Civilização no Brasil em queda

24 de maio de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: economia, politica, sociedade

No fundo, reside um projeto político antidemocrático que ensina alunos, funcionários e professores a desobedecer toda ordem constituída, a não cumprir contratos, a não ter responsabilidade pelo trabalho que deveriam estar desenvolvendo. Tudo isso sem risco, pois, não tendo sido o direito de greve até agora regulamentado, os salários continuarão sendo pagos. Por sua vez, as aulas perdidas serão repostas, como se um ano letivo truncado pudesse ser refeito em poucos dias e muito pouco trabalho. Mantém-se apenas a tradição de fazer de conta que se trabalha, e se reforça o hábito da impunidade. De fato, tudo me leva a crer que a autonomia universitária está sendo ameaçada, mas, antes de tudo, por esses focos de irracionalidade interna que impedem que a universidade se pense a si mesma e esboce o projeto urgente de sua reforma.

José Arthur Giannotti, professor emérito da USP, sobre a greve na instituição. Via Folha de S. Paulo (24.05.2007, seção Opinião – para assinantes).

Apesar da lambança, algumas autoridades, meia dúzia de baba-ovos sempre prontos a aplaudir o que faz o governo e uma dúzia de apostadores, festejam a perspectiva de que o Brasil seja finalmente elevado ao chamado grau de investimento. Significará, para os cultores de fetiches, que é mais seguro que nunca investir no cassi… ôps, no Brasil. Ótimo que seja assim, mas você aí que tem pouco ou nenhum dinheiro para investir no que quer que seja, me responda rapidinho:

1 – É seguro viver no Brasil sem guarda-costas, carro blindado, armas pesadas na mão?

2 – É seguro educar o filho no Brasil, exceto em meia dúzia de escolas privadas de excelência?
3 – É seguro levar o pai, a mãe, o filho ou você próprio a um hospital público?
4 – É seguro viajar ou levar carga por qualquer estrada?
5 – Qual a segurança que você tem de que, em recorrendo à Justiça, seu caso seja resolvido antes de sua morte, mesmo que o processo comece com você ainda jovem?

[...] São pontos que só podem ser enfrentados fazendo política, goste-se ou não. Como a política virou caso de polícia, pode-se até ganhar grau de investimento, mas a civilização continuará passando ao largo do Brasil.

Clóvis Rossi. Via Folha de S. Paulo (24.05.2007, seção Opinião – para assinantes).

 

Cartas à milanesa (III)

11 de maio de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, administracao, comportamento, cultura, politica, sociedade

Estou percebendo algumas diferenças do ambiente acadêmico da Itália em relação ao Brasil.

Cartas à milanesa (III) Fico surpreendido com o meu orientador italiano – prof. Alberto Martinelli, da Univeridade de Milão, um acadêmico com um currículo respeitável – que debate com seriedade temas como responsabilidade social empresarial, empreendedorismo e administração, que passam muitíssimo ao largo dos departamentos brasileiros de sociologia e ciência política. Prof. Martinelli – que trabalhou com Neil Smelser e Philip Selznick na Universidade de Berkley – se dedicou a esses temas abordando-os sociologicamente. Conhecendo seus livros e os de seus colegas que estão sendo publicados, percebo que há um grau de ideologização menor que no Brasil. Eles estão mais preocupados em analisar e compreender um fenômeno social – geralmente um problema atual, como a imigração, a pobreza, a União Européia e a globalização – oferecendo recursos teóricos para ações futuras de atuação na sociedade do que estabelecer terrenos ideológicos e ter comportamentos preconceituosos a alguns assuntos e temas, como acontece no Brasil. Para se ter uma idéia, um colega do doutorado da FGV me recomendou que eu não mencionasse a palavra “empreendedorismo” quando fosse falar com um antropólogo ou sociólogo brasileiro porque temas do universo da gestão não são bem aceitas, a não ser que seja do ponto de vista “crítico”.

Um outro fato que me surpreendeu foi um cartaz na Universidade Estatal de Milão que convidava para uma reunião os estudantes de “direita”. Fiquei parado, olhando o cartaz, quase não acreditando, porque é impossível imaginar que isso possa acontecer em uma universidade estatal brasileira. E fiquei me perguntando se a falta dessa diversidade de pensamento e do diálogo com quem pensa diferente não está fazendo muito mal ao meio acadêmico brasileiro. Será que não devemos reaprender, como na pintura deste post, com Platão e Aristóteles? Certo que eles não estavam discutindo sobre direita e esquerda, mas – como suas mãos sugerem – sobre o em cima (mundo das idéias) e o embaixo (mundo vivido). Bem, isso é uma outra história, mas fica a lição.

Lula em 3 tempos

21 de abril de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: humor, politica

No Planalto, anteontem, Lula pediu um diálogo constante com a oposição e o apoio do PSDB para aprovar projetos de interesse do governo no Congresso. Ontem, porém, num evento em Anápolis (GO), atacou as políticas externa e econômica dos tucanos, além de ter acusado seus antecessores de “irresponsabilidade” na economia e de terem criado os jovens criminosos de hoje no país. “Essa meninada que a gente está vendo agora praticando violência nas ruas deste país, com 18 ou 19 anos, é o resultado da irresponsabilidade do tratamento da questão da economia deste país ao longo de décadas. Eles são filhos das desventuras econômicas feitas neste país.”

Comentário: Exemplo acabado de “como tirar o meu da reta”.

 

“O país precisava de um pouco de seriedade, precisava de alguém que não pensasse em governar este país apenas para um mandato de quatro anos, que essa é a grande problemática do nosso país. As pessoas pensam em governar apenas no período de seu mandato.”

Comentário: Opa, a última vez que eu vi “alguém governar fora de seu período de mandato” não foi alguém, foi uma junta militar num regime autoritário. Será que Lula está nos dando pistas do porvir?

 

O presidente disse ainda que não vai permitir “que a política determine a lógica da economia”, o que, de acordo com Lula, só teria acontecido no século passado.

Comentário: Declarado aberto o processo de beatificação de Milton Friedman, ou melhor, de des-demonização.

 

Fonte do texto em itálico: Folha de S.Paulo, 21.04.2007, seção “Dinheiro”. Assinantes podem ler aqui .

Pensamento único

21 de abril de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: politica

Era uma vez que o slogan “pensamento único” era usado para o combate ao neoliberalismo, lembram? Agora, Gabeira nos mostra que a “luta continua”. Quem se atreve?

“Mesmo as grandes empresas já optaram pela democracia e insistem para que surjam na mesa todas as opiniões contraditórias. O que era irreverente e democrático na oposição passou a ser uma espécie de vassalagem política em troca de horizonte na carreira. A tática do poder é atrair todos que queiram participar dele – a maior frente possível. A única atitude rejeitada é discordar . A derrota que o governo sofreu ao tentar evitar a CPI não significa muito. Afinal é apenas uma CPI que desvendará, se bem-sucedida, o caos aéreo e o velho processo de corrupção.

O mais importante é ver nesse episódio a própria limitação do projeto de poder. Sem o oxigênio de idéias contraditórias, está condenado a decair com o tempo, não através de um só caso, mas da sucessão inevitável de equívocos.

Esse raciocínio não autoriza a conclusão de que o atual presidente errará eternamente. Ele é tão ou mais sábio que qualquer outro. Significa apenas que uma só pessoa, reinando sobre um grupo amedrontado, não tem condições de garantir um progresso constante rumo a um objetivo estratégico.

Talvez seja este um dos mais sérios apagões de todos os que nos confrontam: quase toda uma geração de políticos reduzida à obediência e aos pequenos serviços oficiais, calculando sua promoção, certa de que não se salva fora do poder.

No princípio, a classe operária, depois, o partido, o comitê central, finalmente, uma só pessoa. Felizmente, a versão brasileira dessa tragédia é a mais branda da história.”

Fernando Gabeira, na Folha de S.Paulo de 21.04.2007, seção “Opinião”.

Cartas à milanesa (II)

11 de março de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: civismo, comportamento, cultura, ensaio, sociedade

Comecei a notar algumas diferenças entre o estilo de vida dos italianos e a nossa. Algo que fica muito evidente é como eles conseguem viver o espaço público. No Brasil temos receio de freqüentá-lo e cada vez mais raramente podemos usufrui-lo, por estar deixando de ser público e se tornando privado, virando moradia de mendigos, ponto de prostituição ou de venda de ambulantes, entre outros. Há muito a praça deixou de ser lugar de encontro e fonte do sentimento de pertença à cidade. Em Milão, as praças são lugares onde as pessoas podem caminhar e “dar um tempo”, ou ainda se encontrar com pessoas para conversar, comer e beber algo. E eles sabem muito bem comer e beber. A qualidade da comida que se consome cotidianamente é superior ao Brasil. Para ter essa qualidade, precisamos gastar muito mais.

O transporte público parece funcionar bem. Em Milão há ônibus, bonde, trem e metrô. Todos os transportes públicos são usados sem percebermos uma distinção de classe, como vemos no Brasil. Nos três anos que fiquei em São Paulo não me lembro de ter visto alguém da classe média levando seu filho em carrinho de bebê no metrô. Isso é muito comum aqui. Há uma razão para o uso intensivo de transportes públicos: em Milão, é muito difícil de se andar de carro porque não há muitos estacionamentos e vagas, uma fonte de desestímulo – não sei se intencional ou não. Como a cidade é plana, também podemos ver pessoas de trajes elegantes indo de bicicleta para o trabalho ou escola, algo muito inusitado para os paulistanos.

Em todas as viagens de metrô que fiz aqui sempre surgiu alguém no vagão pedindo dinheiro ou tocando alguma música no violino ou acordeom para ganhar alguns trocados. Em sua maioria são pessoas vindas de países do Leste Europeu e que fazem parte do contingente da camada mais pobre da cidade, juntamente com os marroquinos. Aqui é muito comum se afirmar que os pobres não são os italianos natos, mas esses imigrantes. [Continua]

Por um amadurecimento político no Brasil

9 de março de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: politica, sociedade

O filósofo Paulo Ghiraldelli Jr. publicou o texto que segue na lista de filosofia que ele coordena. Com a sua permissão o reproduzo neste blog porque acredito que o pensamento e a atitude políticos precisam ser urgentemente amadurecidos no Brasil. Espero que o texto contribua para isso.

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Nádia*

Lembram-se de Nádia, a menina romena ganhadora de todas as medalhas olímpicas em ginástica? O mundo se encantou com ela. Mas ela não pode se encantar com o mundo. Olhem para as mãos dela hoje. Totalmente deformadas. Sua mão é, hoje (ou até pouco tempo), uma coisa monstruosa. Suas unhas foram arrancadas pela ditadura socialista, em uma tortura bárbara. Nadja é hoje uma mulher que jamais esquece que foi heroína e recebeu por isso a “punição exemplar” dos ditadores de seu país.

Hoje, Chávez representa isso no mundo: puxa saco de Fidel que era puxa saco da URSS que, por sua vez, mantinha os ditadores na Romênia. Os que fizeram o que fizeram com a menina heroína da Romênia fizeram aquilo por qual razão? Qual foi o seu “crime”? Ela, em um campeonato, começou a namorar um “ocidental”. Esse foi seu crime: namorar com alguém que não era um “camarada”. Os ditadores que fizeram o que fizeram com ela foram mortos pela população romena, nas ruas. O povo romeno rechaçou o socialismo em uma revolução fantástica.

Hoje, o governo dos Estados Unidos mantém Guantanamo. Uma prisão ilegal, onde os presos estão incomunicáveis. Muitos talibãs estão lá. Mas pode haver gente inocente lá. Poderíamos destruir Guantánamo com ações incisivas contra o governo Bush. Ações como as que Gore vem fazendo em relação ao problema climático. Todavia, Guantanamo vai ser mantida. Qual a razão disso? Os socialistas não tocam nesse assunto. Quanto tentei chamar pessoas para protestar, no Brasil, contra a prisão de Guantánamo, eles não quiseram. “Não! não!” disseram, “temos que protestar contra a visita de Bush no Brasil”. Eu disse: “tudo bem, mas vamos fazer ações concretas, reais, verdadeiras, contra o que de fato é ilegal”. Bush não é ilegal. Ele pode ser imoral, mas ilegal é outra questão. Ele se elegeu roubando? Ora, esse é um problema interno americano. Temos de protestar contra o fato dele manter coisas ilegais no mundo. Bush não é ilegal por querer comercializar com o Brasil de modo vantajoso para os Estados Unidos!

Os dessa falsa esquerda que esteve hoje na Av. Paulista disseram: “não” – não vamos falar de coisas específicas, vamos queimar a bandeira americana. Insisti e recebi outro não, e então um jornalista virou e disse: “Paulo, lembre-se que em casa de enforcado não se fala de corda”. Ou seja: Fidel mantém prisões ilegais, como a URSS fazia. Agora, Chávez começou a fazer o mesmo na Venezuela, caçando humoristas. Há já uma milícia chavista nas ruas, como no nazismo, que bate em pessoas que são contra o governo.

É uma pena que esses seja os “opositores” de Bush. Quando queimam a bandeira americana, essa esquerda não quer queimar a bandeira do capitalismo, ela quer queimar a bandeira da democracia americana, que é uma democracia que funciona. Por isso, não há nenhuma simpatia minha pelos idiotas que estiveram hoje na Av. Paulista. Fiquei com vergonha da cidade hoje, vergonha de ser mostrado no mundo como paulistano, de ver aquele tontos ali, protestando contra o nada, contra o que não possuem a mínima idéia do que é, pois não sabem o que é os Estados Unidos. É uma juventude tola, induzida por “adultos” cujos interesses são sombrios.

Esses jovens não protestaram contra o mensalão. Esses jovens são os herdeiros dos que arrancaram as unhas de Nádia.

* Hoje falei de Nadja, pois é dia da mulher, não é? Há mulheres e mulheres.

Paulo Ghiraldelli Jr.

Ou a ética ou a política

4 de novembro de 2006 por Mauricio Serafim
Categorias: ética, politica

Sou um daqueles que não ficou contente com a reeleição do Lula. Desde quando comecei a votar acreditei no PT e no seu cadidato à presidência. Achava que o partido tinha um real projeto para o Brasil e que era o único que levava a sério a ilegitimidade da dicotomia entre a ética e a política.

Ou a ética ou a política O que é essa dicotomia? Certos costumes em nossa sociedade não podem ser justificados do ponto de vista ético, embora o façam do ponto de vista econômico ou de manutenção de poder. Há uma separação entre a política e a ética, quando a primeira é vista como a oportunidade de satisfazer desejos e interesses privados e que o poder deve ser mantido a qualquer custo. A famosa aporia “o fim justifica os meios” se encaixa perfeitamente nesse contexto. Dessa forma, é promovido uma dupla moral que rompe a integridade do ser humano, que se sente autorizado a viver, no empenho político partidário, segundo normas diferentes que, em casa, ensinaria aos próprios filhos. Agora, quando adotamos a ética como orientadora de nossa conduta, é indiferente se estamos no partido A, B ou C, se estamos na Igreja, em casa ou na prefeitura, ou se estamos no começo ou no fim de um mandato.

Sempre devemos agir – e esta é uma exigência da ética – levando em conta que meus interesses, simplesmente por serem meus, não podem ser mais importantes que os interesses de outras pessoas. Na esfera privada, esta exigência tem um alcance que se restringe aos nossos familiares e amigos. Contudo, ao adentrarmos na esfera pública (ao assumirmos, por exemplo, cargos como o de prefeito, de secretários municipais ou vereadores) esta exigência é estendida a todos os cidadãos. Dessa forma, os interesses de João da Silva e de um deputado estadual, se forem os mesmos, devem ser tratados igualmente. Aquele que detém um cargo público que assim age, preserva sua integridade e seu caráter, não tendo vergonha de contar para seu filho o modo de vida que leva.

Realmente acreditei que o PT pudesse provar que o dilema exposto no título deste texto fosse falso e que mostraria que a separação entre a ética e a política é uma realidade apenas para aqueles que acreditam no “rouba, mas faz”. Tal dilema deveria ser destituída de seu status de justificativa para que pudéssemos, indignados, dizer “faz, mas rouba!”. Infelizmente isso não aconteceu. O caráter dos muitos que assumiram os cargos e funções do executivo foram revelados. Aliás, como escreveu Sófocles em sua tragédia grega Antígona, datada de 440 A.C., apenas sabemos o real caráter de uma pessoa ou de um grupo quando esta(e) assume o poder. E o que vi me deixou profundamente triste. Não apenas pela corrupção, mas por terem se transformado em contra-exemplo de um governo democrático.

Maurício C. Serafim

Falta que a gentileza faz

17 de setembro de 2006 por Mauricio Serafim
Categorias: capital social, civismo, ensaio, sociedade, vida

Falta que a gentileza faz

Passei no supermercado Pão de Açúcar para comprar algumas coisas e como acontece todo domingo, faltam caixas para o atendimento e filas enormes se formam. Deve ser para dar a dose de estresse diário, que não poderia faltar no final de semana. Mas o que me chamou a atenção não foi a desorganização da empresa, que de caixa parecem não entender muito (lembro do episódio da venda pelo supermercado dos ingressos do show do U2 no começo deste ano, que teve sérias falhas, inclusive com repercussão internacional).

Ao notarem a fila e a impaciência dos clientes, o pessoal do supermercado abriu mais dois caixas. O que seria mais justo? Que as pessoas que estavam na fila há um bom tempo tivessem prioridade e fossem convidadas para irem para esses caixas. Mas o que aconteceu foi que as pessoas que estavam acabando de chegar, ao verem o caixa abrindo, foram as primeiras a serem atendidas. Não olharam para os lados, não quiseram saber o que seria mais justo ou mais gentil. A empresa errou ao não organizar a abertura dos caixas, mas o que me impressionou foi a falta de gentileza dessas pessoas que “não olharam para os lados”. Foram adiante sem se perguntar se alguém poderia ter a preferência no atendimento. Eram senhoras, pais de família, pessoas de classe média, que muito provavelmente recriminam os “políticos” e acham a corrupção um escândalo.

Penso que a medida para sabermos se uma sociedade vai bem é o grau de gentilezas e honestidade das pessoas no seu dia-a-dia. Assim como as borboletas são os animais mais sensíveis à radiação nuclear e podem servir como alerta a uma catástrofe iminente, o desaparecimento aos poucos da gentileza pode ser um aviso do embrutecimento da sociedade. O episódio do supermercado é uma manifestação desse embrutecimento? Se for, estamos dando marcha a ré no nosso processo civilizatório e cada vez mais longe de construir uma verdadeira nação. Se quisermos que o Brasil seja um lugar decente e que dê certo, é fundamental começarmos com as coisas que estão ao nosso alcance, aceitando de uma vez por todas que justiça e honestidade devem ser vivenciados primeiro por nós, no nosso cotidiano. Caso contrário, estamos reproduzindo em pequena escala o que estamos vendo em grande escala na nossa política por meio dos jornais e revistas. E na maioria das vezes, acreditando que o problema sempre são os outros.

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