Trechos de artigo de Jean Daniel, diretor do Nouvel Observateur. El País (06).
1. Aqui estão algumas lições que aprendi com meus professores. Eu me tornei um "reformista radical". Pratico a "moral do desconforto." Trata-se simplesmente de uma ética da esquerda. Eu não separo a liberdade da igualdade, nem a criação de riqueza da sua distribuição. Não há que acomodar-se na resignação. Sou a favor de uma não violência ofensiva.
2. Eu não quero mudar o mundo; quero reformá-lo. Na verdade, acho que o mundo muda por si só muito mais rápido do que o nosso desejo de mudá-lo. Mas se eu quero ser reformista, não é somente porque renunciei a revolução, mas porque eu acredito nos progressos, e faço questão de dizer que escrevi esta última palavra no plural. O século passado deveria nos levar a desconfiar de todas as revoluções, a entender todas as resistências e abraçar o espírito da reforma. Com a condição que essa conversão seja realizada com um radicalismo que impeça que os compromissos se transformem em arranjos. A democracia deve ser uma paixão.
3. A explosão dos dogmas e das ideologias deveria condenar-nos a humildade. Além das brigas políticas justas e do entretenimento das polêmicas, o imperativo já não é suportável. Decidi interessar-me sempre pelas razões de quem discorda de mim. A sabedoria consiste agora em nunca separar os conceitos de liberdade e igualdade. A primeira sem a segunda nos leva para a selva da competição. A igualdade sem liberdade conduz à uniformidade e a tirania. Não se deveria separar a preocupação pela criação de riquezas, da preocupação com a sua distribuição. O homem continua sendo a meta de toda a criação.
4. A partir desta perspectiva, o dinheiro só pode ser o símbolo de uma mercadoria e o instrumento que serve para fazer com que ela circule melhor. Quando a especulação leva a considerar o dinheiro como um fim e não como um meio – em outras palavras, quando o capital é "financeirizado" – a sociedade inteira se transforma em uma bolsa de valores que só pode escolher entre um individualismo cínico e um roubo organizado.
5. Não está no destino de uma vítima permanecer assim: depois da libertação, pode transformar-se em carrasco. Todos aqueles que aceitam responder a barbárie com a barbárie, utilizando as mesmas armas que seus inimigos e traindo assim os valores pelos quais lutam, deveriam manter presente esse pensamento. Na minha infância, aprendi a considerar a humilhação como um dos piores males da humanidade. A humilhação é a que mais profundamente fere a alma de um indivíduo ou uma comunidade. E o que está por trás das revoluções controladas e das revoluções fanáticas.
Via e-mail Ex-blog de César Maia. Apesar de concordar com ele – também sou um reformista e humanista radical, tentando sempre estar atento a minha reforma interior – há uma lacuna em comum a esses pensadores: esquecem que a liberdade e a igualdade devem vir conjugadas com a fraternidade. Sem esse princípio, a liberdade e igualdade se degeneram em egoísmo e tirania.
Marcadores: ética, fraternidade, politica
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