Redes sociais e a solidão contagiante

1 de dezembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, pesquisa

Redes sociais e a solidão contagiante

Certa vez, comentando uma pesquisa que trabalhava a hipótese de que a obesidade pode ser contagiosa com a minha orientadora do doutorado, ela comentou informalmente que ela acreditava que tudo o que pode se espalhar o faz via rede. Fiquei com isso em mente, até para brincar um pouco com a idéia.

Hoje eu li essa reportagem que defende idéia semelhante: que a solidão pode ser contagiosa como uma gripe, ou seja, ela se espalha via redes sociais. A pesquisa foi publicada no Journal of Personality and Social Psychology (é possível obter uma cópia aqui ) e contou com a participação de três universidades americanas – Universidade da Califórnia San Diego, Universidade de Chicago e de Harvard – sob a coordenação do psicólogo John T. Cacioppo , da Universidade de Chicago.

Além da hipótese, o estudo é muito interessante por coletar dados desde 1948, inicialmente com um grupo de mais de cinco mil pessoas e depois abrangendo para seus filhos e netos, chegando a 12 mil pessoas no total. A pesquisa é a última de uma série que busca entender como hábitos e sentimentos se disseminam via redes sociais. Os estudos anteriores sugeriram que a obesidade (mencionada acima), a felicidade e o hábito de fumar são contagiantes.

É o tipo de pesquisa que tem impacto em um espectro amplo de áreas, como a saúde pública, administração pública, qualidade de vida, capital social, psicologia social e políticas públicas.

Internet e intimidade

14 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, ciencia, sociedade, tecnologia, vida

Gostei da palestra do TED de Stefana Broadbent e sua interpretação de como a Internet possibilita nossa intimidade nas instituições, principalmente ao permitir que possamos nos comunicar com as pessoas de quem gostamos no nosso ambiente de trabalho. De uma certa forma, a tecnologia está nos dando a liberdade de furarmos o bloqueio que a burocracia moderna estabelece a nossa vida privada.

Uma boa reflexão aos estudiosos das instituições, organizações e da burocracia.

Via Doosiê Alex Primo .

Max Weber: Religião e economia

11 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, religiao, sociologia
IHU On-Line – Serão as análises de Weber sobre as religiões, em particular o cristianismo, pertinentes para uma reflexão sobre o fenômeno religioso na contemporaneidade, na qual há uma “revanche da religião”?

Colliot-Thelene – Weber deu uma grande importância para a influência que as religiões puderam exercer sobre a conformação das condutas de vida dos indivíduos, notadamente sobre suas práticas econômicas. Ele tinha a convicção, entretanto, de que nas sociedades ocidentais modernas, essa influência basicamente havia se esgotado. Podemos pensar que, diante dos diversos fenômenos do mundo contemporâneo, que se resume falando no “retorno das religiões”, ele teria modificado seu diagnóstico. O essencial é que encontramos em seus ensaios de sociologia das religiões múltiplas análises que ilustram os efeitos que as diversas religiões podem exercer sobre as condutas de vida, onde cabe a nós atualizarmos essas análises.

IHU On-Line – Para Weber, quais eram as implicações das orientações religiosas na conduta econômica das pessoas? Como ele estabelece essa relação?

Colliot-Thelene – Essas implicações divergiam conforme o estilo das religiões, em particular a natureza da “salvação” que elas deixavam seus adeptos a esperar. Do ponto de vista de seu efeito para as práticas econômicas, a diferença mais fundamental, no entender delas, era a que separa as religiões que valorizam a ação no mundo diário (o confucionismo, ou, por razões radicalmente diferentes, o protestantismo), e as que, ao contrário, têm uma atitude negativa para com este mundo e favorecem a indiferença ou o distanciamento para com ele, como o budismo, por exemplo.

Trecho da entrevista da filósofa Catherine Colliot-Thelene publicada no IHU On-line. Leia mais aqui .

Sociologia econômica: Época e eventos

6 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, ciencia, sociologia

Um material muito interessante que traz eventos, autores e sua época relacionados à sociologia econômica. Acesse aqui .

Fonte : FONTELLA, Odil Matheus.  Sociologia Econômica: épocas e eventos. Curso, texto de apoio. Programa de Pós-Graduação em Sociologia (PPGS), Instituto de Filosofia e Ciências Humanas (IFCH), Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Porto Alegre, maio de 2009.

Sociologia econômica em evidência

4 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, ciencia, redes sociais, sociologia

Foi publicada esta semana pela Agência FAPESP uma entrevista com a profa. Ana Cristina Braga Martes sobre o campo da Sociologia Econômica e o lançamento de seu livro .

A profa. Ana Cristina foi nossa convidada como palestrante no I Seminário de Sociologia Econômica e Organizações que aconteceu na ESAG/UDESC no último dia 26.

Confira a entrevista completa aqui .

I Seminário Sociologia Econômica e Organizações

20 de outubro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, administracao, sociologia

Como atividade de encerramento da disciplina Tópicos Especiais – Sociologia Econômica e Organizações , oferecida no Mestrado Profissional em Administração da ESAG/UDESC , a profa. Carolina Andion , eu e os alunos estamos organizando este seminário:

I Seminário Sociologia Econômica e Organizações

+ Ciência

18 de outubro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: ciencia, sociedade

Já se passaram 400 anos da primeira observação de telescópio por Galileu Galilei e 150 anos da publicação de A Origem das Espécies , de Charles Darwin, e muita gente ainda parece não ter percebido. No Brasil, em particular, devido aos problemas da educação e a inclinações culturais, os conceitos não parecem ter sido assimilados; há ainda muita confusão sobre seus valores e limites. Associa-se sempre o conhecimento científico à arrogância, à falta de humildade, à vaidade de explicar “coisas maiores que nós”, como tanto se ouve dizer. Mesmo pessoas de boa formação afirmam, por exemplo, que a ciência não pode provar que Deus não existe, como se esta fosse a questão central. E assim as contribuições desde Copérnico até o Genoma ficam mal compreendidas e, pior, não se sente nelas o encantamento com a natureza que lhes é inerente. Nem mesmo todas as efemérides em livros, revistas e jornais conseguem mudar isso. [...]

Precisamos de mais mentalidade científica nas escolas, de mais fundações de amparo público e privado, de melhores museus, de mais autores de livros que não fiquem apenas no didatismo gracioso – e que vejam esse trabalho no mesmo patamar da própria pesquisa. Afinal, obras como Vida Maravilhosa , de Stephen Jay Gould, e Cosmos , de Carl Sagan, para citar apenas dois críticos do determinismo que muito me marcaram quando jovem, são o melhor caminho. Revelam a fascinante tapeçaria da natureza e nos convidam a partilhar o pouco que sabemos, independentemente de haver ou não um criador. Só assim os delírios e as calúnias poderão perder espaço para o encanto das ciências.

Trecho desse texto imperdível de Daniel Piza.

Conselho para quem vai redigir um trabalho acadêmico

30 de setembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, ciencia

Deve-se escrever da mesma maneira como as lavadeiras lá de Alagoas fazem seu ofício. Elas começam com uma primeira lavada, molham a roupa suja na beira da lagoa ou do riacho, torcem o pano, molham-no novamente, voltam a torcer. Colocam o anil, ensaboam e torcem uma, duas vezes. Depois enxáguam, dão mais uma molhada, agora jogando água com a mão. Batem o pano na laje ou na pedra limpa, e dão mais uma torcida e mais outra, torcem até não pingar do pano uma só gota. Somente depois de feito tudo isso é que elas dependuram a roupa lavada na corda ou no varal, para secar. Pois quem se mete a escrever devia fazer a mesma coisa. A palavra não foi feita para enfeitar, brilhar como ouro falso; a palavra foi feita para dizer.

Graciliano Ramos

Via site do prof. José Eli da Veiga

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