Amaryon
Apresentação da banda Amaryon, que participei como compositor, vocalista e violonista
Em meados do século XIX foram encontradas jazidas de carvão na região sul de Santa Catarina. Desde então, o chamado “ouro negro” vem influindo na economia e nas relações sociais nas cidades que nasceram embasadas na expectativa de um futuro promissor. Contudo, o futuro se apresentou como uma realidade na qual o meio ambiente se tornou prisioneiro de uma exploração cujo resultado foi a degradação dos recursos naturais. Um dos responsáveis por esse cenário foi uma máquina de extração de carvão a céu aberto chamada Marion. Considerada a maior máquina do mundo na década de 1970, deixou rastros de poluição, uma agressividade que ecoará por várias gerações.
Dois jovens nasceram e cresceram neste contexto. Eles se encontraram em 1997 e começaram a compor canções que têm como núcleo de suas letras a narrativa de situações e vivências de um mundo às vezes acessível, às vezes distante da felicidade, e melodias que tentam fazer ressoar dimensões esquecidas por um estilo de vida que se limita ao âmbito das necessidades, negando o âmbito da liberdade estritamente humana.
Em 2003 mais quatro jovens se integraram e, os seis juntos, criaram a banda AMARYON. O prefixo “A” acrescentado ao nome da máquina é uma atitude de questioná-la, de não aceitar as conseqüências provenientes de suas ações. É a busca de uma atitude positiva de respeito à Gaia, nossa oikos. Ao mesmo tempo o nome da banda agrega as três principais línguas do continente americano: o português (AMAR), o espanhol (Y) e o inglês (ON). Em uma tradução solta significa “amar e começar”. Isso está representada principalmente na letra “O” do logotipo da banda, que é o símbolo universal para os botões que ligam e desligam os equipamentos eletroeletrônicos. No caso da AMARYON, simboliza a escolha que as pessoas fazem de “ligarem” ou “desligarem” sua capacidade – humana, demasiada humana – de amar.
A proposta é a de criar canções que façam alguma diferença para quem as escutam. Ao oferecer beleza e esperança, a banda convida as pessoas a não saírem inalteradas dessa experiência sonora. E para que tenhamos esperanças, precisamos de sonhos, principalmente aqueles que nos movem em direção a um mundo muito melhor e nos fazem querer mudar o futuro a partir de agora. Precisamos, sim, de um Sonho Bom.
Integrantes: Mauricio Kant (voz/violão), Maní Kauss (baixo/voz), Conrado Locks Ghisi (guitarra), Jonas Locks Ghisi (bateria), Vicente Eastwood (guitarra e violão), Cleir Machado (teclado), e Marco Montandon (produtor).
Ouça o álbum completo aqui.
