Novos dados sobre religião no Brasil

3 de maio de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: economia, religiao, sociedade

O Centro de Políticas Sociais – CPS da FGV do Rio de Janeiro divulgou no dia 02 de maio a pesquisa sobre a economia das religiões no Brasil. A pesquisa foi amplamente divulgada pela imprensa (veja no jornal Valor Econômico , Veja on-line , e portal G1 ). É possível acessar o texto do sumário executivo da pesquisa aqui .

A pesquisa mostra as mudanças recentes – de 2000 a 2003 – a partir dos microdados da Pesquisa de Orçamentos Familiares (POF 2003) do IBGE. Uma dessas novidades é que a proporção dos católicos (73,8%) se manteve estável neste período, que vinha caindo pouco mais de 1% ao ano desde 1990.

Os evangélicos continuam crescendo, de 16,2% em 2000 para 17,9% em 2003. Há duas novidades neste campo. A primeira é que a taxa de crescimento dos evangélicos tradicionais está mais acelerada que a dos evangélicos pentecostais, o que não vinha acontecendo nos anos 1990. A segunda é que os sem religião – cuja taxa caiu de 7,4% para 5,1% – estão se convertendo às igrejas evangélicas. Essa queda da taxa dos sem religião também pode significar que o país está mais religioso.

“A messe é grande e poucos são os operários” é mais verdadeira para a igreja católica. A proporção de pastores em relação aos padres é de 3,7 para 1, em uma população cuja proporção é de 4,7 católicos para 1 evangélico. Isso significa que há 18 vezes mais pastores evangélicos por adeptos do que padres por católicos. Os autores da pesquisa consideram esta “vantagem competitiva” como um dos fatores do contínuo aumento de conversões às igrejas evangélicas. Essa proporção é ainda maior nas metrópoles, principalmente nas periferias, cuja população é 25,5% evangélica, contra 16,7% formada de católicos. E é justamente este segmento da população que possui taxas maiores de crescimento populacional, o que pode ser um segundo elemento explicativo do crescimento das igrejas evangélicas.

Em 2004 e 2005 houve um aumento considerável na geração de emprego formal nas atividades religiosas. Em 2004 foram gerados 27 mil empregos líquidos (diferença entre empregos criados e destruídos) e em 2005, no período de janeiro a março, se registrou um aumento de três vezes do emprego líquido no mesmo período de 2005.

(Continuo).

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