Esse é o “word clouds” (via Wordle) do meu artigo “Capital espiritual e empreendedorismo” que será apresentado no I Seminário Nacional de Sociologia Econômica na próxima quinta-feira, às 13h30. Vc pode ver a programação aqui.
O tamanho das palavras é proporcional à quantidade de vezes que aparecem no texto. Algumas siglas – como KS (capital social) e KE (capital espiritual) – estão destacadas. Para quem se interessar pelo artigo, estará disponiblizado no site do evento.
Está em fase de elaboração o Observatório Social de Florianópolis, uma ONG que buscará promover uma maior transparência dos serviços públicos da cidade de Florianópolis. Várias entidades estão envolvidas e a participação de todos os interessados é incentivada. O envio de sugestões para o aperfeiçoamento do Estatuto é até o dia 19/05, por meio da rede social Ning (acessada aqui – é necessário o registro).
O documentário “Inverno demográfico: o declínio da família humana” expõe as severas consequências econômicas e sociais da fragilização da família e da queda da taxa de natalidade em todo o mundo.No “Inverno demográfico”, acadêmicos de várias áreas apresentam o contexto econômico, social, demográfico e histórico do declínio da população e o impacto que as famílias têm na resiliência e na estabilidade da sociedade.
Os autores, dentre eles um ganhador do Prêmio Nobel, mostram como a existência de um capital humano forte é necessária para cada economia. O desenvolvimento deste depende mais das famílias de que é constituído do que de qualquer outra instituição. Eles ainda apontam para a necessidade de se constituir um forte capital moral e social, melhor constituído dentro da família, como uma base para este capital humano.
Realçam, também, como o apoio à família é crucial no desenvolvimento das capacidades e da educação. As sociedades e as economias estáveis dependem fundamentalmente destes elementos vitais.
O “Inverno Demográfico” mostra como, ao contrário do mito popular, as taxas de natalidade têm caído dramaticamente nos últimos 40 anos e que uma parte importante do mundo tem agora taxas de natalidade bem abaixo dos níveis da reposição.
Alguns países já começaram a reduzir em população, e cedo começarão a sentir o efeito de uma economia em contração. Segundo os autores, a população mundial, particularmente em países desenvolvidos, está envelhecendo.
A geração do baby-boom atinge a idade da reforma e será sustentada pelas gerações que as sucederam, que têm tido cada vez menos filhos. Isto significa uma cada vez menor população ativa a pagar os sistemas da segurança social, o serviço de saúde e o bem-estar mundial.
As economias serão postas à prova e os governos terão cada vez menor capacidade de resposta com a queda na produtividade e na coleta de impostos sobre o rendimento.
O filme mostra como os países em desenvolvimento, com uma fertilidade abaixo do nível de reposição, têm olhado para a imigração como solução para manter a sua capacidade laboral.Este crescimento da imigração, vindo quase exclusivamente dos países em vias de desenvolvimento, tem vindo a alterar a paisagem social e política nos países anfitriões. Esta emigração tem vindo a drenar a produtividade nos países em vias de desenvolvimento, retardando o crescimento das suas economias. Mais ainda, estes peritos dizem-nos que, sendo tão frequente a separação dos elementos da família, normalmente o pai, provocará grandes problemas sociais nos países de origem e as suas taxas de natalidade estão a cair mais rapidamente do que aconteceu nos países desenvolvidos.
“Inverno demográfico: o declínio da família humana” é o primeiro de dois filmes sobre este tópico.
O lado bom do programa é conhecido e trombeteado pelo próprio governo e pela mídia. Por isso, pulo diretamente para o que a pesquisa revela sobre "A dura realidade brasileira: famílias vulneráveis a tudo", título do artigo de Luciene Burlandy, professora da Faculdade de Nutrição da Universidade Federal Fluminense, e Rosana Magalhães, doutora em saúde coletiva e pesquisadora do Fiocruz.
Por que vulneráveis a tudo? Porque comer mal ou pouco não é o único problema dos elegíveis para receber o Bolsa Família. Falta-lhes também acesso a saneamento (esgoto e lixo), gás encanado e água potável. Mais da metade (57,4%) não tem esgoto.
Só 43,7% tiveram trabalho remunerado no mês anterior à pesquisa, sendo que deles meros 16% tinham carteira assinada. Mesmo comer, que é o principal benefício decorrente do Bolsa Família, não chega a eliminar o que os pesquisadores chamam de "insegurança alimentar". A maioria (54,8%) sofre de insegurança moderada (34,1%) ou grave (20,7%), fora 16% de crianças com desnutrição. Tudo somado, fica difícil qualificar só como pobre essa gente toda. São miseráveis. E não são poucos.
Entretanto, notei um aspecto particular muito interessante da pesquisa. É sobre o papel das mulheres no programa Bolsa Família. Seguem alguns recortes:
A maioria dos(as) titulares do PBF é de mulheres (94%) – a titularidade do cartão é concedida preferencialmente às mulheres e 27% dos(as) titulares são mães solteiras.
O recebimento do benefício não faz com que as pessoas deixem de procurar trabalho. Grupos focais apontaram que há abandono de trabalho quando este é de extrema precariedade, o que incluiu, nos relatos, situações de trabalho análogo à escravidão. O fato de os titulares serem, em sua maioria, mulheres pode explicar o baixo índice dos que tiveram trabalho remunerado no mês anterior à pesquisa (apenas 44%), já que parte das mulheres se dedica exclusivamente à gestão da casa.
- 87,5% dos titulares do PBF acham que a titularidade deve ficar no nome da mulher – a maioria das pessoas entrevistadas são mulheres. - 64% dizem que é porque elas “conhecem melhor as necessidades da família”, opção seguida por “tendem a gastar com alimentação e com os filhos” (17, 1%). - Existe um “consenso” tanto por parte dos benefifi ciados como de gestores em relação à titularidade preferencial às mulheres.
As mulheres afirmam que após o recebimento do benefício do PBF: - sentem-se mais independentes financeiramente (48,8%); - aumentou seu poder de decisão em relação ao dinheiro da família (39,2%); - passaram a comprar fiado ou a crédito (34%).
Um relato particularmente interesssante:
“Uns três meses eu me virei só com os R$ 45 do Bolsa Família, porque eu e o meu marido, a gente bririgava muito e ele me espancava demais. Então eu decidi me separar, saí de casa com meus três filhos e pra botar comida em casa eu só tinha os R$ 45, e foi isso que me deu mais força. O dinheiro do aluguel eu tenho, então o Bolsa Família vem e eu tenho como botar comida dentro de casa. Já vai fazer três anos que eu estou separada e está dando.” (Depoimento de benefi ciária do PBF em grupo focal em favela do Rio de Janeiro – RJ)
Conclusão da seção “relações sociais de gênero”: O PBF traz visíveis resultados na vida das mulheres, como o aumento de sua independência financeira, maior influência no planejamento dos gastos, e no próprio respeito que passam a infundir no âmbito familiar e na comunidade. Porém, ainda é muito baixo o investimento em políticas complementares capazes de garantir melhores condições para a inserção das mulheres no mercado de trabalho.
Os benefícios que o programa traz às mulheres é semelhante aos verificados em programas de microcrédito, principlamente os relatados por Muhammadd Yunus. Isso coincide com o que defendo: melhorar a qualidade de vida das mulheres faz com que se melhore a qualidade de vida da sociedade. Isso acontece porque as mulheres geralmente são o ponto de aglomeração de redes sociais. E tudo que se espraia – como os benefícios – se espraia por forma de redes.
Passei no supermercado Pão de Açúcar para comprar algumas coisas e como acontece todo domingo, faltam caixas para o atendimento e filas enormes se formam. Deve ser para dar a dose de estresse diário, que não poderia faltar no final de semana. Mas o que me chamou a atenção não foi a desorganização da empresa, que de caixa parecem não entender muito (lembro do episódio da venda pelo supermercado dos ingressos do show do U2 no começo deste ano, que teve sérias falhas, inclusive com repercussão internacional).
Ao notarem a fila e a impaciência dos clientes, o pessoal do supermercado abriu mais dois caixas. O que seria mais justo? Que as pessoas que estavam na fila há um bom tempo tivessem prioridade e fossem convidadas para irem para esses caixas. Mas o que aconteceu foi que as pessoas que estavam acabando de chegar, ao verem o caixa abrindo, foram as primeiras a serem atendidas. Não olharam para os lados, não quiseram saber o que seria mais justo ou mais gentil. A empresa errou ao não organizar a abertura dos caixas, mas o que me impressionou foi a falta de gentileza dessas pessoas que “não olharam para os lados”. Foram adiante sem se perguntar se alguém poderia ter a preferência no atendimento. Eram senhoras, pais de família, pessoas de classe média, que muito provavelmente recriminam os “políticos” e acham a corrupção um escândalo.
Penso que a medida para sabermos se uma sociedade vai bem é o grau de gentilezas e honestidade das pessoas no seu dia-a-dia. Assim como as borboletas são os animais mais sensíveis à radiação nuclear e podem servir como alerta a uma catástrofe iminente, o desaparecimento aos poucos da gentileza pode ser um aviso do embrutecimento da sociedade. O episódio do supermercado é uma manifestação desse embrutecimento? Se for, estamos dando marcha a ré no nosso processo civilizatório e cada vez mais longe de construir uma verdadeira nação. Se quisermos que o Brasil seja um lugar decente e que dê certo, é fundamental começarmos com as coisas que estão ao nosso alcance, aceitando de uma vez por todas que justiça e honestidade devem ser vivenciados primeiro por nós, no nosso cotidiano. Caso contrário, estamos reproduzindo em pequena escala o que estamos vendo em grande escala na nossa política por meio dos jornais e revistas. E na maioria das vezes, acreditando que o problema sempre são os outros.
Professor, editor e músico, atuo no curso de Administração Pública da ESAG/UDESC. Neste blog procuro fazer uma mistura de idéias "Aha!" (científica), "ah!" (estética), "ha ha!" (humor), e, eventualmente, "hã?" (dúvida e non sense).