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Vídeo com tradução em português que resume o projeto de Economia de Comunhão, iniciativa de uma nova abordagem econômica e gerencial iniciada pelo Movimento dos Focolares.
Vídeo com tradução em português que resume o projeto de Economia de Comunhão, iniciativa de uma nova abordagem econômica e gerencial iniciada pelo Movimento dos Focolares.
Acabou de ser publicado o primeiro número da REDEC – Revista Eletrônica de Economia de Comunhão, da qual participo como editor adjunto. Ela tem a missão de contribuir para o desenvolvimento de uma abordagem teórica da Economia de Comunhão (EdC). A revista está hospedada no Centro Loyola de Fé e Cultura da PUC-Rio e tem como editor o prof. Roberto Cintra. Foram dois anos de trabalho e perseverança para concretizar este importante instrumento de desenvolvimento e debate da EdC.
A revista acadêmica Internacional Review of Economics publicou dois números com assuntos que merecem atenção:

Veja a programação completa aqui.
| de Eventos |
Na quarta-feira passada (17.03.2010) participei do evento TerceiraQuarta com Filosofia, na Faculdade São Luiz. Fui convidado para dar uma palestra sobre a Economia de Comunhão (EdC), fenômeno que venho pesquisando e colaborando há 10 anos. Estavam presentes Ana Fátima Athias, responsável regional do Movimento dos Focolares, e Celso Beppler, empresário da Metalsul de Joinville. O evento foi muito simpático. A Fátima explicou em linhas gerais a origem e características do Movimento, o Celso falou de suas experiências cotidianas de empresário que procura se orientar por valores éticos/espirituais, e eu apresentei uma rápida explicação sobre a EdC. Após a apresentação, o público – formado por seminaristas, empresários, estudantes e professores – colaborou com várias perguntas e comentários pertinentes.
Uma novidade para mim: a Faculdade, inaugurada em 2001, foi criada pela Congregação dos Padres do Sagrado Coração de Jesus, responsáveis por estabelecer o primeiro curso de filosofia de Santa Catarina, em 1933.
Vídeo (em italiano) que resume o projeto de Economia de Comunhão, iniciativa de uma nova abordagem econômica e gerencial iniciada pelo Movimento dos Focolares. Para comprar o vídeo completo, acesse aqui.
Via site da Economia de Comunhão.
Nos dias 14 e 16 aconteceu no Hotel Pestana em Salvador-BA, o XI Colóquio Internacional sobre Poder Local, promovido pelo Centro Interdisciplinar de Desenvolvimento e Gestão Social – CIAGS e pela Escola de Administração da UFBA.
Apresentei meu artigo Movimento dos Focolares e a Economia de Comunhão: Expressão de Economia Plural Originada da Religião (acesse aqui) na sessão Economia Plural e Solidária. Fiquei positivamente surpreso com o debate que se deu em torno do meu trabalho. Muitos ficaram curiosos, tanto que o coordenador da sessão me disse, num tom muito amigável e cordial, que a reação da platéia lhe lembrou de suas apresentações de alguns anos atrás quando estava pesquisando o Banco Palmas, na época um tema pouco conhecido. Brincou ao comparar minha apresentação do Movimentos dos Focolares e da Economia de Comunhão com um urso koala, para reforçar a impressão de ser um tema exótico aos olhos da platéia. Concordei com ele e completei dizendo que a religião é um realmente um koala na área de Administração. O que é uma pena, porque a religião é parte importante da cultura brasileira e sem ela não conseguimos explicar completamente muitos fenômenos sociais e econômicos.
A minha impressão foi que o Colóquio, por ser mais focado, teve uma qualidade melhor de debates e palestrantes do que o Enanpad. Apenas para se ter uma idéia, participou do evento Jean-Louis Laville, economista e sociólogo francês e autor fundamental na Economia Plural e Solidária, e Jean-François Chanlat, cientista social francês muito conhecido na área de estudos organizacionais pela obra O Indivíduo nas Organizações.
Voltei do evento com a esperança de que os encontros acadêmicos podem ser empolgantes. Basta centrarmos no que realmente é relevante.

Via Wordle
O texto a seguir é uma versão do que será publicado na revista GV-executivo v. 9, n. 1, jan./jun. 2010.
Coprodução como dimensão da responsabilidade social das empresas
Por Janice Mileni Bogo (ESAG/UDESC) e Mauricio C. Serafim (ESAG/UDESC).
Correntes de pensamento e propostas de prática que buscam ampliar o papel da empresa em suas relações com o ambiente social não são recentes. O clássico de Friedrich Engels, A situação da classe trabalhadora na Inglaterra, de 1845, já criticava as conseqüências sociais e políticas do modo de produção que estava se consolidando na Inglaterra. Ao longo do tempo, o significado do termo ‘responsabilidade social’ sofreu modificações e suscitou inúmeras controvérsias.
Uma delas e talvez a mais conhecida foi incitada pelo artigo escrito em 1970 por Milton Friedman, The social responsability of business is to increase its profits, segundo o qual a função da responsabilidade social das empresas (RSE) é gerar lucro dentro das regras do jogo. Toda e qualquer ação de cunho social seria tirar o dinheiro de alguém – seja dos acionistas, na forma de dividendos mais baixos, seja dos empregados, na forma de salários menores, seja do consumidor, na forma de preços mais altos. O posicionamento de Friedman gerou na época tanto reações a favor quanto contra. Um dos argumentos críticos a tal idéia é de que o contrato social que constitui a base sobre a qual se construiu o sistema da livre empresa mudou e que, atualmente, as responsabilidades são muito mais amplas. Em 1976, Friedman recebeu o Prêmio Sveriges Riksbank de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel (conhecido erroneamente como Nobel de Economia) “por suas realizações nos campos de análise de consumo, história e teoria monetária e por sua demonstração da complexidade da política de estabilização”.
A partir dos anos 1980 ganhou força o entendimento de que RSE exige um comportamento consciente e coerente com princípios éticos. Dessa forma, a ética passa a ser compreendida como o melhor tipo de auto-regulação. No decorrer dos anos 1990 surge a noção de grupos de interesse ou stakeholders, e a empresa passa a ser entendida como a expressão de interesses e de relações, bem como a catalisadora desses interesses, promovendo transparência e harmonia com valores éticos e capacidades humanas. Outras idéias recentes incluem: as de Peter Drucker, que propõe que a RSE deve estar integrada à estratégia empresarial; de Charles Fombrum, que juntamente com uma iniciativa do Financial Times, estimula a promoção da reputação da empresa por meio da publicação de relatórios anuais que incluíssem questões sociais; a idéia do capitalismo inclusivo de C. K. Prahalad e S. L. Hart para o desenvolvimento de produtos e serviços para os setores menos favorecidos; e, Michael Porter e Mark R. Kramer introduzem a idéia de vínculo entre vantagem competitiva e responsabilidade social. Tais avanços podem ser interpretados como fortes indícios de que a RSE está mais amadurecida e com mecanismos de suporte a práticas consistentes.
Os debates atuais se concentram na compreensão de que a responsabilidade social é uma responsabilidade ampliada, por incluir uma normatividade não obrigatória (ao estilo “é correto fazer isso, mas não é um dever”) nas dimensões em que as empresas atuam: a econômica, a social e a ambiental. Além disso, há o relacionamento transparente e a consideração dos interesses dos stakeholders gerenciando estrategicamente esses componentes. Estabeleceu-se um amplo entendimento no sentido de que, enquanto ator social excepcionalmente poderoso e influente, a empresa poderia escolher não apenas se autodisciplinar, mas se colocar formalmente a serviço do bem público, de modo a atuar nas limitações do Estado.
Dentre as razões que justificam as iniciativas de RSE estão a retribuição, a contribuição e a co-responsabilidade. A retribuição consiste na devolução das facilidades que a sociedade concedeu à organização para o seu desenvolvimento, bem como nas perspectivas que coloca a seu serviço para que assegurem seu futuro. A contribuição das empresas está na superação de deficiências, desajustes e desequilíbrios que existem nas suas áreas de atuação, atentando-se aos efeitos e impactos de suas operações, nos contextos mais amplos.
Nessa perspectiva, a co-responsabilidade é a possibilidade das empresas de somar esforços com as entidades com as quais compartilha um mesmo espaço geográfico e um mesmo tempo histórico, tais como o Estado, associações, ONGs e outras formas de organização civil. Como o Estado apresenta limitações no atendimento a todos os bens e serviços públicos demandados pela sociedade, as empresas podem atuar conjuntamente na busca de soluções para aqueles problemas e atender às necessidades que elas têm condições de realizar. Da mesma forma, estabelecer parcerias ou apoiar organizações do terceiro setor na abordagem de determinadas ações sociais são outras ações que poderiam ser levadas a cabo.
Essas propostas e idéias podem ser condensadas em uma categoria especial, denominada de coprodução do serviço público. Ela diz respeito à participação direta e ativa da sociedade civil organizada, Estado e organizações econômicas nos processos de elaboração, implementação, controle e avaliação dos serviços públicos. Por meio de participação e colaboração desses diferentes atores, podem-se definir as prioridades para as políticas públicas e colocar a democracia como um critério real de desenvolvimento dos serviços públicos. As empresas, ao proporem ações de RSE nessa perspectiva, estarão ampliando suas dimensões de atuação, na qual uma delas é pouco comentada no contexto da RSE: a dimensão política (em seu sentido amplo). Em outras palavras, as empresas que atuam em forma de coprodução estarão contribuindo para a mudança e melhoria da qualidade dos serviços públicos.
O termo coprodução foi originalmente criado nos anos 1970 por Elinor Ostrom, professora da Universidade de Indiana e ganhadora – juntamente com Oliver Williamson – do Prêmio de Ciências Econômicas em Memória de Alfred Nobel deste ano. Entre outras coisas, Ostrom defendeu que, em alguns casos, a propriedade comum pode ser bem gerenciada pelo estabelecimento de regras pelas pessoas que as permitem conviver em harmonia entre si e com o seu ambiente natural, independente de regulação por autoridades centrais ou privadas.
Mais de 30 anos separam os dois ganhadores do Prêmio de Ciências Econômicas de 1976 e 2009. E essa distância temporal também representa uma distância de abordagem e entendimento acerca do papel da RSE. Enquanto a abordagem de Friedman delimita a atuação das empresas ao aspecto exclusivamente privado, a abordagem de Ostrom nos inspira a considerar o aspecto ambiental e político. E essa compreensão transcende o ambiente interno das organizações. Como explica Klaus Schwab – fundador e executivo chefe do Fórum Econômico Mundial – seu artigo Global Corporate Citizenship, as corporações globais não têm somente uma licença para operar, mas também o dever civil de contribuir com a sustentabilidade do bem estar no mundo em cooperação com governos e sociedade civil. Isso pode incluir, entre outros, mudanças climáticas, corrupção, educação, pobreza, e disponibilidade de água potável. Desafios que a proposta de coprodução poderá ajudar a encontrar alguns caminhos de superação.
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