Santa ignorância, Batman!

26 de dezembro de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: administracao, civismo, politica

1. No Panorama Político do Globo do dia 24, uma nota diz que Lula, falando sobre as dificuldades do PAC, comentou que “se no tempo de JK existisse TCU, Ibama, Funai e Ministério Público, não tinha construído Brasília".

2. Engana-se o sempre desinformado presidente. No tempo de JK, para construir uma praça o Congresso tinha que aprová-la dando a localização e valor. JK teve que gastar todo o primeiro ano de governo  para detalhar no Congresso o que queria fazer. Naquela época as despesas eram Empenhadas pelos Tribunais de Contas. E se não havia um MP (ministério público) ativo, também não havia MP (medida provisória) para mexer no orçamento como quisesse a qualquer momento e, na época, os parlamentares tinham poder de iniciativa de leis que criavam e aumentavam despesas, e em matéria administrativa (incluindo pessoal), tributária e financeira. E do outro lado estava a Banda de Música da UDN com Lacerda, de palavra em punho e os bacharéis de Minas.

Fonte: Ex-blog de Cesar Maia, por e-mail.

Declaração Universal dos Direitos Humanos – 60 anos

11 de dezembro de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: ética, civismo, politica, vida

Artigo I.

Todos os seres humanos nascem livres e iguais em dignidade e direitos. São dotados de razão e consciência e devem agir em relação uns aos outros com espírito de fraternidade.

Leia mais aqui .

Nobreza na derrota

6 de novembro de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: civismo, politica, sociologia

Ele, McCain, chegou para discursar e viu um público hostil a Obama querer destilar o ódio. Olhou rapidamente para todos. Aqueles rostos dos conservadores americanos, tão marcados pelo ódio a tudo que é “mix”, todos muito brancos, iria explodir ali. Mas McCain com um só gesto impediu. Calou a multidão com um pequeno gesto. Por mais de seis vezes ele pronunciou o nome de Obama, só com elogios e afirmando sua fidelidade ao novo presidente. É certo que o nobre Al Gore tinha feito o mesmo com Bush, quando foi roubado, mas, realmente, no caso de McCain, ele poderia ter deixado a massa ter uma pequena catarse ali. Mas não! Deu-lhes a disciplina do soldado, do herói do Vietnã: antes a democracia e a pátria que os gostos pessoais – é isso que está em jogo. Foi esse o seu recado claro, impedindo as vaias por várias vezes. O recado era para o dia de amanhã: não saiam daqui sem se lembrar que temos um novo presidente e que ele merece respeito, fidelidade e, mais que isso, trabalho nosso, da grande nação.

O discurso de McCain foi mais impressionante que o de Obama. Foi o discurso do cavaleiro que após a batalha cuida de cada um de seus parceiros para que eles não saiam pelas ruas em atos de vingança. É a consciência da divisão da nação. É a consciência democrática em seu mais alto grau. Calar a catarse do companheiro não é para qualquer líder. Só um grande político, um verdadeiro soldado estadista, um herói mesmo, faz tal coisa com tanta energia. Mas, sem precisar de um gesto a mais do que um simples levantar de dedo e um olhar. Impressionante mesmo.

No discurso da vitória, Obama elogiou McCain uma vez. Pronunciou seu nome uma só vez. McCain fez diferente. Sereno e com o semblante descarregado, como o soldado que cumpre sua missão não por disciplina burocrática, mas por convencimento democrático, McCain foi enfático durante as seis vezes que se referiu a Obama, no sentido de mostrar para o público republicano que Obama era o presidente, o presidente sob o qual ele, McCain, iria continuar a ser um bom cidadão americano. Não disse em nenhum momento coisas do tipo “o povo não sabe votar” ou “ganhou o poder econômico” ou “vamos agora fazer oposição e fiscalizar o governo” etc. Toda aquela ladainha ridícula de mágoa que vemos por aqui, não ocorreu. Aconteceu a grandeza – a América no seu melhor. McCain e não Obama acabou me fazendo ganhar a noite ao assistir o desfecho.

Trecho do artigo do filósofo Paulo Ghiraldelli . Concordo com Ghiraldelli sobre o ato nobre de McCain na derrota à corrida presidencial. É impressionante o respeito que os americanos têm as suas instituições. 

Política e negócios (2) – Starbucks e política

3 de novembro de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: civismo, empresa, politica, sociedade

Do blog TV Política :

O Que Starbucks tem a ver com Política? Tudo.

O voto nos EUA não é obrigatório, o que torna a campanha muito mais interessante – e surpreendam-se ou não, o processo democrático também.

Lá, caso eles não gostem dos candidatos eles simplesmente não vou votar — independente da classe, cor, credo… ou seja, o argumento de que só as classes mais “conscientes” votariam e o menos privilegiados não seriam representados e por tanto massacrados por uma política anti-social, não é verdade!

Os candidatos por tanto, tem que se esforçar muito mais, conhecer mais e mais o público pessoalmente e apresentar propostas cada vez mais claras, educando e envolvendo o eleitorado de uma maneira mais natural, e não um choque de imposição que dura 3 meses com horários políticos duas vezes por dia, com seus “atores” disputando que melhor vende sabonete.

Pois bem, este ano o famoso Starbucks resolveu fazer sua parte. Ele está oferecendo café de graça para todos aqueles que votarem. Prova de voto? Não… eles confiam… basta declarar que votou.
Muito boa inciativa. O desejo de educar e inspirar cidadãos com relação a política e os impactos dela em suas vidas deve vir também da iniciativa privada, deve vir de todos — não somente do TSE nas prévias das eleições.

[youtube=http://www.youtube.com/watch?v=a2J8KJDsqqY]

LEGENDA:
E se todos nós nos importássemos o bastante para votar?
Não somente 54% de nós. Mas 100% de nós?
E se nos importássemos tanto em 5 de Nov. quanto nos importamos dia 4 de Nov.?
E se importássemos TODO o tempo, do jeito que nos importamos algumas das vezes?
E se nos importássemos quando estava inconveniente, tanto quanto nos importamos quando está conveniente?
Seria a sua comunidade um lugar melhor?
Seria o seu país um lugar melhor?
Seria o nosso mundo um lugar melhor?
Nós acreditamos que sim também.
Se você se importa o bastante para Votar, nós nos importamos o bastante para lhe dar um copo grátis de café
Venha ao Starbucks 4 de Novembro nos diga que você votou e nós iremos com ORGULHO lhe dar um copo alto de café expresso.
Você e Starbucks são maiores do que café.

Cartas à milanesa (II)

11 de março de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: civismo, comportamento, cultura, ensaio, sociedade

Comecei a notar algumas diferenças entre o estilo de vida dos italianos e a nossa. Algo que fica muito evidente é como eles conseguem viver o espaço público. No Brasil temos receio de freqüentá-lo e cada vez mais raramente podemos usufrui-lo, por estar deixando de ser público e se tornando privado, virando moradia de mendigos, ponto de prostituição ou de venda de ambulantes, entre outros. Há muito a praça deixou de ser lugar de encontro e fonte do sentimento de pertença à cidade. Em Milão, as praças são lugares onde as pessoas podem caminhar e “dar um tempo”, ou ainda se encontrar com pessoas para conversar, comer e beber algo. E eles sabem muito bem comer e beber. A qualidade da comida que se consome cotidianamente é superior ao Brasil. Para ter essa qualidade, precisamos gastar muito mais.

O transporte público parece funcionar bem. Em Milão há ônibus, bonde, trem e metrô. Todos os transportes públicos são usados sem percebermos uma distinção de classe, como vemos no Brasil. Nos três anos que fiquei em São Paulo não me lembro de ter visto alguém da classe média levando seu filho em carrinho de bebê no metrô. Isso é muito comum aqui. Há uma razão para o uso intensivo de transportes públicos: em Milão, é muito difícil de se andar de carro porque não há muitos estacionamentos e vagas, uma fonte de desestímulo – não sei se intencional ou não. Como a cidade é plana, também podemos ver pessoas de trajes elegantes indo de bicicleta para o trabalho ou escola, algo muito inusitado para os paulistanos.

Em todas as viagens de metrô que fiz aqui sempre surgiu alguém no vagão pedindo dinheiro ou tocando alguma música no violino ou acordeom para ganhar alguns trocados. Em sua maioria são pessoas vindas de países do Leste Europeu e que fazem parte do contingente da camada mais pobre da cidade, juntamente com os marroquinos. Aqui é muito comum se afirmar que os pobres não são os italianos natos, mas esses imigrantes. [Continua]

Falta que a gentileza faz

17 de setembro de 2006 por Mauricio Serafim
Categorias: capital social, civismo, ensaio, sociedade, vida

Falta que a gentileza faz

Passei no supermercado Pão de Açúcar para comprar algumas coisas e como acontece todo domingo, faltam caixas para o atendimento e filas enormes se formam. Deve ser para dar a dose de estresse diário, que não poderia faltar no final de semana. Mas o que me chamou a atenção não foi a desorganização da empresa, que de caixa parecem não entender muito (lembro do episódio da venda pelo supermercado dos ingressos do show do U2 no começo deste ano, que teve sérias falhas, inclusive com repercussão internacional).

Ao notarem a fila e a impaciência dos clientes, o pessoal do supermercado abriu mais dois caixas. O que seria mais justo? Que as pessoas que estavam na fila há um bom tempo tivessem prioridade e fossem convidadas para irem para esses caixas. Mas o que aconteceu foi que as pessoas que estavam acabando de chegar, ao verem o caixa abrindo, foram as primeiras a serem atendidas. Não olharam para os lados, não quiseram saber o que seria mais justo ou mais gentil. A empresa errou ao não organizar a abertura dos caixas, mas o que me impressionou foi a falta de gentileza dessas pessoas que “não olharam para os lados”. Foram adiante sem se perguntar se alguém poderia ter a preferência no atendimento. Eram senhoras, pais de família, pessoas de classe média, que muito provavelmente recriminam os “políticos” e acham a corrupção um escândalo.

Penso que a medida para sabermos se uma sociedade vai bem é o grau de gentilezas e honestidade das pessoas no seu dia-a-dia. Assim como as borboletas são os animais mais sensíveis à radiação nuclear e podem servir como alerta a uma catástrofe iminente, o desaparecimento aos poucos da gentileza pode ser um aviso do embrutecimento da sociedade. O episódio do supermercado é uma manifestação desse embrutecimento? Se for, estamos dando marcha a ré no nosso processo civilizatório e cada vez mais longe de construir uma verdadeira nação. Se quisermos que o Brasil seja um lugar decente e que dê certo, é fundamental começarmos com as coisas que estão ao nosso alcance, aceitando de uma vez por todas que justiça e honestidade devem ser vivenciados primeiro por nós, no nosso cotidiano. Caso contrário, estamos reproduzindo em pequena escala o que estamos vendo em grande escala na nossa política por meio dos jornais e revistas. E na maioria das vezes, acreditando que o problema sempre são os outros.

Esmola

20 de agosto de 2006 por Mauricio Serafim
Categorias: ética, civismo, comportamento, ensaio, sociedade

Esmola Estava entrando no metrô de São Paulo quando uma senhora, mais ou menos em torno dos 65 anos, pediu uma ajuda. Neguei. Mas antes de passar na catraca, voltei atrás e perguntei para a senhora se a ajuda que ela queria era passar para pegar o trem. Ela respondeu que sim. Perguntei o seu nome e ela me respondeu “Regina”. “E o meu é Mauricio”, disse a ela, que me pareceu não fazer a menor diferença em saber. Quis com isso apenas tentar fazer com que o ato da esmola não fosse impessoal. Mas não consegui. Passei a senhora com o meu passe de metrô, ela não me olhou e se foi. Não fiquei chateado pelo fato de ela não ter me agradecido, mas pelo comentário de um dos funcionários do metrô: “ela é freguesa daqui!”. Me senti frustrado, com aquela sensação de ter sido enganado. Isso me ajudou a pensar algumas coisas.

Independentemente de a senhora ter me engano ou não, me veio o pensamento que a condição socioeconômica de alguém não me autoriza a deduzir qualquer característica moral dela. Entre os pobres existem os oprimidos, mas também opressores em potencial. Existem pobres que usam de sua condição social e enganam pessoas utilizando seus filhos e performances quase que teatrais para ir direto ao nosso sentimento de culpa, mas também existem pessoas que realmente precisam de um ajuda, e que são sinceros ao mostrar suas dificuldades. Numa sociedade desigual como a nossa, uma das coisas que nos iguala é a nossa capacidade de beneficiarmos à custa dos outros, independentemente de nossa classe social. E como resolver isso do ponto de vista pessoal, para não ficarmos apáticos ao sofrimento dos outros? Uma postura que vou adotar será a de conhecer a pessoa que vou ajudar, fazer com que aquela interação não seja impessoal, despersonalizada ou anônima, de maneira que não seja apenas eu a influenciar a vida dela, mas que ela também possa influenciar a minha, tornando-se assim uma relação de paridade e não uma relação hierárquica quando temos alguém que dá uma esmola e uma outra que recebe.

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