Agora são três graus de separação

3 de setembro de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: redes sociais, sociedade, tecnologia
por Daniela Braun

A teoria dos seis graus de separação caiu para três devido ao impacto das redes sociais e desenvolvimentos em tecnologia, de acordo com um estudo realizado pela operadora de celular européia O2 .

O especialista em organização social da O2, Jeff Rodrigues, examinou o impacto da tecnologia e o quanto as pessoas estão conectadas. A pesquisa incluiu mais de 50 horas de entrevistas com adultos de três diferentes grupos de idade (de 18 a 25, de 35 a 45 e maiores de 55) e descobriu que a noção convencional dos seis graus de separação está ultrapassada.

A teoria foi elaborada pelo pisicólogo norte-americano Stanley Milgram em uma experiência de 1967. A teoria dos seis graus foi confirmada por um recente estudo da Microsoft por meio de seu instant messenger MSN . No entanto, a pesquisa da O2 revela que dentro da rede de compartilhamento de interesses, em média, as pessoas estão conectadas por apenas três outras pessoas, ou seja, três graus.

Rodrigues descobriu que nós normalmente somos parte de três redes de relacionamento principais: família, amigos e trabalho. Fora desses, fazemos parte, em média, de cinco redes de interesses pessoais compartilhados, como hobbies, esporte, música, vizinhança, religião, orientação sexual, política, etc. É o crescimento dessas redes de interesses compartilhados e a influência da tecnologia nelas que causou a redução do número de graus de separação. […]

De acordo com o estudo, um dos fatores determinantes da redução no número de graus tem sido o crescimento no número e qualidade das conexões que temos agora. Quase todos (97%) dos entrevistados declararam que se sentem mais conectados às pessoas e redes de relacionamentos agora do que há cinco, dez ou 20 anos.

E-mail e celulares foram as tecnologias que tiveram o impacto mais significante em facilitar a redução dos graus de seis para três. Dos participantes do estudo que foram convidados a fazer contato com uma pessoa desconhecida, 98% escolheram a internet ou seus celulares, em todas as faixas de idade. O uso de redes sociais, como Facebook e MySpace foi bastante alto entre os grupos mais jovens, mas caiu drasticamente entre os usuários mais velhos.

“Quarenta e cinco anos depois da experiência original de Stanley Milgram firmar a teoria dos ‘seis graus de separação’, os resultados do estudo da O2 sugere que talvez já estejamos prontos para atualizá-la de seis para três. O que o estudo trouxe à luz é que o modo com que as pessoas interagem agora significa que nunca foi tão fácil fazer conexões e construir redes de contatos”, comentou Jeff Rodrigues.

Fonte; Blog do Digital Age 2.0

Bolsa Família e as mulheres

15 de agosto de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: capital social, politica, redes sociais, sociedade

Soube da pesquisa do Ibase sobre o Bolsa Família pelo artigo de Clóvis Rossi na Folha de S.Paulo (acesso assinantes). Ele escreve que:

O lado bom do programa é conhecido e trombeteado pelo próprio governo e pela mídia. Por isso, pulo diretamente para o que a pesquisa revela sobre "A dura realidade brasileira: famílias vulneráveis a tudo", título do artigo de Luciene Burlandy, professora da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal Fluminense, e Rosana Magalhães, doutora em saúde coletiva e pesquisadora do Fiocruz.

Por que vulneráveis a tudo? Porque comer mal ou pouco não é o único problema dos elegíveis para receber o Bolsa Família. Falta-lhes também acesso a saneamento (esgoto e lixo), gás encanado e água potável. Mais da metade (57,4%) não tem esgoto.

Só 43,7% tiveram trabalho remunerado no mês anterior à pesquisa, sendo que deles meros 16% tinham carteira assinada. Mesmo comer, que é o principal benefício decorrente do Bolsa Família, não chega a eliminar o que os pesquisadores chamam de "insegurança alimentar". A maioria (54,8%) sofre de insegurança moderada (34,1%) ou grave (20,7%), fora 16% de crianças com desnutrição. Tudo somado, fica difícil qualificar só como pobre essa gente toda. São miseráveis. E não são poucos.

Entretanto, notei um aspecto particular muito interessante da pesquisa. É sobre o papel das mulheres no programa Bolsa Família. Seguem alguns recortes:

  • A maioria dos(as) titulares do PBF é de mulheres (94%) – a titularidade do cartão é concedida preferencialmente às mulheres e 27% dos(as) titulares são mães solteiras.
  • O recebimento do benefício não faz com que as pessoas deixem de procurar trabalho. Grupos focais apontaram que há abandono de trabalho quando este é de extrema precariedade, o que incluiu, nos relatos, situações de trabalho análogo à escravidão. O fato de os titulares serem, em sua maioria, mulheres pode explicar o baixo índice dos que tiveram trabalho remunerado no mês anterior à pesquisa (apenas 44%), já que parte das mulheres se dedica exclusivamente à gestão da casa.
  • – 87,5% dos titulares do PBF acham que a titularidade deve ficar no nome da mulher – a maioria das pessoas entrevistadas são mulheres.
    – 64% dizem que é porque elas “conhecem melhor as necessidades da família”, opção seguida por “tendem a gastar com alimentação e com os filhos” (17, 1%).
    – Existe um “consenso” tanto por parte dos benefifi ciados como de gestores em relação à titularidade preferencial às mulheres.
  • As mulheres afirmam que após o recebimento do benefício do PBF:
    – sentem-se mais independentes financeiramente (48,8%);
    – aumentou seu poder de decisão em relação ao dinheiro da família (39,2%);
    – passaram a comprar fiado ou a crédito (34%).

Um relato particularmente interesssante:

  • “Uns três meses eu me virei só com os R$ 45 do Bolsa Família, porque eu e o meu marido, a gente bririgava muito e ele me espancava demais. Então eu decidi me separar, saí de casa com meus três filhos e pra botar comida em casa eu só tinha os R$ 45, e foi isso que me deu mais força. O dinheiro do aluguel eu tenho, então o Bolsa Família vem e eu tenho como botar comida dentro de casa. Já vai fazer três anos que eu estou separada e está dando.” (Depoimento de benefi ciária do PBF em grupo focal em favela do Rio de Janeiro – RJ)

  • Conclusão da seção “relações sociais de gênero”: O PBF traz visíveis resultados na vida das mulheres, como o aumento de sua independência financeira, maior influência no planejamento dos gastos, e no próprio respeito que passam a infundir no âmbito familiar e na comunidade. Porém, ainda é muito baixo o investimento em políticas complementares capazes de garantir melhores condições para a inserção das mulheres no mercado de trabalho.

Os benefícios que o programa traz às mulheres é semelhante aos verificados em programas de microcrédito , principlamente os relatados por Muhammadd Yunus . Isso coincide com o que defendo: melhorar a qualidade de vida das mulheres faz com que se melhore a qualidade de vida da sociedade. Isso acontece porque as mulheres geralmente são o ponto de aglomeração de redes sociais. E tudo que se espraia – como os benefícios – se espraia por forma de redes.

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