Categorias: recortes
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Enviado por Jana.
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Enviado por Jana.
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Trechos da fala de Roberto Schwarz na FLIP 2008 sobre a obra de Machado de Assis. Foi um dos vídeos em destaque de hoje no Youtube.
A situação do Brasil hoje lembra a de 1973. Naquela época, enquanto a economia mundial entrava em crise, causada pelo primeiro choque do petróleo, o Brasil continuava com seus grandes planos de desenvolvimento econômico e se declarava “uma ilha de prosperidade”. Agora não temos planos, mas a idéia da ilha de prosperidade está em toda a parte, alimentada pelo provável crescimento de 5% neste ano, que, segundo previsões otimistas, deverá se repetir no próximo.
[...] Os Estados Unidos podem estar entrando em recessão. E um novo medo está tomando os mercados: o de que o dólar continue a cair e saia de controle”. Os bancos centrais estão fazendo o que podem para controlar a crise, baixando juros e injetando liquidez no sistema, mas é preciso não superestimar seu poder.
Enquanto isso, na nossa ilha de prosperidade, nós, brasileiros, celebramos nossas modestas (quando comparadas com a dos demais países emergentes) taxas de crescimento, esquecemos que nossa taxa de câmbio é insustentável a médio prazo e não damos atenção ao fato de que no último trimestre as importações subiram 20,4% sobre o mesmo período do ano passado, contra crescimento das exportações de apenas 1,8%. No momento em que pesam nuvens sombrias sobre a economia mundial, nossa irresponsabilidade é exemplar.
Trecho do artigo de Luiz Carlos Bresser-Pereira, na Folha de S.Paulo (acesse aqui).

A Juliana me enviou esta foto de minha palestra sobre a Economia de Comunhão na Udesc de Balneário Camboriú, no dia 26 de outubro. A palestra foi uma das atividades da Semana de Administração Pública, organizada pelos próprios alunos. O prof. Heidemann (à esquerda), a quem tenho o maior apreço, me indicou para ser um dos palestrantes. Fui muito bem recebido e tive uma impressão ótima dos alunos: perguntas inteligentes e muito engajados no curso. Ainda reencontrei uma antiga colega de mestrado, a Patrícia, e conheci mais duas professoras muito simpáticas. Tenho certeza que o curso está em ótimas mãos e mentes.
Este site (clique aqui) é daquele tipo inútil, mas simpático. Para montar o coral é preciso clicar sobre os cavalos cantantes.
Bom, não consegui agüentar. Ainda estou na fase de escrita da tese, que não está fácil, mas postar algumas coisas que acho bacana me faz bem. Uma pessoa recentemente me disse que teve a impressão que uso o blog como um amigo, que não faz exigências. Talvez seja isso mesmo. Mas sinto vontade de compartilhar coisas interessantes que acho por aí, mesmo sabendo que é a mesma coisa que colocar uma mensagem dentro de uma garrafa e jogá-la ao mar. Nunca sei se é um pedido de socorro ou a esperança de fazer alguma diferença na vida de uma pessoa que nunca conhecerei.
Por Paulo Ghiraldelli Jr.
Após certo silêncio, que eu acreditava prudente, Marilena Chauí voltou a falar. Não fez o gesto de Marco Aurélio Garcia, mas tentou usar de um discurso aparentemente sofisticado para, em resumo, dizer a mesma coisa que o professor da UNICAMP disse de modo bem mais sincero. Fica difícil acreditar que foi a professora de filosofia da USP quem disse o que disse. Todavia, é o que está no Blog do Paulo Henrique Amorim, chamado “Conversa Afiada”. Ele disse que fez as perguntas para usar em um curso de “Telejornalismo”. Vejam um trecho significativo:
Paulo Henrique Amorim pergunta: “‘Em leituras da Crise’, a sra. discute a tentativa do impeachment do Presidente na chamada ‘crise do mensalão’. A sra. vê sinais de uma nova tentativa de impeachment ?
Resposta da professora: “Sim. Como eu disse acima, a mídia e setores da oposição política ainda estão inconformados com a reeleição de Lula e farão durante o segundo mandato o que fizeram durante o primeiro, isto é, a tentativa contínua de um golpe de Estado.”
Leitor, antes de seguir o que escrevo, volte ao trecho acima, leia mais uma vez. Pare e pense: como que uma professora da nossa querida USP pode confundir impeachment e golpe de Estado? E qual a razão dela querer repreender a oposição por ter quase tentado o impeachment no primeiro mandato do Lula, quando do episódio do “mensalão”? Por acaso a oposição e a imprensa deveriam ficar caladas e aceitar o que ocorreu? Ora, todos nós sabemos que a oposição até fez pouco! E quem está vendo militares rebelados, desafiando Lula e querendo que ele caia? E qual a razão pela qual alguns órgãos da mídia, que sabem que parte da responsabilidade pelo acidente do avião da TAM é do governo, ao usar isso para fazer oposição ao governo, estaria comprometida com golpe de Estado e não com legítimo desempenho de ser oposição?
Caso Marilena Chauí não fosse professora de filosofia, eu não escreveria o que escrevo aqui. Eu deixaria passar. Mas é necessário que alguém que ama a filosofia, tanto quanto ela, coloque a filosofia ao lado da democracia. Não posso ficar quieto. Tenho de dizer três coisas simples, mas que todos sabem que é verdade.
Primeiro: na democracia que vivemos as pessoas que ficaram indignadas e feridas com o acidente da TAM possuem o direito de reclamar, como estão fazendo, do governo, e a imprensa faz o serviço correto ao dar voz para tais pessoas, pois elas não teriam outro canal para reclamar senão o da imprensa. Diante do ocorrido, as pessoas afetadas direta ou indiretamente estão até que muito conformadas.
Segundo: estamos em uma democracia, e as pessoas que reclamaram e colocaram TODA a culpa no governo, podem estar erradas, mas elas não estão chamando militares para dar golpe de Estado em ninguém, e se algumas delas gritam “fora Lula”, talvez tenham aprendido isso com a atitude do PT, que por qualquer coisa escrevia em muros, sujando São Paulo, “fora Sarney”, “Fora FHC” etc. O PT ensinou as pessoas a serem mais agressivas e, talvez, até anti-democráticas, ensinou a vaiar Presidente fora de hora (como no PAN), e algumas dessas pessoas aprenderam isso.
Terceiro: é preferível, em uma democracia, ter uma mídia exacerbadamente aguerrida contra o governo que ter uma mídia subserviente, que escuta somente o Poder, pois, afinal, abaixar a cabeça para o governo é mais fácil, e lhe daria vantagens, uma vez que as estatais gastam bastante com os meios de comunicação. Então, qualquer pessoa, principalmente o filósofo, quando vê uma imprensa aguerrida contra um governo, deve agradecer o destino, pois o mais comum é ver a imprensa ceder às benesses do Poder, que não poupa tentativas de cooptação.
O que quer Marilena Chauí? Ela quer que suas respostas cheguem no curso do Paulo Henrique Amorim, na “Casa do Saber”, para convencer os ricos que votaram no Alckmin que eles são todos golpistas? Ou ela quer fazer como Jânio Quadros e Brizola, que na base do puro populismo atacavam as redes de TV e os grandes jornais, se colocando como vingadores do povo, e acusavam os meios de comunicação de serem só defensores dos magnatas?
Será que Marilena Chauí, no frigir dos ovos, acredita mesmo que as liberdades que temos deveriam ser denominadas de “liberdades burguesas” e, por causa desse qualificativo, deveriam ser substituídas por “liberdades populares”? Será que ela, a quatro paredes, acredita que Chomsky e outros que são amigos de Chávez, poderiam garantir a ela mesma, Chauí, liberdade para escrever seus longos livros, com salário pago por nós, em um regime que levasse o nome de “República Popular”? Se ela acredita nisso, tenho o dever de lhe dizer o seguinte: você está enganada professora.
O compromisso de Marilena Chauí com a chamada verdade é o seu compromisso com a chamada verdade do PT. Ela perdeu a autonomia como filósofa, pois acredita em uma mágica, a saber, que a filosofia poderia continuar existindo em uma situação em que a imprensa viesse a ver o que viu, em Congonhas, e ficar quieta. Não, a filosofia perderia muito sem democracia. Nenhum de nós, filósofos de esquerda, pode querer levantar um dedo contra a imprensa por ela fazer gritaria contra o governo no episódio da queda do avião da TAM, pois os problemas do nosso caos aéreo são problemas do governo e, enfim, a queda do avião está entre esses problemas. Quem acredita no que Marilena Chauí acredita vai terminar por endossar a idéia que o melhor lugar do mundo para se viver é aquele onde você ganha uma medalha em jogos internacionais e não pode recebê-la, tem de voltar para casa como cachorro com o rabinho entre as pernas. Não, filósofos de esquerda que são filósofos democratas, não podem mais defender isso.
Há a possibilidade de amar a filosofia, ser de esquerda e, ao mesmo tempo, ser suficientemente democrata para ver com bons olhos a liberdade de imprensa – a completa liberdade de imprensa, sem quaisquer restrições. Vociferar contra a imprensa, evocando supostos conceitos filosóficos, me parece claramente uma tentativa de torcer as coisas, de preparar terreno para que concordemos com o fim de nossa capacidade de crítica. E isso não é o trabalho do autêntico filósofo.