Felicidade e economia [1] – Início de conversa

10 de abril de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, ciencia, comportamento, economia, pesquisa

Felicidade e economia [1]   Início de conversa

Por Sabrina Vieira Lima

Falar sobre felicidade é algo delicado, cheio de nuanças. Falar sobre a pesquisa da felicidade no campo da Economia parece ainda mais paradoxal – afinal, o que tem o dinheiro a ver com a felicidade?

Possivelmente, podemos descobrir juntos. É o que tem acontecido na ciência econômica desde os anos 1970. Lenta, mas, consistentemente, vem se firmando como linha de pesquisa. Ou mais, como um novo modo de olhar para os estudos de economia, aplicados e teóricos.

Para começar a desbravar um tema tão atual, tão instigante, tão intrigante quanto aparentemente controverso, sugiro um texto: A Felicidade está de volta , de Richard Layard.

Acredito que ele funcione como um digestivo: trata de temas profundos, procurando sintetizar teorias, pesquisas e ideias.

O começo pode parecer árduo ou confuso. Mas não desanime, pois, como diz o autor, “o desafio consiste em descobrir o que isso significa em termos de prioridades políticas em sociedades livres como as nossas”. Para tanto, ele lhe levará a pensar em termos de dinheiro, status ou renda, como também de respeito, relações sociais e saúde. Se você achar indigesto, não faz mal: guarde o que lhe fizer sentido. Se você achou que este foi apenas um aperitivo, então aguarde. Semana que vem tem mais.

Sabrina é a mais nova coloboradora desse blog. Veja aqui seu perfil .

Simpósio de Ciência e Espiritualidade – UFSC, 22 a 24 novembro 2008

1 de outubro de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, ciencia, religiao

Local: UFSC, Florianópolis, auditório da Reitoria.

Grande parte das universidades do mundo se desligou da pesquisa sobre o espírito e a espiritualidade, construindo uma Ciência materialista. No entanto, a própria ciência nunca provou que o materialismo seja a realidade existencial. Não obstante, a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que saúde é o estado de completo bem-estar do ser humano integral: biológico, social, ecológico e espiritual. No Instituto Nacional de Saúde dos Estados Unidos, mormente, nas Universidades de Lowa, Duke e Stanford foram tabulados dados de mais de 42 pesquisas científicas sobre medicina e espiritualidade, acompanhando informações sobre a saúde e o comportamento de 125.826 cidadãos.

Dessa forma, observa-se o crescimento do número de universidades e centros de pesquisa no mundo que tenta resgatar a espiritualidade como território de pesquisa [1] . Em consonância com tais iniciativas, por intermédio do esforço coletivo de alguns alunos, professores e pesquisadores da Universidade Federal de Santa Catarina, e de outras universidades brasileiras, pretendemos trazer para a UFSC a discussão sobre Ciência e Espiritualidade.

Dando seguimento a esse propósito é que estamos realizando, aqui na UFSC, o “I Simpósio de Ciência e Espiritualidade” – nos dias 22, 23 e 24 de novembro, do ano corrente, no Auditório da Reitoria, das 8h às 22h.

Nos três dias de evento buscar-se-á construir uma ponte entre ciência e espiritualidade. O evento contará com a participação de alguns cientistas da Universidade de São Paulo (USP), da Universidade Estadual de Londrina (UEL) e da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC). Eles farão apresentações a respeito de suas pesquisas e de evidências que têm surgido nessa área, corroborando a hipótese de um possível diálogo entre ciência e espiritualidade e sinalizando para novas perspectivas científicas de entendimento do Ser, com aplicações dos seus resultados junto à Medicina, Psicologia, Pedagogia, Sociologia e demais áreas do conhecimento e de atuação profissional e social.

REALIZAÇÃO
O evento está sendo organizado por um grupo de estudantes e professores dos Cursos de Graduação e Pós-graduação da UFSC (Administração, Filosofia, Psicologia, Medicina, Direito, Engenharia Elétrica, Ciências Sociais, Pedagogia e História). O Núcleo universitário, realizador do evento, é o Núcleo de Pesquisas e Estudos em Gestão Sócio-ambiental, do Programa de Pós-graduação de Administração da UFSC (CPGA), sob a coordenação do Professor Pedro Carlos Schenini, Dr. – Professor adjunto do Departamento de Ciências da Administração.

O coordenador geral do evento é o acadêmico André Coimbra Felix Cardoso – membro e pesquisador do Núcleo e aluno regular do Mestrado do CPGA – responsável por atender qualquer dúvida, necessidade de informações, ou entrevistas que por ventura os interessados venham a necessitar ou solicitar. Contato: (48) 9981-1305/331-9374(ramal 222)/282-1713.
E-mail: ancfelix@uol.com.br e ancfelix@yahoo.com.br

Leia mais aqui.

Hipótese para principiantes

28 de setembro de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, humor

Hipótese para principiantes

Um adeus a Ruth Cardoso

25 de junho de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, vida

Um adeus a Ruth Cardoso

Herdei o carinho e admiração a Ruth Cardoso de minha orientadora do doutorado na FGV-SP, Ana Cristina Braga Martes. Cris, como a chamo, foi orientada por Ruth no seu doutoramento na USP e trabalhou como sua assistente de pesquisa por vários anos. Seriedade na função de pesquisador, a importância da pesquisa de campo, a ética em todo o processo da pesquisa, respeito e liberdade de pensamento aos orientandos foram algumas das atitudes que Cris se orgulha de ter aprendido com Ruth.

Quando eu estava no final de minha tese, Cris me perguntou o que eu achava de convidarmos a Ruth para compor minha banca . Fiquei temeroso e inseguro porque julgava que a tese não estava no nível do quilate de Ruth. Mas confiei no bom senso da Cris. Ela me disse: “Mauricio, pode ter certeza que a Ruth vai ler sua tese com muito cuidado e carinho, e fará contribuições valiosas”. Certamente o convite a ela foi uma das melhores coisas que aconteceu no meu doutorado. Sua participação começou um dia antes de minha defesa, em uma mensagem encaminhada a minha orientadora, em que disse: “Adorei ler esta tese”. Essas quatro palavras mudaram o meu estado de ansiedade para serenidade, dando-me coragem para dar o último passo no doutorado. Ruth chegou sorridente no dia da defesa (22 de fevereiro de 2008). A primeira coisa que chamou minha atenção foi sua vitalidade, incrível para uma mulher de 77 anos. Conversamos um pouco, e contou-me que particularmente nas duas últimas semanas estava trabalhando intensamente na Comunitas na captação de recursos para os projetos em andamento. A banca iniciou com a Ruth fazendo seus comentários. Ela foi muito generosa e perspicaz na leitura de minha tese, contribuindo em muitos pontos com suas críticas. Seus elogios estão guardados comigo como um tesouro. E, por fim, compreendi melhor a razão da admiração que a Cris tem por ela.

Provavelmente sua participação em minha banca foi sua última atividade na academia. Perde a academia, mas também perde o país, perde a luta pelo fortalecimento da sociedade civil, perde o verdadeiro espírito público. Difícil hoje em dia que o desaparecimento de uma pessoa represente tantas perdas. Mas com a Ruth isso aconteceu.

Vale a pena conferir uma entrevista que a Dra. Ruth Cardoso concedeu à profa. Ana Cristina Braga Martes e ao prof. Mario Aquino Alves (ambos da FGV-SP) e publicado na Revista de Administração de Empresas, em 2006 . Tive a honra de ter participado desse texto como editor assistente. Para ler, acesse aqui .

I Congresso Sul-Brasileiro da Economia de Comunhão

27 de maio de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, administracao, ética, economia, economia de comunhao, educacao, empresa, religiao

Participantes dos três estados do sul do país e convidados poderão conhecer mais profundamente este novo agir econômico.

A Economia de Comunhão (EdC) é um projeto que envolve empresas dos cinco continentes. Os empresários que livremente aderem ao projeto decidem colocar em comunhão os lucros da empresa segundo três finalidades: ajudar as pessoas em dificuldades financeiras criando postos de trabalho e suprimindo necessidades elementares; difundir a “cultura do dar” e do amor; e desenvolver a empresa, que deve ser eficiente e permanecer aberta ao dom.

Com o tema Trabalho, Comunhão e Fraternidade, o congresso será aberto a empresários, estudantes e interessados, e terá momentos de formação técnica, apresentação experiências reais da EdC, exposição de empresas adeptas.

As inscrições devem ser feitas antecipadamente bem como a indicação da necessidade de hospedagem. Para realizar a sua inscrição acesso www.focolares.org.br/sul/edc .

Data: 21 e 22 de junho (sábado e domingo)

Horário: 9h (sábado) às 17h (domingo)

Local: Auditório Gregor Mendes (Bloco verde)

Inscrição: R$ 45,00

Hospedagem: R$ 35,00 (pernoite)

Informações:

  • Curitiba: 41 – 3244-5846 / 3077-2623
  • Florianópolis: 48 – 3244-4190 / 3244-0970
  • Porto Alegre: 51 – 3334-2579 / 3332-3498
  • Londrina: 43 – 3326-1820

Chamada de trabalhos – Call for papers (1)

17 de março de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, administracao, pesquisa, sociologia

Entrepreneurship and institutional change special issue in entrepreneurship and regional development

One of the most promising lines of inquiry in entrepreneurial studies is that exploring the influence of institutions on enterprising behaviour and organisations. It draws upon theoretical insights provided by old and new institutionalists, and economic sociologists: introducing notions such as governance structures, power and trust, the cost of transacting, habits and embeddedness in entrepreneurship research. Within this context, researchers view (invariably implicitly) institutions as given, and individuals or social groupings as malleable agents whose actions – in part or in whole – may be externally defined. This assumption rests upon the widely held conceptualisation of institutions as the repository of common knowledge and the embodiment of accepted practice in society. Institutions are stable, and maybe resistant to change, but not unchangeable. Evidence supporting this argument emanates from historical studies into the development process as well as more recent transition studies. However, to date there is little research into the role of entrepreneurs in shaping institutions. This is despite the fact that the innovator-entrepreneur (as conceived by Schumpeter) may be legitimately viewed as one of the main drivers of institutional change.

Within this context, Entrepreneurship and Regional Development would like to invite papers exploring how entrepreneurs may influence (positively or negatively) the process of institutional change at the local, regional and national level. The papers will form a Special Issue on the theme of Entrepreneurship and Institutional Change. This will be co edited by Prof. Christos Kalantaridis (University of Salford) and Dr Denise Fletcher (University of Sheffield).

Papers may be conceptual or evidence-based. However, even evidence-based papers must gain insights from, and explore implications for theory. Thus, papers may exploit conceptual frameworks derived from oft used approaches, such as old and new institutionalisms and economic sociology. However, insights may be gained from robust but relatively less commonly deployed theoretical constructs such as Austrian and Schumpeterian economics, economic anthropology, economic history, development studies etc.

There are a number of areas of work that would be central to the Special Issue. These include the following:

* Entrepreneurial innovation as a driver of institutional change.

* Entrepreneurs and institutional development at the local and regional level.

* Social and community entrepreneurship and changing norms and institutions.

* Entrepreneurship, state capture and/or other forms of interaction with the state in influencing institutions.

* Entrepreneurship and the cost of transacting: power, trust and beyond

* Entrepreneurial conflict regarding the pace and direction of change.

* Entrepreneurs as obstacles in the process of institutional change.

* Destructive. entrepreneurship and institutional change.

Moreover, there are a number of areas that, though narrow and specialist, may provide useful insights into the core processes above. These include:

* The role of entrepreneurial individuals in shaping the institutional con text

* among ethnic minority groupings.

* Agricultural and rural entrepreneurs and changing property rights on lands .

* especially in cases where private property rights are introduced.

* Global entrepreneurs that may instigate discontinuous change at the local level.

The Special Issue is open to any rigorous methodological frameworks: both quantitative and qualitative. Papers may focus upon different levels of scholarly research. These may comprise of localised studies focusing at the micro-level, research at the meso-level, as well as macro-level national studies. Research on how entrepreneurs may influence the process of institutional change has significant implications not merely on policy formulation, but, more fundamentally, on defining the boundaries and limitations of policy actions. Therefore, authors are encouraged to explore the policy dimensions of their work.

The deadline for the submission of the papers is the 30th of September 2008. Papers will go through rigorous refereeing process in October-November. Authors of strong papers will also be invited to attend a Workshop, in order to strengthen the coherence of the Special Issue. It is envisaged that the Workshop will take place in the UK in early January 2009. Successful papers will appear in print in late 2009.

Deadline: September 30, 2008

Issue Date: November 30, 2009

Website: http://www.tandf.co.uk/journals/authors/tepnauth.asp

Contact Info: Christos Kalantaridis

phone: 44(0)161- 2955184

email address: c.kalantaridis@salford.ac.uk

Address – Centre for Enterprise and Innovation Research

Salford Business School

Manchester., UK M5 4WT

United Kingdom

Cartas à milanesa (III)

11 de maio de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, administracao, comportamento, cultura, politica, sociedade

Estou percebendo algumas diferenças do ambiente acadêmico da Itália em relação ao Brasil.

Cartas à milanesa (III) Fico surpreendido com o meu orientador italiano – prof. Alberto Martinelli, da Univeridade de Milão, um acadêmico com um currículo respeitável – que debate com seriedade temas como responsabilidade social empresarial, empreendedorismo e administração, que passam muitíssimo ao largo dos departamentos brasileiros de sociologia e ciência política. Prof. Martinelli – que trabalhou com Neil Smelser e Philip Selznick na Universidade de Berkley – se dedicou a esses temas abordando-os sociologicamente. Conhecendo seus livros e os de seus colegas que estão sendo publicados, percebo que há um grau de ideologização menor que no Brasil. Eles estão mais preocupados em analisar e compreender um fenômeno social – geralmente um problema atual, como a imigração, a pobreza, a União Européia e a globalização – oferecendo recursos teóricos para ações futuras de atuação na sociedade do que estabelecer terrenos ideológicos e ter comportamentos preconceituosos a alguns assuntos e temas, como acontece no Brasil. Para se ter uma idéia, um colega do doutorado da FGV me recomendou que eu não mencionasse a palavra “empreendedorismo” quando fosse falar com um antropólogo ou sociólogo brasileiro porque temas do universo da gestão não são bem aceitas, a não ser que seja do ponto de vista “crítico”.

Um outro fato que me surpreendeu foi um cartaz na Universidade Estatal de Milão que convidava para uma reunião os estudantes de “direita”. Fiquei parado, olhando o cartaz, quase não acreditando, porque é impossível imaginar que isso possa acontecer em uma universidade estatal brasileira. E fiquei me perguntando se a falta dessa diversidade de pensamento e do diálogo com quem pensa diferente não está fazendo muito mal ao meio acadêmico brasileiro. Será que não devemos reaprender, como na pintura deste post, com Platão e Aristóteles? Certo que eles não estavam discutindo sobre direita e esquerda, mas – como suas mãos sugerem – sobre o em cima (mundo das idéias) e o embaixo (mundo vivido). Bem, isso é uma outra história, mas fica a lição.

Mais repercussão

6 de março de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, comportamento, educacao, ensaio, sociedade

O artigo publicado na GV-executivo escrito pelo meu amigo Pedro Bendassolli e por mim foi comentado na coluna do professor da FGV-EAESP Thomaz Wood Jr. na revista CartaCapital. Para lê-la, acesse aqui .

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