Novos dados sobre religião no Brasil (continuação 2)

5 de maio de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: economia, religiao, sociedade

Ainda segundo a pesquisa da FGV (veja post abaixo), a maior concentração de católicos estão nos extremos das classes (neste caso, as classes se dividem da seguinte forma: A1 = acima de 45 salários mínimos/mês; A2 = entre 25 e 45 sm/m; B1 = entre 15 e 25 sm/m; B2 = entre 10 e 15 sm/m; C = entre 4 e 10 sm/m; D = entre 2 e 4 sm/m; E = até 2 sm/m). Os evangélicos pentecostais e tradicionais se concentram mais nas classes B, C e D. Os pentecostais também possuem um contingente considerável (10, 9%) na classe E e sua maior concentração está na classe D (14,9%). Os evangélicos tradicionais possuem maior concentração na classe A2 (8,7%).Em relação aos anos de estudo, a um decréscimo na adesão à igreja católica da faixa dos que possuem mais anos de estudos e um aumento dos menos escolarizados. Os evangélicos cresceram em todos os níveis, com destaque para a faixa de 1 a 3 anos completos de estudo nas igrejas pentecostais e para a faixa de 8 a 11 anos de estudos nas igrejas evangélicas tradicionais.

Sobre a renda familiar, a pesquisa afirma que a média católica (R$2.023) ocupa a sétima posição na classificação das oito categorias de religião consideradas. As igrejas pentecostais (média de R$1.496) ocupam a oitava posição e os evangélicos tradicionais estão em quarto lugar (média de R$2.202). O primeiro lugar é ocupado pelas religiões orientais, com média de renda familiar de R$5.447.

Sobre as doações feitas às igrejas, a porcentagem doada em relação ao orçamento familiar é a seguinte: evangélicos pentecostais (2,26%), evangélicos tradicionais (1,48%), sem religião (1,31%), orientais (0,61%) e católicos (0,54%). Do montante estimado de R$5,1 bilhões por ano, 44% do total são feitos pelos pentecostais, 22,7% são feitos pelos evangélicos tradicionais e 30,9% pelos católicos (dados de 2003). Dos que fazem doações, 57,7% são católicos, 26,6% são evangélicos pentecostais e 14,3% evangélicos tradicionais. Entretanto, levando em conta a relação populacional de católicos em relação aos evangélicos e os dados das doações, há 3 vezes mais doadores evangélicos por fiéis do que os católicos.

Sobre a participação da mulher na religião, a pesquisa constata que elas (96%) são mais religiosas que os homens (93,7%), mas as mulheres (73,1%) são menos católicos do que eles (74,5%). A pesquisa mostra que as mulheres estão migrando para religiões e igrejas alternativas ao catolicismo, como as evangélicas (principalmente as pentecostais). Os autores sugerem algumas explicações para esses dados. Uma delas são as mudanças ocorridas nos últimos 40 anos acerca dos direitos e comportamentos da mulher: elas competem no mesmo mercado de trabalho dos homens para desenvolverem uma carreira (não apenas para terem um emprego), e, com isso, precisam fazer o controle da natalidade com mais eficiência (em relação ao método natural defendido pela igreja católica). O discurso contra o uso de anticoncepcionais artificiais e, de forma mais abrangente, a característica patriarcal da igreja católica, pode contribuir para essa migração. Eu acrescento que, apesar da igreja católica dar a Maria (mãe de Jesus Cristo) uma espaço significativo na sua doutrina, não oferece igualdade de funções e de poder para as mulheres. Muitas igrejas pentecostais oferecem essa igualdade, incluindo a função de pastoras e episcopisas, o que pode fazer com que algumas mulheres se identifiquem mais com essas igrejas.

(Continuo).

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