Política e religião (7)

22 de julho de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: politica, religiao

Do Ex-Blog de César Maia:

[…] A terceira etapa do populismo de referência neopentecostal veio com Marcelo Crivella, segundo homem na hierarquia efetiva da IURD. Vencedor na eleição para o senado numa chapa com esta característica liderada pela candidatura da Sra. Garotinho, testou mais duas vezes seu prestígio eleitoral nas eleições de 2004 para prefeito (21%) e de 2006 (14%) para governador.

Ele e sua assessoria chegaram à conclusão que este patamar de 15% a 20% não o levaria a vitória se não se afastasse formalmente da condição de "bispo" da IURD e se não tivesse uma proposta efetiva para estas comunidades mais pobres. Suas derrotas nas favelas em 2004 e 2006, apesar da boa votação exigiam mudanças.

E assim foi feito. "Desligou-se" pró-forma da IURD e do título de "bispo", e mobilizou os membros da IURD nas comunidades e nas ruas, pedindo que não declarassem que era esta filiação a razão de o apoiarem (embora estes não resistam e digam, hoje, a qualquer um a razão de estarem com as bandeiras azuis de Crivella, nas comunidades e nas ruas).

Trouxe um programa de intervenções nas comunidades, de forma a ter um carro-chefe de votos. E veio com recursos públicos, com o exército, apoio vice e presidencial, et caterva. O interessante é que ao propor o Cimento Social, não está trazendo rigorosamente nada de novo. De novo, só o nome. É exatamente a mesma "política de bica d’água" do chaguismo , onde se pinta uma casa, se doa um sanitário, uma bica para o banheiro, etc.

Volta o chaguismo de forma explícita. Até se afastar de mentirinha de sua igreja é igual, pois na época do chaguismo a presença de várias religiões exigia um vetor ecumênico e seus políticos circulavam com a mesma facilidade pelos terreiros, capelas católicas e cultos evangélicos (claro, sem a expressão de hoje).

É importante que todos saibam que o "crivelismo" representa apenas o chaguismo com outra roupa, que nem nova se pode dizer que seja. Que ninguém se engane e que todos se lembrem do atraso produzido pelo chaguismo na administração pública, nas políticas para os mais pobres e na plasticidade com que os recursos públicos eram tratados (que voltam à baila no caso recente das ONGs estaduais).

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