Sites de redes sociais e amizade

11 de setembro de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: sociedade, sociologia, tecnologia

Do blog de Tiago Dória :

Pesquisa feita pela Sheffield Hallam University e publicada no Guardian indica que as redes sociais não ajudam a criar amizades mais profundas . Esse estudo vai ao encontro do que Mark Zuckerberg , CEO da Facebook , afirmou em uma entrevista à revista TIME .

Redes sociais online – Orkut, Facebook, MySpace – servem muito mais para fortalecer laços que já mantemos com algumas pessoas no mundo offline do que para criar novos contatos. Ou seja, não existe segredo – as redes sociais são apenas potencializadoras do mundo offline .

Em relação a amizades em redes sociais, o que existe atualmente é uma confusão no uso do termo “amigo” neste tipo de site . Nem toda pessoa que está em sua lista no Orkut, por exemplo, é amigo; por isso, o correto seria as redes sociais adotarem o termo “contato”.

Ou ainda – fornecer meios para usuários qualificarem seus contatos entre: colegas profissionais, amigos, familiares etc.

Projeto de nação e desintegração nacional

30 de agosto de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: politica, sociologia

“Um projeto de nação…”, FHC começou. “A pergunta pressupõe que exista um centro decisório, alguém que planeja. Não há mais. O Brasil é um dos últimos países a ter Ministério do Planejamento; na América Latina, acabaram todos. [...]

[...] Fernando Henrique se aproxima de um dos temas que mais o têm ocupado, o da desintegração nacional: “Quais são as instituições que dão coesão a uma sociedade? Família, religião, partidos, escola. No Brasil, tudo isso fracassou. Na América Latina, em certos lugares, 50% das crianças não têm pai, a família se dissolveu. A religião preponderante é a católica, que vive uma crise danada depois que decidiu se lançar na política. As igrejas pentecostais são a própria expressão da fragmentação. Os partidos fracassaram. O último deles foi o PT, que cumpria um papel importante como aglutinador de entusiasmo. No meu governo, universalizamos o acesso à escola, mas pra quê? O que se ensina ali é um desastre. A única coisa que organiza o Brasil hoje é o mercado, e isso é dramático. O neoliberalismo venceu. Ao contrário do que pensam, contra a minha vontade”.

Trechos da excelente matéria/entrevista de João Moreira Salles com o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso. Acesse na íntegra aqui.

Riso e sociedade

12 de agosto de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: ciencia, neurociencia, sociedade, sociologia

Neurocientistas da Universidade de Maryland, nos Estados Unidos, descobriram que a risada tem pouco a ver com senso de humor e é, na verdade, uma ferramenta de instinto de sobrevivência para animais que convivem em sociedade. Há séculos, teóricos como Platão. Aristóteles, Kant e Freud tentaram explicar o riso baseados na premissa errada de que eles estariam explicando também o que seria o humor.

[...] O estudo também mostrou que a maioria das pessoas (principalmente as mulheres) riem mais enquanto conversam do que os outros que lhe ouvem, usando as risadas como um tipo de pontuação para suas sentenças. É um processo em grande parte involuntário. As pessoas podem conter o riso, mas poucos conseguem forçar o riso de forma convincente.

Portanto, os pesquisadores concluiram que o ato de rir é um dos sinais sociais mais honestos porque é difícil de ser fingido. Ele é uma espécie de fóssil do comportamento, que evidencia as raizes que todos os seres humanos, e talvez todos os mamíferos, têm em comum. A risada primitiva, então, evoluiu como um dispositivo sinalizador com a função de destacar a compreensão de interação amigável entre duas pessoas.

Os humanos começam a rir aos quatro meses e depois progridem das cócegas para mecanismos mais sofisticados, como piadas. O riso pode ser usado para reforçar os laços de solidariedade e identidade de um grupo, ao satirizarem e isultarem pessoas de fora da unidade, mas é sobretudo um “lubrificante” social. É uma maneira de fazer amigos e também de deixar claro quem pertence a quais posições na hierarquia do status social.

Via revista Galileu. Acesse o texto na íntegra aqui .

O lado negativo da diversidade

7 de agosto de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: administracao, ciencia, sociedade, sociologia

O professor da Universidade de Harvard, Robert D. Putnam , é um cientista social muito conhecido nos Estados Unidos, principalmente depois da publicação em 2001 de seu livro Bowling Alone , no qual tratou sobre o tema capital social em seu aspecto comunitário. No Brasil, ele é mais conhecido pelo seu trabalho Comunidade e Democracia: A experiência da Itália moderna , que procura por meio de dados empíricos relacionar a organização da comunidade civil com o desenvolvimento de instituições eficientes.

Em junho deste ano Putnam publica um artigo na revista científica Scandinavian Political Studies ( acesse aqui ) que promete render muita polêmica. Seu estudo, baseado em 30 mil entrevistas realizadas em vários locais dos Estados Unidos, não deixa de provocar um certo tipo de choque. A diversidade vem sendo tratada em vários campos de estudo como algo intrinsecamente bom, tanto como princípio como em seus resultados práticos. Mas as conclusões da análise dos dados faz Putnam ir contra a corrente.

Seus achados concluem que “quanto maior a diversidade em uma comunidade, menos pessoas votam, fazem voluntariado, fazem doações à caridade ou se engajam em algum projeto comunitário. Na maioria das comunidade em que há diversidade, as pessoas possuem a metade da confiança em seus vizinhos se comparado a uma comunidade com bem mais homogeneidade. O estudo, o maior já realizado nos Estados Unidos sobre o engajamento civil, encontrou que praticamente todas as medidas de saúde cívica são menores em ambientes com mais diversidade”.

Dito de outra maneira, a diversidade étnica parece provocar uma diminuição do capital social em uma comunidade. E essa conclusão deve gerar debates que podem abordar vários temas, como a imigração, espaço público e o papel da escola.

Via The Boston Globe .

Celulares e amizade

5 de agosto de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: economia, empresa, sociedade, sociologia, tecnologia

Angel Jennings publicou uma reportagem muito interessante no New York Times ( acesse aqui ) sobre o impacto dos telefones celulares na rede de amigos, principalmente entre os mais jovens, que utilizam seus telefones como extensão de si mesmos: fazem chamadas, consultam o relógio, usam o despertador, jogam, marcam compromissos na agenda, acessam a internet, enviam mensagens, escutam música, fazem cálculos, batem e enviam fotos.

Entre os diagnósticos são citadas pesquisas – cujos resultados estão mais próximos do senso comum – que mostram como os celulares valorizam e incentivam os laços fracos de amizade em detrimento dos laços fortes, esses criados a partir de contatos face-a-face. Entretanto, há outros estudos que mostram que os mais jovens conversam mais no celular e trocam mais mensagens com amigos mais íntimos (ou seja, com quem possuem laços mais fortes). Isso pode sugerir que a tecnologia pode estar sendo adaptada para que os amigos se mantenham por perto, adicionando essa perspectiva à interpretação mais comum de que é a tecnologia que afeta a rede de amigos. A troca constante de mensagens, por exemplo, tem uma grande carga simbólica como um gesto de amizade. Neste caso, o que está é afetada é a maneira como está sendo manifestada a amizade.

Além da relação entre tecnologia e rede de amigos, a reportagem acrescenta uma nova variável nesta equação: os planos das operadoras de telefonia e a troca de operadora incentivada por esses planos. Relações de amizade podem ser afetadas de maneira negativa pelas trocas de planos ou de operadoras por dificultar ou tornar mais caro o contato com amigos que não compartilham do mesmo plano. Neste caso, uma decisão econômica – adquirir um plano com mais vantagens em relação ao custo – pode modificar significativamente a rede social de amigos ao “fatiá-la” de acordo com esse plano.

Como Jennings observa, antes do advento dos telefones celulares e da Internet era a distância que nos afastava. Hoje, é a capacidade de acessar ou ser acessado por uma rede social intermediada pela tecnologia. O nosso papel é fazer um bom uso disso.

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