Para se entender a corrupção pós 2002: Patrimonialismo 2.0

/Para se entender a corrupção pós 2002: Patrimonialismo 2.0

Uma grande falácia que circula nos meios universitários e na mídia é a tentativa de igualar os casos de corrupção que envolvem o governo federal com a corrupção – que, por falta de palavra melhor, usarei “tradicional” – que aconteceu e acontece no mundo político, econômico e do dia-a-dia.

A circulação e aceitação dessa falácia é facilitada pela falta de compreensão ou de uma definição que esclareça o que de fato está acontecendo. Uma boa contribuição foi dada pelo Ex-Blog do Cesar Maia.

Com as delações premiadas estamos conhecendo um tipo diferente e sofisticado de corrupção. A do tipo tradicional é caracterizada geralmente pela apropriação privada de bens públicos, mas cuja abrangência está circunscrita no âmbito individual, familiar ou em pequenos grupos.

A corrupção pós 2002 é uma nova versão atualizada e mais enredada, uma espécie de patrimonialismo 2.0: é a “fusão entre Partido e Estado”, condensado no termo “corrupção de Estado”, com o objetivo de “perpetuar-se no poder financiando o partido, as
associações, sindicatos, ONGs e garantindo as vitórias eleitorais e o
controle do parlamento”. Acrescentaria ainda o aparelhamento por membros do partido dos fundos de pensão de empresas estatais e desvios de dinheiro dessas empresas via contratos superfaturados, licitações direcionadas e cobrança de “pixulecos” de empresas privadas por cada projeto aprovado.

Mais do que nunca nossas teorias e análises políticas precisam acompanhar a realidade.

By |2016-05-07T15:15:44+00:006/Maio/2016|administracao, politica, sociedade|