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Categorias: tecnologia, vida
Falando numa perspectiva mais geral, o objetivo definitivo da tecnologia, a teleologia da techné, é substituir um mundo natural indiferente a nossos desejos – um mundo de furacões e dificuldades e corações partíveis, um mundo de resistência – por outro mundo que responda tão bem a nossos desejos a ponto de ser, com efeito, uma mera extensão do ser. Permita-me sugerir, finalmente, que o mundo do tecnoconsumismo é, portanto, incomodado pelo amor verdadeiro, restando-lhe como única escolha responder perturbando o amor.
Sua primeira linha de defesa é transformar seu inimigo em commodity.
[…] Os produtos tecnológicos de consumo nunca fariam algo tão pouco atraente, pois não são pessoas. Eles são, no entanto, grandes aliados e facilitadores do narcisismo. Além da ansiedade de serem curtidos já incorporada a eles, há também uma ansiedade de causarem boa impressão em nós. Nossas vidas parecem muito mais interessantes quando são filtradas pela interface sexy do Facebook. Somos os astros de nossos próprios filmes, fotografamos incessantemente a nós mesmos, clicamos o mouse e uma máquina confirma a sensação de que estamos no comando. E, já que nossa tecnologia não passa de uma extensão de nós mesmos, não precisamos desprezar seus traços manipuladores como faríamos no caso de pessoas reais. Trata-se de um ciclo interminável. Curtimos o espelho e o espelho nos curte. Ser amigo de uma pessoa significa apenas incluí-la na sua lista particular de espelhos elogiosos.
Trechos do texto imperdível de Jonathan Franzen no Estadão. Peguei daqui .
Categorias: arte, vida
Campanha "Rethink Possible" da AT&T. Via coluna de Ricardo Setti .
Categorias: vida
[...] Para podermos encontrar o outro, um outro inteiro, é preciso que já tenhamos realizado em nós mesmos a unidade entre o masculino e o feminino. Não se trata de procurar a outra metade, mas trata-se de procurar o outro, inteiro. Há muitos encontros de metades, mas há poucos encontros de seres inteiros. Procurar sua outra metade é sempre procurar a si mesmo, é procurar a metade que nos falta, a metade masculina ou a metade feminina. Ocorre que, quando tivermos vivido algum tempo com esta metade que veio de fora e graças a esta metade exterior integramos a nossa metade interior, poderemos nos perguntar o que faremos com essa que nos ajudou em nossa integração. Isso pode se transformar em um drama. Em um drama ou no momento em que verdadeiramente escolhemos. Porque eu não escolho mais para preencher a minha falta. Eu escolho por ele mesmo, pela sua diferença. O que era um casal se transforma em uma aliança de dois seres inteiros onde existe algo divino. O encontro entre a Sofia e o Logos, entre Yeshoua de Nazaré e Miriam de Magdala é o encontro entre dois seres inteiros.
Podemos dizer a alguém: “Não tenho mais necessidade de você, posso viver muito bem sem você, estou muito bem sozinho (é uma bela declaração de amor), mas escolhi viver com você.” Não falamos mais na ordem da necessidade, mas estamos na ordem do desejo. Não falamos da falta, mas da liberdade compartilhada. Nessa aliança existe algo de sagrado.
Texto de Jean Yves Leloup – Palavras da Fonte.
Categorias: arte, musica, vida
Recebi esta música de presente do dia dos professores. Dedico esta canção para as almas que estão um pouco cansadas, mas que encontram energia dentro de si para partilhar o que é preciso.
“Realize o seu sonho… dance com a gente!”
Categorias: vida
Somente quando nossos sentimentos são manifestados, eles podem colaborar para que nossa vida seja mais autêntica e nossas relações mais profundas. Manifestar o sentimento faz criar laços com os demais.
Quando manifesto minha gratidão com alguém, me comprometo com aquela pessoa e de certo modo me faço disponível a encontrar um meio de retribuir o bem feito. Também a pessoa que recebe a gratidão se sente confirmada em sua ação e comprometida com o futuro. Entre estas duas pessoas cresce a unidade.
Acredito que muitas vezes nossa ingratidão é medo de nos sentirmos obrigados com o outro, é medo de que me possam pedir algo. É medo de criar laços.
Quando necessitamos, forçados pela situação, somos pressionados a pedir, a suplicar… mas depois que conseguimos o que queremos, sem a pressão da necessidade, então o medo, o egoísmo, a superficialidade nos fazem preferir não manifestar nossa gratidão, supostamente para salvaguardar nossa independência. E ainda que seja completamente injusto com quem nos fez o bem, assim o fazemos, pois o egoísmo nos deixa cegos.
Em geral somos muito sensíveis quando não nos agradecem (todos desejamos que os outros estejam comprometidos conosco), mas todos temos naturalmente medo de agradecer.
Frei Mariosvaldo Florentino, capuchinho.
Categorias: capital social, civismo, politica, sociedade
Recebi a bela notícia da inauguração das novas instalações do Centro Ruth Cardoso em São Paulo, que aconteceu em setembro com a presença do amigo de Dona Ruth, Manuel Castells, sociólogo espanhol e diretor do Instituto Interdisciplinar em Internet da Universidade Aberta da Catalunha. Na ocasião, Castells fez o seguinte pronunciamento:
Ruth foi uma grande pesquisadora, e sua obra será compilada de forma sistemática nos anos vindouros. Mas foi sobretudo uma extraordinária inovadora social, que utilizou sua pesquisa e sua mente para inventar processos de mudança social em benefício de uma multidão de pessoas.
Irretocável.


