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IHU On-Line – Serão as análises de Weber sobre as religiões, em particular o cristianismo, pertinentes para uma reflexão sobre o fenômeno religioso na contemporaneidade, na qual há uma “revanche da religião”?
Colliot-Thelene – Weber deu uma grande importância para a influência que as religiões puderam exercer sobre a conformação das condutas de vida dos indivíduos, notadamente sobre suas práticas econômicas. Ele tinha a convicção, entretanto, de que nas sociedades ocidentais modernas, essa influência basicamente havia se esgotado. Podemos pensar que, diante dos diversos fenômenos do mundo contemporâneo, que se resume falando no “retorno das religiões”, ele teria modificado seu diagnóstico. O essencial é que encontramos em seus ensaios de sociologia das religiões múltiplas análises que ilustram os efeitos que as diversas religiões podem exercer sobre as condutas de vida, onde cabe a nós atualizarmos essas análises.
IHU On-Line – Para Weber, quais eram as implicações das orientações religiosas na conduta econômica das pessoas? Como ele estabelece essa relação?
Colliot-Thelene - Essas implicações divergiam conforme o estilo das religiões, em particular a natureza da “salvação” que elas deixavam seus adeptos a esperar. Do ponto de vista de seu efeito para as práticas econômicas, a diferença mais fundamental, no entender delas, era a que separa as religiões que valorizam a ação no mundo diário (o confucionismo, ou, por razões radicalmente diferentes, o protestantismo), e as que, ao contrário, têm uma atitude negativa para com este mundo e favorecem a indiferença ou o distanciamento para com ele, como o budismo, por exemplo.
Trecho da entrevista da filósofa Catherine Colliot-Thelene publicada no IHU On-line. Leia mais aqui.

“Redes sociais e sociologia econômica são duas abordagens que se encontram em franca expansão e reconhecimento acadêmico. Ambas podem ser utilizadas para se compreenderem inúmeros fenômenos contemporâneos nas áreas de Administração Pública e Privada, Economia, Antropologia, Ciência Política e Sociologia. As duas abordagens contribuem de forma inovadora para a compreensão de questões clássicas das Ciências Sociais: de que modo as instituições e estruturas sociais conformam os mercados e as organizações econômicas? Como a estrutura de relações, o contexto social e os processos históricos afetam a organização da produção, a troca e o consumo? Neste livro, o leitor encontrará trabalhos já considerados clássicos de elaboração teórica sobre redes e sociologia econômica e trabalhos recentes, que têm como base pesquisas empíricas produzidas no Brasil. O livro pretende contribuir para que os sociólogos voltem a se debruçar sobre os fenômenos centrais da vida econômica, tais como a construção social dos mercados, o impacto das normas e instituições sobre os agentes, as representações, crenças e valores que propiciam a cooperação ou a competição, a criação e o desenvolvimento de várias formas de capital. Os sociólogos não devem restringir seus interesses aos aspectos irracionais da ação ou das organizações econômicas, mas repensar as noções de racionalidade, preferências, mercado e demais conceitos fundamentais da economia.”