Categorias: recortes, sociedade
Por Dayse Maciel Nuernberg
Ah, se todos parassem apenas um minuto! Um momento conduzido por pura sensibilidade, poderiam até mesmo sentir o que a outra pessoa está sentindo. Sair de seu mundo e mergulhar no do outro, e assim passar a entender melhor seu próximo. Ao invés de fugir, invadir. Amar então poderia se tornar mais fácil, a partir do momento que decidirmos atravessar os obstáculos que nós mesmo criamos. Nosso egoísmo, medos, até mesmo nossa vergonha de não assumirmos nossos erros por muitas vezes, entre tantas outras barreiras.
Incrível como isso pode acontecer mesmo a quilômetros de distância, desmoronando as paredes do quarto. É como se a outra pessoa estivesse ao meu lado. As vezes, podendo até mesmo ouvir sua voz a me chamar. Como isso acontece? Não sei. Prefiro acreditar que seja algo divino. Alguns riscos se corre. É inevitável, porque existem pessoas que preferem ficar o tempo todo se defendendo, se escondendo, e as vezes até de si mesmas, não dando abertura para talvez uma formação de um laço, seja ele de amizade ou outro mais intenso. É o que acontece geralmente, que torna mais difícil todos nos tornarmos apenas um, pois muitas vezes nos fechamos totalmente em nossos mundos, quem sabe seja, por medo de descobrir o que esteja por vir. Para então nos tornarmos um, talvez também signifique refletir sobre cada ato, antes de fazê-lo, pois este mesmo remeterá ao próximo, seja ele de forma positiva ou negativa. E se somos todos um (ou deveríamos ser), a ferida que eu causar em alguém, sentirei também da mesma forma as dores, ou pior ainda, por carregar também o sentimento de culpa. Mas por que será que muitas vezes ficamos tanto tempo pensando em tomar uma atitude por simplesmente amor, ou se fazer parte disso em uma relação, e muitas vezes nem paramos um minuto sequer para pensar, e acabamos tomando atitudes tão egoístas. Levamos mais tempo para amar, do que para fincar uma estaca em alguém.
Existem muitas coisas que vejo hoje, que parecem ser normais aos olhos de muitos. Um exemplo clássico: a infidelidade. De todas as formas possíveis, em toda e qualquer relação. Ninguém gosta de sofrer, não desejam isso para si, e mesmo assim ficam causando sofrimento nos outros. Não dá para entender. Querem alguém fiel, mas não são. Como exigir algo de alguém se nem mesmo pode oferecer? Soltar frases muito bem elaboradas, belas, mas sem sustentação nenhuma, pois não agem da mesma forma que dizem.
Tudo parece se limitar a um jogo de interesses, onde a fragilidade humana já não tem mais espaço, nos forçando a nos transformarmos em algo mais rígido e frio. Vivem à calcular algo que era para ser espontâneo, brotado de uma forma natural. Mas ao invés disso, querem saber primeiro se o saldo dará positivo, para então investir. Apesar deste cenário mais do que real, parece que não é com isso que muitas pessoas sonham. No entanto, poucas se movem para buscar mudanças para este e vários outros fatos, que na verdade não passam de anormalidades. Fatos que apenas se encontram em obscuridade profunda, ofuscando a visão de todos, provando promiscuidade entre lucidez e delírio. Atos de desvanecer o cuidado com o próximo, limitando suas visões a seus espelhos. Eis minhas frustrações! Mas apesar de levar tantas pancadas na vida, ainda hoje, posso dizer graças à Deus, que consigo amar como se fosse a primeira vez e oferecer não meus destroços, mas inteiramente meu ser, que a essas alturas já não sei mais dizer quem eu sou e muito menos para onde vou.
Dayse Maciel Nuernberg é a mais nova colaboradora desse blog.


