Defesa de minha tese de doutorado

15 de fevereiro de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: administracao, ciencia, informacao

A estrada foi longa, muitas vezes tortuosa, mas a caminhada teve uma beleza incrível. Espero que eu tenha conseguido colocar um pitada dessa beleza na minha tese, que defenderei na próxima semana, dia 22 (sexta-feira), na FGV-SP. Os dados seguem logo abaixo. Aguardo todos vcs lá!

 

Título da tese: Sobre esta igreja edificarei minha empresa: Organizações religiosas e empreendedorismo.

Data e horário: 22/02, às 14h00.

Local de apresentação: FGV-SP, sala 1005.

Orientadora: Profa. Dra. Ana Cristina Braga Martes

Banca: Profa. Dra. Cecilia Loreto Mariz (UERJ), Dra. Ruth Cardoso (Comunitas), profa. Dra. Maria Rita Loureiro Durand (FGV-EAESP), e prof. Dr. Carlos Osmar Bertero (FGV-EAESP).

Resumo: Com esse trabalho me propus a abordar o seguinte problema de pesquisa: como as organizações religiosas incentivam o empreendedorismo e apóiam o empreendedor-adepto. A estratégia de pesquisa adotada foi o estudo de caso qualitativo e comparativo, e os dados foram coletados por meio de observação, entrevistas e pesquisa documental. Viu-se que, de modo geral, as estruturas religiosas das organizações investigadas – uma evangélica (Igreja Renascer em Cristo) e outra católica (Movimento dos Focolares) – formam um tipo especial de capital social, denominado nessa tese de capital espiritual – por meio de “fechamento” de redes sociais, organização social apropriável, obrigações e normas, canais de informações e redes religiosas de ajuda mútua – capaz de criar e sustentar recursos organizacionais – quais sejam, recursos culturais/simbólicos, espaços de formação, informação e apoio espiritual/motivacional – e que são mobilizados de modo a facilitar as ações de seus empreendedores. Tais recursos dão vantagens relativas a esses empreendedores por oferecerem benefícios tais como: tecnologias religiosas; apoio psicológico; redução dos custos da coleta e acesso à informação, de negociação e do estabelecimento de contratos; informações específicas e interpretadas de acordo com a visão de mundo religiosa; um sistema de significados que cria essa visão de mundo e sustentada pelas estruturas de plausibilidade, dando-lhes maior grau subjetivo de certeza, esperança e fé acerca de seus negócios; prestações de serviços técnicos por parte de membros da organização; desenvolvimento do capital humano devido à aprendizagem contínua por meio de cursos, seminários, palestras, congressos; trocas de experiência; e possibilidades de negócios, incluindo possíveis parceiros, fornecedores e clientes.

Dando um tempo

26 de setembro de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: informacao

Este blog vai dar um tempo nas atualizações. Estarei completamente absorvido na minha tese e espero retornar o mais breve possível.

E este é o meu estado de ânimo escrevendo a tese. Mas garanto que não é lá muito grave. Digamos que é apenas um pouco.

Dando um tempo

 

Lula e a mídia

29 de agosto de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: informacao, politica

Por Alberto Dines, no site “Observatório da Imprensa”:

“Eu não brigo com a imprensa. Eles brigam comigo…O fato dela [a imprensa] bater não impediu que eu chegasse à Presidência da República e não impediu que eu me reelegesse.”

Esta declaração do presidente Lula foi registrada na sexta (24/8), no Paraná. Contém três inverdades:

  • Em 2002 a imprensa não bateu no candidato Lula. Ao contrário, o candidato do PT foi tratado pela mídia com respeito e simpatia. Se houve excessos foram a seu favor.

  • Foi o presidente Lula quem deu seqüência aos ataques da direção do PT à mídia quando tentou recuperar sua imagem logo depois do escândalo do “mensalão”.
  • A briga com a imprensa foi puxada pelo presidente-candidato Lula em meados de 2006.

Quando era apenas candidato (contra Collor e FHC), Lula jamais ousou criticar a imprensa, mesmo que guardasse mágoas da TV Globo. Parafraseando o presidente, “nunca neste país houve um candidato com tantos amigos na mídia”.

Em 2006, acuado pelas revelações que jorravam da CPI dos Correios, Lula partiu para o ataque. Escolheu a imprensa como alvo porque sabia que assim obteria mais repercussão. Mas esqueceu da sua dupla condição de candidato-presidente. Como postulante nada o impedia de criticar pessoas, grupos ou instituições, mas como presidente qualquer ataque à imprensa fatalmente soaria como ameaça.

Lula sabia disso, seu furor antimídia não foi acidental, fruto de um súbito mau-humor. Foi pensado: precisava provocar a mídia para um grande combate e assim neutralizar os efeitos devastadores do “mensalão”. Precisava novamente assumir a condição de vítima.

[...] Este delírio antimídia uma dia será cobrado dos intelectuais do PT, dos dirigentes do PT e do presidente que o PT emplacou duas vezes, uma delas graças justamente ao discurso antimídia.

No mesmo pronunciamento de 24/8 (terceiro dia do julgamento dos “40 do mensalão” pelo Supremo Tribunal Federal), Lula produziu esta pérola: “A imprensa pensa ter o dom da verdade”. Não poderia imaginar que alguns dias depois a suprema corte confirmaria em grande parte tudo o que a imprensa publicou a respeito do escândalo.

A imprensa não pensa que tem o dom da verdade, ela somente busca a verdade. Quem parece detestá-la é o presidente Lula.

Acesse o texto completo aqui.

CD completa 25 anos

17 de agosto de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: informacao, musica, tecnologia

Há exatos 25 anos o primeiro compact disc – ou CD – foi produzido em uma fábrica da Philips, na Alemanha, iniciando uma revolução global na música.

Mais de 200 bilhões de CDs foram fabricados no mundo todo desde então e o formato continua dominando o mercado, apesar do crescimento do número de pessoas que baixam música pela internet.

O CD foi desenvolvido em conjunto pela Philips e a Sony e o disco se transformou também em um método de armazenamento importante para usuários de computador.

O primeiro CD de música produzido na época foi “The Visitors”, do grupo Abba.

[...] Os primeiros CDs colocados no mercado, em novembro de 1982, eram pricipalmente de música clássica.

Na época acreditava-se que os amantes da música clássica teriam mais dinheiro para comprar o novo formato do que os fãs de rock e música pop. A Philips pensou que esses consumidores de música clássica estariam mais dispostos a investir nos aparelhos que reproduziam os discos, na época muito caros.

Os primeiros modelos lançados custavam o equivalente, hoje, a US$ 1,9 mil (cerca de R$ 4,12 mil).

Reportage da BBC Brasil. Acesse o texto aqui.

Uma boa idéia

7 de agosto de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: informacao, tecnologia

Uma boa idéia

Miscigenação (2) – Somos todos mestiços

4 de junho de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: ciencia, informacao, reportagem, sociedade, vida

Numa excelente entrevista, Luigi Luca Cavalli-Sforza, um dos maiores genetistas do século XX, afirma que não existem raças distintas entre as pessoas e o que nos define é a mistura genética. Uma outra afirmação importante é que somos distintos dos outros animais apenas por graus, ou seja, tanto nós como os animais possuem habilidade lingüística e capacidade de inventar e construir ferramentas, estando a diferença na nossa habilidade de aprimoramento, que é maior. A ciência está ajudando a nos enxergarmos como semelhantes, tanto entre os próprios homens quanto entre os homens e os animais.

Abaixo segue alguns trechos da entrevista publicada no Estado de S.Paulo, que pode ser lida na íntegra aqui.

Talvez seja surpreendente para algumas pessoas que a aparência física, como cor da pele, não sejam bons indícios da herança genética. Os brasileiros estão certamente entre os povos mais misturados do planeta, embora não sejam os únicos. A diferença é que nenhum dos outros grupos mestiços forma um povo tão vasto. O Brasil teve a boa sorte de não ver o racismo prosperando, como costuma acontecer noutros cantos. Isto provavelmente vem de uma herança portuguesa, povo que já demonstrava predisposição pela mistura racial desde os tempos de suas primeiras colônias, na África. O estudo de nossas origens genéticas apenas confirma o que já estava claro para bons observadores: a mistura entre povos e a produção daquilo que nós geneticistas chamamos de híbridos não traz qualquer desvantagem do ponto de vista genético. Até melhora, traz uma vantagem naquilo que chamamos de “vigor híbrido”.

As diferenças entre povos de locais geográficos distintos são claramente visíveis, caso de cor da pele e tamanho e formato das partes do corpo. Estas características refletem adaptações ao clima local que surgiram após a espécie humana se originar na África Oriental, há relativamente pouco tempo (não mais que 100 ou 150 mil anos, período bastante curto na escala evolutiva) e, naturalmente, após deixar a África, há coisa de 50 ou 60 mil anos. De qualquer forma, estas diferenças são triviais em todos os aspectos essenciais. A grande maioria das diferenças genéticas se encontram entre um indivíduo e outro, jamais entre um povo e outro. Falando em números, mais de 90% das diferenças genéticas se dão entre duas pessoas de um mesmo povo. Apenas 10% da variação se dá entre, digamos, europeus e asiáticos, entre africanos e americanos nativos. Isto acontece porque a nossa é uma espécie muito jovem e ainda não houve tempo evolutivo para nos diferenciarmos. Quer dizer: não existem raças distintas entre os homens.

Por definição, tribos falam a mesma língua, e a linguagem, por conta de seu gigantesco potencial de comunicação, há de ter sido uma força importante sem a qual a grande migração que levou o homem a todos os cantos do planeta não teria sido possível. Todos temos a mesma capacidade intelectual de adquirir esta técnica de comunicação que é a língua. Ela, junto com nossa capacidade de inventar novas máquinas, são as características que nos diferenciam dos outros animais. Embora, sempre é bom lembrar, esta é uma questão de graus. Animais também se comunicam e inventam ferramentas. A diferença na habilidade é que é tremenda.

Via Weblog.

Leia também: Miscigenação.

Recortes da pesquisa Datafolha sobre religião no Brasil

8 de maio de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: informacao, religiao, sociedade

Os católicos continuam sendo maioria na população brasileira, segundo estudo realizado pelo Datafolha a partir de dados consolidados de oito pesquisas nacionais realizadas em 2006 e em 2007, em um total de 44642 entrevistas. Esses dados revelam que os católicos são 64%, que os evangélicos pentecostais somam 17%, e os não pentecostais, 5%. Espíritas kardecistas ou espiritualistas são 3% e, umbandistas, 1%. Adeptos do candomblé e de outras religiões afrobrasileiras não chegam a 1% e outras religiões atingem 3%. Dizem não ter religião ou ser ateus 7%.

Quando o Datafolha fez essa pergunta aos brasileiros pela primeira vez, em agosto de 1994, 75% dos brasileiros se diziam católicos, 10% evangélicos pentecostais e 4% evangélicos não pentecostais.

A análise segmentada dos resultados mostra contrastes, principalmente, no que diz respeito às duas religiões com maior número de adeptos: o catolicismo e as igrejas evangélicas pentecostais.

Nas cidades localizadas no interior do país, o percentual de brasileiros que se declaram católicos é de 70%, seis pontos acima da média nacional. Nas capitais, essa taxa é de 56%, oito pontos abaixo da média. Nas cidades localizadas em regiões metropolitanas, capitais incluídas, ela também é de 56%; quando as capitais são excluídas da análise ela é de 55%.

Os evangélicos pentecostais se destacam nas regiões metropolitanas do país. São 20% entre os que moram nessas cidades, capitais incluídas. Quando se levam em consideração apenas as capitais, essa taxa é de 19%; no segmento de municípios localizados em regiões metropolitanas, mas sem contar as capitais, ela chega a 23%, seis pontos acima da média registrada nacionalmente.

No Nordeste, o percentual de brasileiros que se declaram católicos chega a 71%, sete pontos percentuais acima da média. No interior nordestino essa taxa chega a 75%, 11 pontos acima da média. Já nas capitais da região ela fica ligeiramente abaixo da média, sendo de 61%.

Entre os paulistas, 59% se dizem católicos e 20% evangélicos pentecostais. Entre os que moram na cidade de São Paulo, 54% se declaram católicos (10 pontos abaixo da média nacional) e 20% se dizem evangélicos pentecostais. Entre os que residem no interior do Estado essas taxas são de, respectivamente, 64% e 19%. Nas cidades localizadas em regiões metropolitanas do Estado, sem contar as capitais, a taxa de evangélicos pentecostais chega a 24%, sete pontos maior do que a média nacional.

A exemplo do que ocorre em São Paulo, entre os moradores de municípios localizados em regiões metropolitanas do Estado do Rio de Janeiro, capitais excluídas, há mais evangélicos pentecostais. Nesse caso, eles são 29%, taxa 12 pontos superior à média nacional, e maior taxa verificada entre todos os segmentos analisados no estudo. Nessas cidades, a taxa de católicos é de 41%, 23 pontos abaixo da média do país, e a menor entre todos os segmentos analisados. Ateus e pessoas sem religião ficam acima da média, chegando a 13%.

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Humanização do ambiente de trabalho

10 de fevereiro de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: administracao, informacao

No Brasil parece que a humanização do ambiente de trabalho ainda está muito longe de ser verdade.

“Hoje, o trabalhador não deve empenhar apenas a força física, mas também a inteligência e a criatividade. Enquanto isso, o discurso empresarial dominante, divulgado pela mídia e aceito pela sociedade, exalta um novo contexto de humanização e flexibilização do trabalho, que cria uma suposta nova atmosfera do trabalho. Utiliza-se colaborador, ao invés de funcionário, líder, no lugar de chefe e gestor para o cargo antes chamado de diretor. Tudo isso serve apenas para justificar e encobrir uma exploração mais acentuada da força de
trabalho”.

A explicação é da psicóloga Márcia Bernardo, que pesquisou em seu doutorado, defendido no Instituto de Psicologia da Universidade de São Paulo (USP), como os trabalhadores vivenciam as novas propostas de organização do trabalho, que afirmam superar os problemas do chamado “taylorismo-fordismo”, modos de produção que limitam a participação e a autonomia dos trabalhadores, caracterizados pela produção em série.

Veja mais no portal Envolverde aqui.

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