistas que estão no centro do debate. Há os ricos, a classe operária e os zumbis terceiro-mundistas, sendo que os últimos assistem impassíveis ao extermínio de seus irmãos enquanto os recursos de suas cidades são extraídos. Deu pra entender aonde Romero – o brilhante Romero – quer chegar?

E fiquei pensando que no Brasil os zumbis também podem ser útil como metáfora para a nossa estrutura de desigualdade socioeconômica. Quem seriam os zumbis – os morto-vivos – que nos atormentam e nos causam medo por eles se alimentarem de pessoas vivas e que com apenas uma mordida faz com que nos transformemos em um deles? E o zumbi também não poderia ser uma metáfora para os nossos desejos e pulsões (Id freudiano), muitos dos quais detestamos reconhecê-los que estão conosco e que se dermos um mínimo de brecha poderá nos controlar?  No final do filme, ao contrário do outro que assisti, ele me deu esperança, quando Riley Denbo ordenou que os tiros contra os zumbis cessassem porque eles, os zumbis, estavam apenas procurando um lugar para ficar, assim como os humanos. A esperança surgiu porque Denbo entendeu que a paz ou a boa convivência entre os diferentes (e não há diferença maior do que a polarização “vivo” e “morto”) está embasada no reconhecimento da semelhança. Foi apenas a partir disso que a guerra cessou. Que as almas mais sensíveis me perdoe, mas o filme é imperdível. E o meu sonho fez mais sentido.

Horóscopo às vezes acerta

8 de setembro de 2006 por Mauricio Serafim
Categorias: comportamento, humor

Horóscopo às vezes acerta

(Níquel Náusea. Veja seu site aqui ).

Carreira e casamento

24 de agosto de 2006 por Mauricio Serafim
Categorias: administracao, comportamento, empresa, sociedade

Do site Blue Bus :

Sob o titulo ‘Don’t Marry Career Women’ (Não se casem com mulheres que têm carreiras), a revista Forbes publicou há 2 dias em seu site uma materia que alerta os homens. Diz que estudos de cientistas sociais indicam que os riscos de dificuldades no casamento são mais altos quando elas são career women . As mulheres com carreiras enfrentam maior probabilidade de se divorciarem, são mais inclinadas a trair, menos propensas a ter filhos – e se são mães, têm maior chance de não estarem felizes com a situaçao. A repercussão do texto foi negativa, ‘fora e dentro da empresa’, admite a Forbes. Ontem a revista acrescentou uma réplica – ‘Don’t Marry A Lazy Man’ (Não se casem com homens preguiçosos). Abre com a sugestão de que as mulheres perguntem a seus homens – ‘Quando foi a ultima vez que você aprendeu alguma coisa util em casa ou no trabalho?’”.

Leia os dois textos aqui (em inglês). Escrevi com o Pedro Bendassolli para a GV-executivo um texto relacionado com esse tema . Acredito que o dilema entre a vida profissional e a vida pessoal está mais complexa para as mulheres. E a opção de muitas delas estão deixando os homens, como direi, meio que perdidos.

Cérebro moral

22 de agosto de 2006 por Mauricio Serafim
Categorias: ciencia, comportamento, neurociencia, pesquisa

Cérebro moral

Uma ótima reportagem publicada na revista da Fapesp sobre o atual estágio das pesquisas sobre o cérebro no Brasil. Destaque para as pesquisas que relacionam a capacidade ética e de julgamento moral com as funções cerebrais. Uma conclusão da pesquisa – que provavelmente poderá gerar controvérsias – afirma que decisões egoístas e as balizadas por valores morais correspondem à mesma àrea do cérebro.

Esmola

20 de agosto de 2006 por Mauricio Serafim
Categorias: ética, civismo, comportamento, ensaio, sociedade

Esmola Estava entrando no metrô de São Paulo quando uma senhora, mais ou menos em torno dos 65 anos, pediu uma ajuda. Neguei. Mas antes de passar na catraca, voltei atrás e perguntei para a senhora se a ajuda que ela queria era passar para pegar o trem. Ela respondeu que sim. Perguntei o seu nome e ela me respondeu “Regina”. “E o meu é Mauricio”, disse a ela, que me pareceu não fazer a menor diferença em saber. Quis com isso apenas tentar fazer com que o ato da esmola não fosse impessoal. Mas não consegui. Passei a senhora com o meu passe de metrô, ela não me olhou e se foi. Não fiquei chateado pelo fato de ela não ter me agradecido, mas pelo comentário de um dos funcionários do metrô: “ela é freguesa daqui!”. Me senti frustrado, com aquela sensação de ter sido enganado. Isso me ajudou a pensar algumas coisas.

Independentemente de a senhora ter me engano ou não, me veio o pensamento que a condição socioeconômica de alguém não me autoriza a deduzir qualquer característica moral dela. Entre os pobres existem os oprimidos, mas também opressores em potencial. Existem pobres que usam de sua condição social e enganam pessoas utilizando seus filhos e performances quase que teatrais para ir direto ao nosso sentimento de culpa, mas também existem pessoas que realmente precisam de um ajuda, e que são sinceros ao mostrar suas dificuldades. Numa sociedade desigual como a nossa, uma das coisas que nos iguala é a nossa capacidade de beneficiarmos à custa dos outros, independentemente de nossa classe social. E como resolver isso do ponto de vista pessoal, para não ficarmos apáticos ao sofrimento dos outros? Uma postura que vou adotar será a de conhecer a pessoa que vou ajudar, fazer com que aquela interação não seja impessoal, despersonalizada ou anônima, de maneira que não seja apenas eu a influenciar a vida dela, mas que ela também possa influenciar a minha, tornando-se assim uma relação de paridade e não uma relação hierárquica quando temos alguém que dá uma esmola e uma outra que recebe.

Página 5 de 512345