Psiquiatria política: um novo campo de estudos

21 de abril de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: humor, recortes

Como vocês sabem, há a economia política, psicologia econômica, psiquiatria clínica etc. e tal. Como sofro de grau leve de megalomania, declaro que a partir de agora é inaugurado um novo campo do conhecimento humano, fundamental para se entender o Brasil: a psiquiatria política. Ainda não sei quais são os pilares ontológicos, epistemológicos, ideológicos e epidemiológicos deste campo, mas certamente será iniciada sua construção quando for aberto para o debate, encampado por um movimento (ou bancada, ou quadrilha ou, mais higienicamente, “grupos de interesse”), ter o “projeto” escrito, oferecer/obter favores, prometer que não vai dar “aquela” informação para algum jornalista fazer a denúncia, “convencer” o presidente da câmara dos deputados a colocar na pauta de votação, depois mais “debates” (ou seja, justificar porque o aumento de seu próprio privilégio – ou de seu grupo – é bom para a nação), votar contra a CPI do Apagão Aéreo… (trocando em miúdos, quando for politicamente correto). Mas enquanto isso não acontece, vou de medida provisória mesmo.

Primeiro caso aqui analisado é o aceite do ideólogo Roberto Mangabeira Unger para assumir a Secretaria… como é mesmo o nome? Ah, sim, Secretaria Especial de Ações de Longo Prazo (não, não se trata de bolsa de valores). Para entender melhor o caso, leia aqui .

Segue a fundamentação teórica, tirado do dicionário de psiquiatria , e depois volto:

“A Amnésia podem ser consideradas como graus de hipofunção da memória, ou seja, são diminuições do número de lembranças evocáveis. A Amnésia, por sua vez, seria a desaparição completa das representações mnêmicas correspondentes a um determinado tempo da vida do indivíduo [...] Ele diz ainda que a Amnésia não precisa ser completa, havendo várias gradações entre o nada absoluto e a lembrança incompleta.

Segundo Jaspers, ‘amnésias são perturbações da memória que se estendem a um período de tempo delimitado, do qual nada ou quase nada pode ser evocado (Amnésia parcial), ou ainda a acontecimentos menos nitidamente delimitados no tempo’. Em seguida, estuda quatro variedades de Amnésia:

1. Primeiro – Há profunda obnubilação da consciência mais do que perturbação da memória. Como nada se pode aprender na obnubilação, nada se pode fixar, ou seja, como nenhum acontecimento atinge a consciência, não será possível alguma reprodução.

2. Segundo – Aqui se verifica ser possível a compreensão durante algum período de tempo, porém a capacidade de fixação está profundamente diminuída, não sendo possível reter nada. Isso é comum em psicoses orgânicas, notadamente na Korsakov.

3. Terceiro – É quando certos acontecimentos podem ser compreendidos passageiramente, porém as disposições da memória foram destruídas por um processo orgânico bem delimitado no tempo. É, por exemplo, o que acontece nas amnesias retrógradas, após graves lesões cerebrais, em que desaparecem totalmente as experiências das últimas horas ou dias antes do acidente.

4. Quarto – Trata-se de amnésias extremamente acentuadas, normalmente de origem psicogênica, sendo o principal defeito uma alteração da capacidade de reprodução, apesar da soma das lembranças existentes estar conservada. Nesses casos, muitas vezes a solução é conseguida por meio de hipnose.”

Voltando, a partir da fundamentação, anunciarei a primeira hipótese a ser testada (por séries “históricas”): o convite a um cargo público causa amnésia . Simples assim. O difícil vai ser identificar qual variedade das listadas acima.

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