O maior despotismo que se pode conceber

13 de maio de 2012 por Mauricio Serafim
Categorias: administracao, politica

Um governo que fosse fundado sobre o princípio da benevolência para com o povo — tal o do pai para com os seus filhos, quer dizer, um governo paternal —, onde, por consequência, os sujeitos, tais filhos menores, incapazes de decidir acerca do que lhes é verdadeiramente útil ou nocivo, são obrigados a comportar-se de um modo unicamente passivo, a fim de esperar, apenas do juízo do chefe do Estado, a maneira como devem ser felizes, e unicamente da sua bondade que ele o queira igualmente — um tal governo, digo, é o maior despotismo que se pode conceber.

Immanuel Kant (1724-1804) . Peguei daqui. 

 

Mensagem de Portugal: Reflexões

1 de março de 2012 por Mauricio Serafim
Categorias: economia, politica

Abaixo reproduzo parte de um e-mail que minha colega de trabalho e amiga Luciana Ronconi me enviou. Ela está fazendo seu pós-doutorado no Instituto Superior de Economia e Gestão , da Universidade Técnica de Lisboa. Gostei tanto que lhe pedi autorização para publicar aqui no blog. Em seguida há uma breve resposta minha. Está aberto o debate!

“Aqui em Portugal muitas manifestações públicas contra as medidas tomadas pelo governo: privatizações, enxugamento da máquina pública…. Aqui a palavra de ordem nas manifestações (fotografei uma) é: “abaixo a Troika”. A Troika se refere ao trio, formado pela Comissão Européia, Banco Central Europeu e o FMI, que está negociando as condições para os empréstimos ou como se diz para o resgate financeiro da Grécia e de Portugal. Irlanda tb. Situação muito difícil. Os debates são calorosos. Uns que acusam o governo de estar adotando o neoliberalismo (isso me lembra tanto o Brasil!!!), outros que defendem as medidas como as únicas capazes de tirar o país da situação em que se encontra. O Primeiro Ministro, o Pedro Passos, está a todo o momento dando entrevistas e defendendo a posição do governo. Aliás adoro ouvir o Primeiro Ministro que, de fato, “chefia” e representa o Governo. Quinzenalmente o Primeiro-Ministro vai na Assembléia da República nos chamados debates quinzenais e responde às perguntas dos deputados.

Tenho pensado muito sobre qual deverá ser o papel do Estado nos próximos tempos… Aqui por ex. o chamado terceiro setor, que é sinônimo de economia social, me parece apenas um braço do próprio Estado.

Por ex. foi recriada uma Cooperativa que objetiva fortalecer a economia social no país. Ela junta Estado e as entidades da economia social e agrupa várias entidades tradicionais (ligadas às misericórdias) e tb as de economia solidária, ou cooperativas. Mas veja só: o capital social da Coopetariva está em sua maioria nas mãos do Estado. E o voto é proporcional ao capital…. Me parece um setor sem muita autonomia que depende de verbas do Estado que impõe certas contrapartidas… É isso que chamam de neoliberalismo??? Ou ao contrário é um Estado centralizador???

Mas vou investigar algumas dessas questões….

E essa questão das cooperativas fazerem parte do terceiro setor? Andei escrevendo nessa semana alguma coisa sobre essa questão.

Bem, mas na Espanha a situação parece pior. Mais de 5 milhões de desempregados. Muitas e muitas manifestações.

Bem, mas essa conversa iria longe… Sinto falta de fazer esse debate aqui. Observo que os profs daqui, e daí tb (nós todos), ficam tão repletos de trabalhos dentro de suas áreas… tantas exigências…. obrigações, prazos….não temos nem tempo de pensar… o pensar exige calma… muitos insigths que temos acabam se perdendo no meio do turbilhão de nossos afazeres.

Eu aqui a pensar…. e assim vou sentindo falta de nossas reuniões e troca de idéias… isso é para que a gente valorize nossos grupos de pesquisa.

Pq fazemos reuniões tão curtas?

Deveríamos, todos, nos retirar e ficar dias em uma “montanha mágica” (vc leu o livro do Thomas Mann?) travando debates… defendendo idéias liberais, idéias conservadoras, nos aproximando um pouco mais da filosofia, da política, da religião… com calma… com todo o tempo….

Bom escrever…

Agora vou tomar um cálice de vinho do Porto para aquietar o espírito!”

Minha resposta:

[...] fico imaginando o fervor que está na Europa. O que eu sinto (é uma impressão) é que está faltando – seja no Brasil, em Portugal, ou em outro lugar – debates e análises mais inteligentes e ousados. Volta e meia sempre adotamos nomes que não explicam nada ( o uso do termo neoliberalismo, para mim, está mais associado a uma necessidade psicológica do sujeito de diminuir a incerteza da realidade do que a explicação da própria realidade).

Sinto também muita falta de debates, de pensar, de conversar, de ter momentos mais criativos. Respondemos o tempo todo à burocracia, que é quase sempre infértil. Estamos tentando aos poucos ampliar estes espaços de convivência e diálogo, como os Cafés no DAP, mas sei que ainda é pouco. Sonho com uma universidade em que se possa estudar e debater mais!

Essa questão do Estado é ótima. A meu ver, o Estado está se tornando cada vez mais poderoso, não no sentido estritamente político, mas no sentido burocrático. Estamos caminhando para cada vez mais leis, mais regulamentações, mais invasão de nossa intimidade por normas que supostamente querem proteger alguém, mas que servem de porta de entrada para o controle da burocracia…

 

O legado da Dama de Ferro

1 de março de 2012 por Mauricio Serafim
Categorias: economia, politica

Ela foi uma das figuras mais satanizadas no século XX. Na verdade foi uma grande mulher que acreditou na liberdade individual e lutou para que a máquina burocrática estatal ferisse menos tal liberdade. Ela estava do lado dos que defendem a pessoa e sua consciência, e antagonizou com aqueles que desconfiam da pessoa, diluindo-a em conceitos coletivos e tutelando-a via estado.

Falso capitalismo: o crescimento do rent seeking

29 de dezembro de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: economia, empresa, politica

Num país de teatro dos papéis sociais e do rent seeking , como o Brasil, um vídeo como este não seria compreendido, muito menos discutido.

Liberdade e Igualdade

8 de dezembro de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: filosofia, politica

Via blog de Bruno Garschagen.

Sem essa!

2 de dezembro de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: filosofia, humor, politica

Sem essa!

Não invente de me chamar de conservador sem a devida referência e revisão bibliográfica (by  Samantha Buglione ).

A estrutura de gestão do governo federal

23 de novembro de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: administracao, politica

1. O strike de ministros no governo Dilma deu nitidez a uma estrutura de gestão de 100 anos atrás. O que se vê é uma estrutura vertical -com a presidente no vértice- e piramidal -com os ministros no tronco da pirâmide superior. A presidente, com sua equipe atual, verticalmente sobre cada ministério e estes verticalmente sobre sua própria estrutura.

2. Não há nenhuma matricialidade -e me refiro a um sistema de 50 anos atrás- onde os gestores lideravam suas funções, independente de onde elas estivessem. Com isso, se tinha cruzamentos e interações diagonais. Por exemplo, o diretor de recursos humanos atuava em todas as diretorias; a diretoria técnica atuava na diretoria de produção; a diretoria financeira sobre todas; etc. A operação cruzada era acompanhada de informação simultânea ao diretor da área afetada e esse interagia se desejasse. O presidente coordenava as funções e com sua diretoria, decidia sobre elas. E deixava que os naturais conflitos horizontais produzissem a necessidade de novas decisões. Mas, permanecia, em boa medida, o desenho piramidal.

3. Hoje, num mundo aberto, com informações que fluem com enorme agilidade, onde a concorrência entre as empresas de vanguarda se dá pela inovação, o que prioriza a tecnologia e a velocidade em sair do laboratório e entrar em mercado, a estrutura organizacional não pode ser mais piramidal. Deve ser uma estrutura como um disco voador, superfície de muitos furos, para a interação externa e com redes se cruzando internamente, em todas as direções -horizontais, verticais, diagonais, impulsionando os controles e a tomada de decisões em todos os níveis, em todos os momentos.

4. Quando a oposição e a imprensa destacam que apenas uma pequena porcentagem de um programa -o PAC, por exemplo- foi executado, que a presidente se surpreende com informações, fatos e denúncias, que certos programas autorizados em solenidades palacianas, etc., meses depois mal saíram do papel, o problema não está na burocracia, nem na legislação: está na própria estrutura de gestão do governo.

5. É fato que no setor público existe uma rigidez normativa muito maior. Sendo assim, se pode pensar numa organização na forma de pipeta de laboratório, garantindo a normatividade em sua garganta, o mais fina possível.

6. Governar -ou gerir- é tomar decisões. Os demais são técnicas. Num mundo com tênues fronteiras informacionais, com ciclos tecnológicos imprevisíveis, com a informação em tempo real, continuar com uma estrutura centenária é a certeza do fracasso. Pelo menos do fracasso relativo como crescer pouco, vis a vis outros países em mesma situação. Tomar decisões após ler jornais e revistas e ver na TV, é simplesmente reagir a uma decisão, de fato, pré-tomada.

7. Numa onda mundial de crescimento, o avião pode até ser empurrado pelo vento de popa. Mas numa conjuntura de crise, permanecer gerindo numa armadura piramidal, é a certeza do fracasso, e de consequências sociais e econômicas, muito mais graves do que necessário. É o que está ocorrendo no Brasil, neste momento.

Fonte: Ex-Blog do César Maia.

Bandeiras estudantis no Brasil recente

7 de novembro de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: civismo, educacao, humor

Bandeiras estudantis no Brasil recente

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