Miscigenação
Categorias: recortes, sociedade
Se falarmos em raça, sou um vira-latas, a mais universal de todas. Se falarmos em etnia, não faço a mínima idéia. Há uma lenda familiar já antiga que conta que a nossa prole se iniciou de um soldado espanhol fugido de uma guerra. Não se sabe qual guerra e nem quem foi esse tal soldado. Minha família tem outros sobrenomes que têm jeito de português. A família por parte de minha mãe suspeita que tem algo de italiano porque as pessoas da comunidade chamavam minha bisavó de italiana, mas é mera especulação. Meu avô por parte de pai dizia que tinha francês no meio desse mix [!] étnico. Mas a única certeza que tenho de minha ascendência vem da minha avó paterna, que era índia. Ela faleceu antes de eu nascer e soube que ela gostava muito de fumar cachimbo.
No Brasil é assim mesmo. Tenho pele e olhos claros, porém a minha única certeza é que sou descendente de índio. Se eu fosse julgado “no olho”, diriam que os traços europeus são prevalecentes em mim. Vim assim, na roleta jogada pelos genes. Mas diferentemente do que disseram algumas pessoas , o que eu tenho orgulho é dessa miscigenação que nos pegou a todos, e não porque me aproximo de uma maior pureza desta ou daquela raça (ou etnia). Enfim, tenho orgulho de ser brasileiro. (A pintura ao lado se intitula Mestiço , de Cândido Portinari, 1934).
Leia também: Transformações no Brasil nos últimos 60 anos .



[...] de domingo (1)Coragem de viverMiscigenaçãoDesvantagem competitivaDialética guardada a sete [...]