A vida começa aos 40

9 de novembro de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: academia

Auge da criatividade científica é aos 40 anos, ok. Mas será que no Brasil há condições para isso? A “teoria” do “senta e espera” nos coloca a dúvida: se realmente as pessoas respondem a incentivos, então a situação é preocupante.

Via Moral Hazard.

Perda salarial dos professores das federais

23 de agosto de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: academia

Perda salarial dos professores das federais

Este é o gráfico publicado no  Blog Acerto de Contas  do salário real das carreiras do professor universitário das federais, dos pesquisadores do Ipea e MCT, descontada a inflação. A perda é de 2,8% em relação a 1998. E, segundo o artigo, o futuro não é nada promissor.

 

O Homem de mente lúcida é o náufrago

8 de agosto de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: em_geral

[...] Observai os que vos rodeiam e vereis como avançam perdidos em sua vida; vão como sonâmbulos, dentro de sua boa ou má sorte, sem ter a mais leve suspeita do que lhes acontece. Ouvi-los-eis falar em fórmulas taxativas sobre si mesmos e sobre seu contorno, o que indicaria que possuem idéias sobre tudo isso. Porém, se analisais superficialmente essas idéias, notareis que não refletem muito nem pouco a realidade a que parecem referir-se, e se aprofundais na análise achareis que nem sequer pretendem ajustar-se a tal realidade. Pelo contrário: o indivíduo trata com elas de interceptar sua própria visão do real, de sua vida mesma. Porque a vida é inteiramente um caos onde a criatura está perdida. O homem o suspeita; mas aterra-o encontrar-se cara a cara com essa terrível realidade, e procura ocultá-la com um véu fantasmagórico onde tudo está muito claro. Não lhe interessa que suas “idéias” não sejam verdadeiras; emprega-as como trincheiras para defender-se de sua vida, como espantalhos para afugentar a realidade.

Homem de mente lúcida é aquele que se liberta dessas “idéias” fantasmagóricas e olha de frente a vida, e se convence de que tudo nela é problemático, e se sente perdido. Como isso é a pura verdade – a saber, que viver é sentir-se perdido -, quem o aceita já começou a encontrar-se, já começou a descobrir sua autêntica realidade, já está no firme. Instintivamente, como o náufrago, buscará algo para se agarrar, e esse olhar trágico, peremptório, absolutamente veraz porque se trata de salvar-se, lhe facultará pôr ordem no caos de sua vida. Estas são as únicas idéias verdadeiras; as idéias dos náufragos. O resto é retórica, postura, íntima farsa. Quem não se sente de verdade perdido perde-se inexoravelmente; é dizer, não se encontra jamais, não topa nunca com a própria realidade.

Isto é certo em todas as ordens, ainda na ciência, não obstante ser a ciência, de seu, uma fuga da vida (a maior parte dos homens de ciência dedicaram-se a ela por terror a defrontar sua própria vida. Não são mentes claras; daí sua notória falta de jeito ante qualquer situação concreta). Nossas idéias científicas valem na medida em que nos tenhamos sentido perdidos ante uma questão, em que tenhamos visto bem seu caráter problemático e compreendamos que não podemos apoiar-nos em idéias recebidas, em receitas, em lemas nem vocábulos. Quem descobre uma nova verdade científica teve antes que triturar quase tudo que havia aprendido e chega a essa nova verdade com as mãos sangrentas por haver jugulado inumeráveis lugares comuns.

José Ortega y Gasset na obra A rebelião das massas . Peguei daqui.

 

A evolução da liberdade intelectual

22 de julho de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: academia

A evolução da liberdade intelectual

Os autores de livros de humanidades mais citados no ano de 2007

21 de julho de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: academia


Field Citations to books in 2007
Michel Foucault (1926-1984) Philosophy, sociology, criticism 2,521
Pierre Bourdieu (1930-2002) Sociology 2,465
Jacques Derrida (1930-2004) Philosophy 1,874
Albert Bandura (1925- ) Psychology 1,536
Anthony Giddens (1938- ) Sociology 1,303
Erving Goffman (1922-1982) Sociology 1,066
Jurgen Habermas (1929- ) Philosophy, sociology 1,049
Max Weber (1864-1920) Sociology 971
Judith Butler (1956- ) Philosophy 960
Bruno Latour (1947- ) Sociology, anthropology 944
Sigmund Freud (1856-1939) Psychoanalysis 903
Gilles Deleuze (1925-1995) Philosophy 897
Immanuel Kant (1724-1804) Philosophy 882
Martin Heidegger (1889-1976) Philosophy 874
Noam Chomsky (1928- ) Linguistics, philosophy 812
Ulrich Beck (1944- ) Sociology 733
Jean Piaget (1896-1980) Philosophy 725
David Harvey (1935- ) Geography 723
John Rawls (1921-2002) Philosophy 708
Geert Hofstede (1928- ) Cultural studies 700
Edward W. Said (1935-2003) Criticism 694
Emile Durkheim (1858-1917) Sociology 662
Roland Barthes (1915-1980) Criticism, philosophy 631
Clifford Geertz (1926-2006) Anthropology 596
Hannah Arendt (1906-1975) Political theory 593
Walter Benjamin (1892-1940) Criticism, philosophy 583
Henri Tajfel (1919-1982) Social psychology 583
Ludwig Wittgenstein (1889-1951) Philosophy 583
Barney G. Glaser (1930- ) Sociology 577
George Lakoff (1941- ) Linguistics 577
John Dewey (1859-1952) Philosophy, psychology, education 575
Benedict Anderson (1936- ) International studies 573
Emmanuel Levinas (1906-1995) Philosophy 566
Jacques Lacan (1901-1981) Psychoanalysis, philosophy, criticism 526
Thomas S. Kuhn (1922-1996) History and philosophy of science 519
Karl Marx (1818-1883) Political theory, economics, sociology 501
Friedrich Nietzsche (1844-1900) Philosophy 501

Fonte: Times Higher Education . Via blog de Bruno Garschagen. Aliás, vale a pena ler seus comentários acerca dos resultados. Concordo com ele. No campo dos Estudos Organizacionais a dupla Foucault e Bourdieu faz sucesso, mas nunca me chamou a atenção.

Entusiasmo respeitoso pela Universidade e a esperança do futuro dos povos ocidentais

9 de julho de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: academia

Mas não é somente a politização que reduz o respeito à Universidade. É também a excessiva profissionalização, o utilitarismo — em forma extrema, sua transformação em centro de expedição de títulos e diplomas. Quando a Universidade é valorizada unicamente por seus ensinamentos imediatamente utilizáveis para fins econômicos, quando os estudantes não se interessam por cursos “desnecessários” ou difíceis, a Universidade deixa de ser o que é. Porque a Universidade nutre-se de vocações intelectuais, e o sintoma mais claro de tais vocações é a fruição, a curiosidade, o prazer no tratamento dos problemas, a satisfação na convivência de professores e discípulos.

Cada vez que vejo mais de perto professores universitários, pondo de lado sua competência científica, que pode ser considerável, surpreende-me a frequência com que pertencem a um tipo humano que em nada se parece com o que se costumava entender por “intelectual”. São mais semelhantes aos chamados “executivos”, ou a técnicos ou administradores. Têm pressa — o que não significa forçosamente que façam muito; não parecem interessar-se por nada que não tenha relação muito direta com seus trabalhos; não se lançam avidamente em busca de alguma ideia atraente; não dão impressão de prazer — ainda que seja um prazer tenso e doloroso — ao escrever (e provavelmente ao ensinar).

Será possível, nessas condições, contagiar os estudantes com o entusiasmo das disciplinas intelectuais? Será fácil despertar neles sua vocação? O exercício do pensamento — essa operação humana que consiste em perguntar-se pelas coisas e procurar entendê-las — poderá florescer com tais pressupostos, em instituições estreitamente utilitárias, sem luxo vital — em suma, prosaicas?

Discute-se interminavelmente sobre a reorganização das universidades. Fala-se em dinheiro, principalmente, em recursos necessários, na intervenção em sua gestão de tais ou quais escalões, dos quais espera-se uma dose maior de poder; favorecem-se ou condenam-se as universidades privadas — e às vezes são assim chamadas as que não o são. Não vejo serem formuladas perguntas que tenham alguma analogia com as que acabei de formular para mim mesmo.

A crise da Universidade é mais um elemento daquilo a que ocasionalmente chamam de dessacralização da realidade. Se tal expressão parece excessiva, evitemo-la; por isso falei simplesmente em respeito, palavra tão forte na pena, por exemplo, de Kant. O dia em que a Universidade voltar a inspirar-se no entusiasmo e no respeito — ou, se preferem, no entusiasmo respeitoso — voltarei a acreditar nela e a encarar com esperança o futuro dos povos ocidentais (e com um pouco menos de temor dos demais povos).

Trecho do excelente artigo de Julían Marías. Peguei daqui.

Aventura infinita

8 de julho de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: vida

Aventura infinita

Se der tudo certo, em breve entrarei em uma aventura que depois conto para vocês.

Foto via Licia Paglione.

Já terminou o artigo?

26 de junho de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, humor

Já terminou o artigo?

Se trocar “charge” por “artigo” dá no mesmo.

Via blog do Rico.

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