Recomendo – Livro de Ruth

18 de agosto de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, civismo, informacao, politica, vida

Recomendo   Livro de RuthHá mais de um ano eu escrevi sobre minha admiração a Ruth Cardoso, uma mulher que trabalhou para a felicidade humana como poucas. Como eu sentia muita falta de uma bibliografia que tratasse sobre sua vida e obra, fiquei muito satisfeito com o anúncio da publicação (prevista para hoje) da obra Livro de Ruth, de Margarida Cintra Gordinho. Certamente valerá a leitura.

Sinopse:

A obra traça a trajetória de vida de Ruth Cardoso (1930-2008), a sua dedicação às causas sociais, a militância acadêmica e política e sua maneira delicada de interferir nos processos e na vida das comunidades. A biografia discorre sobre a vida e o legado de Ruth Cardoso em três capítulos que se complementam. Em ‘Uma mulher’, o leitor conhece sua trajetória, da infância em Araraquara, interior paulista, até a época de estudante na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas de São Paulo, onde conheceria o marido, Fernando Henrique Cardoso, e as décadas seguintes, em que atuou como professora, primeira-dama e condutora de projetos sociais. Este capítulo traz depoimentos de Fernando Henrique Cardoso, Ignácio de Loyola Brandão, Tessy Hantzschel, Ivaldo Bertazzo, Gilda Portugal Gouvêa, José Arthur Giannotti, José Serra e outros. Os dois capítulos que se seguem aprofundam alguns aspectos já vistos no anterior. Em ‘Lições de vida’, partindo da contribuição de nomes como Rosa Maria Fischer, Eva Blay, o cardeal Paulo Evaristo Arns, Eunice R. Durham, Danielle Ardaillon, Maria Helena Gregori, a autora se detém nas atividades de Ruth Cardoso como professora, orientadora e intelectual. No terceiro capítulo, ‘O Bom Combate’, um relato histórico a partir da mobilização dos jovens estudantes contra o regime militar instalado no país em 1964; mostra também o trabalho de Ruth Cardoso na área de pesquisa e levantamento socioeconômico de áreas faveladas na Grande São Paulo, na criação da Comunidade Solidária, da Comunitas e na nova visão dela em relação ao Terceiro Setor. Ruth Cardoso introduziu e inovou com as parcerias com governos, empresariado e sociedade civil.

Vale a pena conferir uma entrevista que a Dra. Ruth Cardoso concedeu à profa. Ana Cristina Braga Martes e ao prof. Mario Aquino Alves (ambos da FGV-SP) e publicado na Revista de Administração de Empresas, em 2006. Tive a honra de ter participado desse texto como editor assistente. Para ler, acesse aqui.

Esmola

20 de agosto de 2006 por Mauricio Serafim
Categorias: civismo, comportamento, ensaio, sociedade, ética

EsmolaEstava entrando no metrô de São Paulo quando uma senhora, mais ou menos em torno dos 65 anos, pediu uma ajuda. Neguei. Mas antes de passar na catraca, voltei atrás e perguntei para a senhora se a ajuda que ela queria era passar para pegar o trem. Ela respondeu que sim. Perguntei o seu nome e ela me respondeu “Regina”. “E o meu é Mauricio”, disse a ela, que me pareceu não fazer a menor diferença em saber. Quis com isso apenas tentar fazer com que o ato da esmola não fosse impessoal. Mas não consegui. Passei a senhora com o meu passe de metrô, ela não me olhou e se foi. Não fiquei chateado pelo fato de ela não ter me agradecido, mas pelo comentário de um dos funcionários do metrô: “ela é freguesa daqui!”. Me senti frustrado, com aquela sensação de ter sido enganado. Isso me ajudou a pensar algumas coisas.

Independentemente de a senhora ter me engano ou não, me veio o pensamento que a condição socioeconômica de alguém não me autoriza a deduzir qualquer característica moral dela. Entre os pobres existem os oprimidos, mas também opressores em potencial. Existem pobres que usam de sua condição social e enganam pessoas utilizando seus filhos e performances quase que teatrais para ir direto ao nosso sentimento de culpa, mas também existem pessoas que realmente precisam de um ajuda, e que são sinceros ao mostrar suas dificuldades. Numa sociedade desigual como a nossa, uma das coisas que nos iguala é a nossa capacidade de beneficiarmos à custa dos outros, independentemente de nossa classe social. E como resolver isso do ponto de vista pessoal, para não ficarmos apáticos ao sofrimento dos outros? Uma postura que vou adotar será a de conhecer a pessoa que vou ajudar, fazer com que aquela interação não seja impessoal, despersonalizada ou anônima, de maneira que não seja apenas eu a influenciar a vida dela, mas que ela também possa influenciar a minha, tornando-se assim uma relação de paridade e não uma relação hierárquica quando temos alguém que dá uma esmola e uma outra que recebe.

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