Ecletismo? Não, obrigado – por José Nilson

22 de dezembro de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: jose nilson

Está ficando cada vez mais comum eu perguntar para alguém do que gosta – seja música, filme, comida, o que for – e me responder de forma padrão: “sou eclético”. No início eu até considerava interessante esse estado de “gostar de tudo um pouco”, afinal eu achava que isso demonstrava um certo grau de despojamento e abertura à “diversidade cultural” que eu não tinha. Mas aos poucos, os meus nervos aderiram à tolerância zero. Eu me perguntei como pode uma pessoa gostar ao mesmo de Machado de Assis e de uma redação do tipo “como foram as minhas férias?”, porque ecletismo seria isso, não é mesmo? Mas aí comecei a descobrir que os ecléticos, na verdade, não gostam tanto assim de Machado, acham a música clássica chata, o rock muito barulhento, bolero coisa de velho, e que toda música “calminha” é Enya.

Enfim… mas os ecléticos são gente boa, geralmente são mais simpáticos que os não ecléticos, e quando pegam carona e no som do carro está tocando uma música clássica, sempre perguntam para puxar conversa se é ” aquela música do Vivaldi “. Aí você tem que responder que é, bem, o Réquiem de Mozart . Mas ninguém é obrigado a saber distinguir Vivaldi de Mozart, certo? Mesmo assim foi por aí que comecei a entender melhor o tal do ecletismo. Acho que o cerne da questão é a não distinção.

Para quem adere ao ecletismo, “tudo está bom”, e, portanto, não é preciso escolher. Quem escolhe é aquele que não é eclético, aquele que não gosta de certas coisas. E para escolher é preciso conhecer um pouco da coisa escolhida e esforçar-se em distinguir o que é bom e prazeroso do que não é. Talvez até seja o caso de dizer que gostar de tudo um pouco não existe, porque gostar requer julgamento, inexistente naqueles que se dizem ecléticos. Não seria mais exato dizer então que gostar de tudo seria, na verdade, “aceitar tudo” e que ter gosto é ser um pouco intolerante? O que você acha, Mauricio?

José Nilson*, num dia de verão ensolarado em Criciúma.

*José Nilson é um “filósofo brasileiro”, com toda a informalidade que a palavra “brasileiro” possui. É o meu alter ego sem superego.

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Pensamento josenilsoniano – golpe

29 de agosto de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: jose nilson, politica

“Paulo Henrique Amorim diz que a mídia é golpista, entre outras coisas, por causa das matérias sobre o mensalão. O Supremo Tribunal Federal confirmou grande parte do que a mídia publicou sobre o caso. Portanto, o STF é golpista?”

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Independência Futebol Clube, segundo José Nilson

7 de agosto de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: empresa, jose nilson, politica, religiao

José Nilson está confuso. Não que ele não seja em condições normais de temperatura e pressão, mas agora ele está especialmente confuso. Soube que o repórter Paulo Henrique Amorim (PHA), que tem um site que diz que a Globo é golpista, está envolvido em um documentário sobre a vida de Edir Macedo, que é dono da Record, que é concorrente da Globo. PHA é funcionário da Record, que é concorrente da Globo e que ele diz que é golpista. Então, o patrão de PHA é Edir Macedo, que diz ter sido perseguido pela Globo, que PHA diz que é golpista. Em seu site , PHA sempre defende o governo, que tem o vice-presidente da República filiado a um partido político criado pela igreja de Edir Macedo, que se diz perseguido pela Globo, que PHA diz que é golpista.

PHA não esclarece o que é golpe de estado e nem como isso poderia acontecer. Mas a confusão surge quando PHA se diz independente. É aí que José Nilson se perde.

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Pensamento josenilsoniano – lógica

21 de julho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: humor, jose nilson, politica

“No Brasil, a lógica anda por caminhos tão tortuosos que muitas vezes se perde”.

Duvida? Então leia aqui .

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Pensamento josenilsoniano – autoconhecimento

14 de julho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: jose nilson, recortes

“Ao passo que vou me conhecendo, percebo que sou capaz de fazer menos coisas. Saber disso me fez menos arrogante, me trouxe menos frustações e, sem querer, consigo fazer mais.”

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José Nilson e a classe média

14 de julho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: economia, jose nilson, politica

Recebi esta mensagem de José Nilson, o observador:

” [...] O que aconteceu com Sirley – que foi espancada por um grupo de jovens em uma parada de ônibus no Rio de Janeiro – merece todo o nosso repúdio. Mas gostaria de falar sobre uma outra questão, que para mim ficou muito evidente em decorrência desse lamentável caso. Em todos os textos que eu li sobre ele, sempre – e digo sempre – há uma desqualificação da classe média brasileira. Na verdade, no geral, muitos poucos textos falam positivamente dela. Sempre a tratam como o reduto da individualidade, do hedonismo, da frivolidade, etc. como se esses comportamentos fossem específicos de quem ganha R$1.300 a R$10.000 por mês (mais ou menos esta faixa, que pode variar).

Por exemplo, em um texto que me foi enviado , da teóloga Maria Clara Lucchetti Bingemer , é finalizado com a frase ” [...] nossa triste classe média”. Não sei bem o que ela quis dizer com isso. Mas o que eu acredito é que deveríamos estender a nossa forma de pensar, quando pensamos nos empobrecidos e/ou favelados, para a classe média. Ou seja, não estamos moralmente autorizados a considerar que as pessoas que residem em uma favela sejam qualificadas como potencialmente violentas porque um grupo de jovens traficantes na mesma favela executam pessoas. E, claro, esse pensamento está correto. Apenas defendo que essa forma de pensar também seja considerada para a classe média. Aqueles jovens não são um grupo representativo dos jovens da classe média e muito menos de seus valores.

E da forma como está sendo tratada – não raro desqualificando-a e rebaixando-a moralmente – é um tiro em nosso próprio pé. Justiça social, estabilidade social, ou outros atributos de uma qualidade razoável de vida sempre estão ligados à expansão da classe média em um país. E seria isso que qualquer governo deveria almejar: fazer com que os pobres se tornem classe média. No Brasil essa frase soa estranha, mas ela é muito bem aceita nos países que dão mais certo.

Repudio com impetuosidade o que aconteceu com Sirley. Mas também exijo que não seja condenado ou desmoralizado todo um grupo de pessoas que possuem uma determinada faixa de renda e que se convencionou chamá-lo de classe média.”

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O porém de Cuba, por José Nilson

6 de junho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: ensaio, jose nilson, politica

José Nilson, mais uma vez. Mais uma vez ele está pensando. Mais uma vez ele não consegue entender muitas coisas. Criado na base do “não faça aos outros o que não quer que façam a você”, e que não se deve matar, mentir e roubar, essas coisas básicas que se aprende quando pequeno, fica um tanto perplexo quando descobre que ao se tornarem adultas, algumas pessoas relaxam o que mamãe e papai ensinaram e dizem: “ok, matar não é a melhor coisa, porém…”. “Esses poréns é que matam… inclusive gente”, pensa J. Nilson.

Hoje de manhã, ao ler um texto no Weblog , o nosso filósofo brasileiro não se agüentou. Deu um murro na mesa e com sangue fervendo desabafou: “Cuba e seu presidente-ditador Fidel Castro sempre foram cultuados por muita gente, chegando muitas vezes ao limite do fetichismo. Por que? O que Cuba tem que ganha tantas simpatias? Por que pessoas se simpatizam com um ditador que torturou e matou tantas pessoas em nome de uma ideologia autoritária, que deixou a população num estado de miséria vergonhosa, e que sempre se diz vítima mas não quer desfazer essa imagem conveniente?”

José Nilson fica pensativo, um pouco triste até. Ele sabe que um mito pode ser criado para que depois, para camuflar interesses pessoais e de grupo, se possa dizer, “blá, blá, blá, porém…”. O “porém” tem o poder de relativizar qualquer coisa se envolvido num mito. Mas o mito de Cuba, a cada dia que passa, desmorona mais um pedaço, e fica apenas a realidade realmente vivida pela maioria dos cubanos. Então era uma Ilha da Fantasia para parte da esquerda? Pode ser, acha J. Nilson. Mito ou fantasia, muitas famílias choram ainda seus mortos ou estão angustiadas porque um dos seus é preso político. “Sem os poréns”, conclui J. Nilson antes de sair para pagar as contas, “conseguimos enxergar que a fantasia pessoal de Fidel de ser o portador de respostas e pontos de exclamação o levou à escolha do método errado”.

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Dialética guardada a sete Chávez

27 de maio de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: humor, jose nilson, politica

Dialética guardada a sete Chávez Apenas de relance, José Nilson, o filósofo brasileiro, se pôs a pensar sobre a negação de Hugo Chávez de renovar a concessão da RCTV, que era crítica à agenda política do governo venezuelano e o único meio de comunicação de alcance nacional não alinhado à ideologia chavista.

“Bom”, pensou José Nilson, “Chávez se diz revolucionário e gosta de distribuir textos de Karl Marx para pessoas que perguntam sobre seu governo. Pelo que me lembro, Marx acreditava na dialética como um método de análise da realidade, que era uma relação dos contrários, e que a história se desenrola dialeticamente… etc e etc. Por que será que todo político que diz admirar Marx e diz ‘usá-lo’ como diretriz de governo (Chavéz, Mao, Fidel, Stalin…), ao assumir o poder querem acabar com o contrário, com a oposição? Well , dialética na propriedade privada dos outros é refresco. Mas o que eu acho mesmo é que eles devem ter medo dessa tal da dialética, porque sempre querem matá-la, acabando com o que e quem não afirma a afirmação. Ao acreditarem que são o ápice da história, a vaidade é tão grande que não suportam saber que eles são como nós: simplesmente mais um.”

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