Legião Urbana em Milão

31 de julho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: musica, recortes

Legião Urbana em Milão

Essa foto que fiz hoje é do nome de uma avenida em Milão. Andrea Doria é uma de minhas músicas preferidas do Legião Urbana.

Razão e insensibilidade

21 de julho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: politica, recortes

[...] Respeito quem ainda defende o governo. Vejo, nisto, a defesa de uma esperança que conheço. E, na oposição, não há quem inspire. É a mesma matilha de sempre.

Respeito quem hesita em imputar culpa ao governo pela tragédia em Congonhas.

Quando contaram ao velho Antonio Carlos Magalhães das vaias que Lula levou na abertura do Pan, o velho senador moribundo disse: ‘político não pode ir a estádio de futebol’. Se expõe, o povo se manifesta caoticamente. Há quem faça pouco de habilidade política, mas política é importante. É uma lógica, uma linguagem, que serve a propósitos. Serve para manifestar respeito, interesse, para se fortalecer na hora de obter resultados. Sem habilidade política não se concretiza o objetivo que é a construção do bem comum.

Não houve desrespeito dos jornalistas da TV Globo na captura das imagens de Marco Aurélio Garcia. Prédio público com funcionário público dentro e janela aberta é espaço público. Marco Aurélio Garcia fez um gesto que talvez outros pudessem fazer. Mas quem ocupa cargo alto não tem o direito. Ainda mais em público – porque foi em público. Não tem o direito de ser ingênuo.

Não tem o direito de manifestar aquela emoção perante quem perdeu gente próxima numa tragédia.

A insensibilidade política deste governo é atroz. Não entendem os códigos. Não entendem o estado da nação, não sabem perceber-lhe o pulso.

Dar medalha de honra ao mérito para toda a diretoria da ANAC?

É de uma estupidez, de um desrespeito, de uma inabilidade.

Pedro Doria, em seu Weblog.

Luto

18 de julho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: recortes

Este blog está de luto em solidariedade aos familiares das vítimas da tragédia da TAM. E principalmente me solidarizo com muito amor com uma grande amiga minha. Seu noivo estava no avião.

Pensamento josenilsoniano – autoconhecimento

14 de julho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: jose nilson, recortes

“Ao passo que vou me conhecendo, percebo que sou capaz de fazer menos coisas. Saber disso me fez menos arrogante, me trouxe menos frustações e, sem querer, consigo fazer mais.”

Post nostálgico (1) – Fitas k7

23 de junho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: recortes

Post nostálgico (1)   Fitas k7Um site (clique aqui) que disponibiliza imagens das antigas fitas K7, algumas muito populares por aqui. Essa ao lado, por exemplo, foi a primeira fita que ganhei, quando tinha cinco anos (acho) e estavam gravadas narrações das histórias do Chapeuzinho Vermelho, Os Três Porquinhos e Pinóquio. É claro que dá muita saudade.

Via Ladybug.

O amor na dinâmica da natureza

11 de junho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: recortes

[...] “De que tudo é feito? Qual é a composição material das coisas?” Tales e seus discípulos da chamada escola milesiana (mais um grupo de filósofos do que uma escola filosófica propriamente dita) deram respostas que demonstravam sua crença de que a natureza é uma entidade viva, dinâmica, sempre em transformação. Tales afirmou que tudo é água, enquanto Anaxímenes disse que tudo é ar. Outro dos milesianos, o enigmático Heráclito, favorecia o fogo, devido à sua capacidade de transformar a matéria.

 

Cada um tinha a sua resposta para a essência material do cosmo. A coisa complicou quando Parmênides, o fundador de outra linha filosófica muito influente, dizia o oposto: se você quer entender a essência das coisas, não olhe para o que muda, mas para o que é imutável, eterno. Segundo ele, o que muda pode nos enganar. E agora? A essência da realidade é transformação ou o que é imutável?

 

É aqui que entra Empédocles. Seu objetivo era tentar resolver esse aparente impasse filosófico entre o que chamamos de filosofia do ser e do devir. Empédocles sugeriu – e parece que foi o primeiro a dizer isso – que a matéria tem quatro “raízes” (a palavra “elementos” surgiu mais tarde, mas vamos usá-la daqui por diante): terra, água, ar e fogo, portanto juntando três dos elementos sugeridos individualmente pelos milesianos. Ele postulou que esses quatro elementos são irredutíveis ou “fundamentais”, ou seja, que eles não são compostos por outros elementos. Eles seriam a essência da matéria, eterna e imutável.

 

Para conciliar as duas linhas de pensamento, Empédocles sugeriu que os quatro elementos poderiam se combinar ou separar-se de acordo com a ação de duas tendências: o amor, que une, e a discórdia, que separa. Com isso, foi o primeiro a sugerir uma interação entre formas de matéria que pode ser tanto atrativa quanto repulsiva.

 

Através da ação dessas duas interações, os quatro elementos criam as transformações que produzem o caráter dinâmico da natureza, ora criando formas e padrões simples ou complexos por meio do amor, ora destruindo-os por meio da discórdia. Não é nada surpreendente que Empédocles tenha usado o amor para representar a união da matéria. Afinal, é o que vemos acontecer à nossa volta e nas nossas vidas. O que é surpreendente é que tenhamos esquecido essa construção poética da realidade, quando nos referimos apenas a forças de atração e de repulsão entre as partículas de matéria.

 

Mesmo que não possa ser chamado de ciência, o pensamento de Empédocles capturou a essência do que anima a natureza: a atração e a repulsão da matéria, desde suas formas mais simples e primitivas até as mais complexas, dos elétrons aos homens.

Por Marcelo Gleiser. Via Folha de S.Paulo (10.06.2007, seção “Ciência” – acesso p/ assinantes)

Coragem de viver

1 de junho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: recortes, vida

Talvez, o aplauso suscitado pelo breve filme sobre Raul Cortez tivesse também outra significação, igualmente presente no aplauso da entrada em cena de Bibi Ferreira ou de Paulo Autran – os quais, claro, estão bem vivos entre nós (e se espera que assim continuem por muito tempo), mas numa idade que encoraja a avaliação do caminho que eles percorreram. Talvez trate-se, nesses casos, do aplauso por uma vida bem vivida.

Por que, às vezes, estou a fim de aplaudir uma vida? Esse tipo de aplauso não expressa apenas a gratidão e o elogio reservados a quem se dedicou generosamente aos outros nem o encômio destinado a quem deixou no mundo uma obra ou uma marca duradouras. Tampouco estou a fim de aplaudir porque uma vida me parece ter alcançado uma forma qualquer de bom êxito material ou espiritual.

Tudo isso, claro, pode alimentar minha admiração, mas o aplauso, justamente por seu caráter teatral, é desencadeado por algo mais, algo que aparecia no pequeno filme sobre Raul Cortez e que poderia ser resumido assim: aquela vida vale a pena ser contada.

Não é fácil definir o que faz que uma vida tenha essa qualidade estética ou poética que lhe dá, por assim dizer, a grandeza e a dignidade de um romance. Não é a felicidade nem o sucesso, nem o caráter extraordinário dos eventos; uma vida pode ser uma série de fracassos, mancadas e tristezas, pode também ser trivial e, no entanto, valer a pena ser contada.

Talvez a qualidade poética de uma vida que desperta o aplauso esteja na sensação de que seu protagonista foi animado por uma obstinada fidelidade ao desejo: seja qual for a distribuição das cartas pelo acaso ou pelo destino, ele jogou bem porque jogou sem medo de jogar. Na hora de nos despedir de alguém que nos é querido, choramos nossa perda, e é normal que seja assim. Mas deveríamos festejar, quando der, a “beleza” de sua vida. E chorar, quando for o caso, as vidas que se perdem não pela morte, mas pela morte-em-vida – as vidas, em suma, dos que não conseguiram ser atores de suas próprias vidas.

Fonte: Contardo Calligaris. Via Folha de S.Paulo, (31.05.2007, seção Ilustrada – para assinantes)

Miscigenação

31 de maio de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: recortes, sociedade

Mestiço, de Portinari (1934)Se falarmos em raça, sou um vira-latas, a mais universal de todas. Se falarmos em etnia, não faço a mínima idéia. Há uma lenda familiar já antiga que conta que a nossa prole se iniciou de um soldado espanhol fugido de uma guerra. Não se sabe qual guerra e nem quem foi esse tal soldado. Minha família tem outros sobrenomes que têm jeito de português. A família por parte de minha mãe suspeita que tem algo de italiano porque as pessoas da comunidade chamavam minha bisavó de italiana, mas é mera especulação. Meu avô por parte de pai dizia que tinha francês no meio desse mix [!] étnico. Mas a única certeza que tenho de minha ascendência vem da minha avó paterna, que era índia. Ela faleceu antes de eu nascer e soube que ela gostava muito de fumar cachimbo.

No Brasil é assim mesmo. Tenho pele e olhos claros, porém a minha única certeza é que sou descendente de índio. Se eu fosse julgado “no olho”, diriam que os traços europeus são prevalecentes em mim. Vim assim, na roleta jogada pelos genes. Mas diferentemente do que disseram algumas pessoas, o que eu tenho orgulho é dessa miscigenação que nos pegou a todos, e não porque me aproximo de uma maior pureza desta ou daquela raça (ou etnia). Enfim, tenho orgulho de ser brasileiro. (A pintura ao lado se intitula Mestiço, de Cândido Portinari, 1934).

Leia também: Transformações no Brasil nos últimos 60 anos.

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