Nenhum país é uma ilha

17 de dezembro de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: recortes

A situação do Brasil hoje lembra a de 1973. Naquela época, enquanto a economia mundial entrava em crise, causada pelo primeiro choque do petróleo, o Brasil continuava com seus grandes planos de desenvolvimento econômico e se declarava “uma ilha de prosperidade”. Agora não temos planos, mas a idéia da ilha de prosperidade está em toda a parte, alimentada pelo provável crescimento de 5% neste ano, que, segundo previsões otimistas, deverá se repetir no próximo.

[...] Os Estados Unidos podem estar entrando em recessão. E um novo medo está tomando os mercados: o de que o dólar continue a cair e saia de controle”. Os bancos centrais estão fazendo o que podem para controlar a crise, baixando juros e injetando liquidez no sistema, mas é preciso não superestimar seu poder.

Enquanto isso, na nossa ilha de prosperidade, nós, brasileiros, celebramos nossas modestas (quando comparadas com a dos demais países emergentes) taxas de crescimento, esquecemos que nossa taxa de câmbio é insustentável a médio prazo e não damos atenção ao fato de que no último trimestre as importações subiram 20,4% sobre o mesmo período do ano passado, contra crescimento das exportações de apenas 1,8%. No momento em que pesam nuvens sombrias sobre a economia mundial, nossa irresponsabilidade é exemplar.

Trecho do artigo de Luiz Carlos Bresser-Pereira , na Folha de S.Paulo ( acesse aqui ).

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