Pudor, esse desconhecido

20 de janeiro de 2010 por Mauricio Serafim
Categorias: sociedade, vida
O pudor, ao proteger e manter escondida a nossa intimidade (é este o seu objeto), aumenta o caráter livre da manifestação externa do que somos e possuímos. O íntimo é doado livremente por que é possuído previamente. O pudico é mais senhor de si, valoriza mais a possibilidade de doar a sua interioridade. Na verdade, cuida mais dela quanto mais rica é. O pudor é, pois, o amor à própria intimidade, a inclinação a manter latente aquilo que não deve ser mostrado, a calar o que não deve ser dito, a guardar o dom e o segredo verdadeiros que não devem ser comunicados senão àquele a quem se ama. Amar, não o esqueçamos, é doar a própria intimidade. Por isso, diante do amado somos, deveríamos ser, sempre transparentes e autênticos.

Ricardo Yepes Stork (19953-1996). Foi Professor de Filosofia na Universidade de Navarra (Espanha) e autor de diversos livros, entre eles Fundamentos de Antropologia. Leia o texto completo aqui .

Arte e religião

9 de dezembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: arte, religiao
A escassez de obras que dialoguem esteticamente com a religião, como as de Kiefer, Kieslowski e Pärt, não impede que o sentimento religioso esteja impregnado nas mais diversas expressões culturais do nosso tempo, antes de mais nada como credulidade, como defesa da fé em forças superiores ou ocultas. Se lembrarmos alguns dos maiores sucessos da literatura e do cinema nos últimos dez ou doze anos, vamos encontrar livros que viraram filmes como Harry Potter , de J.K. Rowling, e O Código da Vinci , de Dan Brown, para não falar das adaptações de um livro dos anos 30, O Senhor dos Anéis , de J.R.R. Tolkien, e muitas mais. Há também o brasileiro Paulo Coelho, de Diário de um Mago e O Alquimista , embora hoje não faça o mesmo sucesso, e a nova onda de livros e filmes sobre vampiros, como Crepúsculo , de Stephenie Meyer. Os vampiros e os bruxos, em suma, estão em alta, talvez na esteira de acontecimentos como o 11 de setembro de 2001, que reforçou a fantasia como entretenimento, o esoterismo como escapismo. São obras que estão mais para refrigerante do que para Dante; ainda assim, mostram a força que a aproximação pode ter. Arte & religião, afinal, é uma história que, embora contada de modo mais longevo no passado, ainda parece ter um longo futuro.

Trecho do texto de Daniel Piza. Acesse na íntegra aqui .

Redes sociais e a solidão contagiante

1 de dezembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, pesquisa

Redes sociais e a solidão contagiante

Certa vez, comentando uma pesquisa que trabalhava a hipótese de que a obesidade pode ser contagiosa com a minha orientadora do doutorado, ela comentou informalmente que ela acreditava que tudo o que pode se espalhar o faz via rede. Fiquei com isso em mente, até para brincar um pouco com a idéia.

Hoje eu li essa reportagem que defende idéia semelhante: que a solidão pode ser contagiosa como uma gripe, ou seja, ela se espalha via redes sociais. A pesquisa foi publicada no Journal of Personality and Social Psychology (é possível obter uma cópia aqui ) e contou com a participação de três universidades americanas – Universidade da Califórnia San Diego, Universidade de Chicago e de Harvard – sob a coordenação do psicólogo John T. Cacioppo , da Universidade de Chicago.

Além da hipótese, o estudo é muito interessante por coletar dados desde 1948, inicialmente com um grupo de mais de cinco mil pessoas e depois abrangendo para seus filhos e netos, chegando a 12 mil pessoas no total. A pesquisa é a última de uma série que busca entender como hábitos e sentimentos se disseminam via redes sociais. Os estudos anteriores sugeriram que a obesidade (mencionada acima), a felicidade e o hábito de fumar são contagiantes.

É o tipo de pesquisa que tem impacto em um espectro amplo de áreas, como a saúde pública, administração pública, qualidade de vida, capital social, psicologia social e políticas públicas.

Tempo perdido

30 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: humor, sociedade

Tempo perdido

Via blog do Orlandi .

Empresa e religião (24) – Crie uma igreja e livre-se dos impostos

30 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: empresa, religiao, reportagem, sociedade

Bastaram dois dias úteis e R$ 218,42 em despesas de cartório para a reportagem da Folha criar uma igreja. Com mais três dias e R$ 200, a Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio já tinha CNPJ, o que permitiu aos seus três fundadores abrir uma conta bancária e realizar aplicações financeiras livres de IR (Imposto de Renda) e de IOF (Imposto sobre Operações Financeiras).

Seria um crime perfeito, se a prática não estivesse totalmente dentro da lei. Não existem requisitos teológicos ou doutrinários para a constituição de uma igreja. Tampouco se exige um número mínimo de fiéis.

Basta o registro de sua assembleia de fundação e estatuto social num cartório. Melhor ainda, o Estado está legalmente impedido de negar-lhes fé. Como reza o parágrafo 1º do artigo 44 do Código Civil: “São livres a criação, a organização, a estruturação interna e o funcionamento das organizações religiosas, sendo vedado ao poder público negar-lhes reconhecimento ou registro dos atos constitutivos e necessários ao seu funcionamento”.

A autonomia de cada instituição religiosa é quase total. Desde que seus estatutos não afrontem nenhuma lei do país e sigam uma estrutura jurídica assemelhada à das associações civis, os templos podem tudo.

A Igreja Heliocêntrica do Sagrado EvangÉlio, por exemplo, pode sem muito exagero ser descrita como uma monarquia absolutista e hereditária. Nesse quesito, ela segue os passos da Igreja da Inglaterra (anglicana), que tem como “supremo governador” o monarca britânico.

Livrar-se de tributos é a principal vantagem material da abertura de uma igreja. Nos termos do artigo 150, VI, b da Constituição, templos de qualquer culto são imunes a impostos que incidam sobre o patrimônio, a renda e os serviços, relacionados com suas finalidades essenciais.

Isso significa que, além de IR e IOF, igrejas estão dispensadas de IPTU (imóveis urbanos), ITR (imóveis rurais), IPVA (veículos), ISS (serviços), para citar só alguns dos vários “Is” que assombram a vida dos contribuintes brasileiros. A única condição é que todos os bens estejam em nome do templo e que se relacionem a suas finalidades essenciais -as quais são definidas pela própria igreja.

O caso do ICMS é um pouco mais polêmico. A doutrina e a jurisprudência não são uniformes. Em alguns Estados, como São Paulo, o imposto é cobrado, mas em outros, como o Rio de Janeiro e Paraná, por força de legislação estadual, igrejas não recolhem o ICMS nem sobre as contas de água, luz, gás e telefone que pagam.

Certos autores entendem que associações religiosas, por analogia com o disposto para outras associações civis, estão legalmente proibidas de distribuir patrimônio ou renda a seus controladores. Mas nada impede -aliás é quase uma praxe- que seus diretores sejam também sacerdotes, hipótese em que podem perfeitamente receber proventos.

A questão fiscal não é o único benefício da empreitada. Cada culto determina livremente quem são seus ministros religiosos e, uma vez escolhidos, eles gozam de privilégios como a isenção do serviço militar obrigatório (CF, art. 143) e o direito a prisão especial (Código de Processo Penal, art. 295).

Na dúvida, os filhos varões dos sócios-fundadores da Igreja Heliocêntrica foram sagrados minissacerdotes. Neste caso, o modelo inspirador foi o budismo tibetano, cujos Dalai Lamas (a reencarnação do lama anterior) são escolhidos ainda na infância.

Voltando ao Brasil, há até o caso de cultos religiosos que obtiveram licença especial do poder público para consumir ritualisticamente drogas alucinógenas.

Desde os anos 80, integrantes de igrejas como Santo Daime, União do Vegetal, A Barquinha estão autorizados pelo Ministério da Justiça a cultivar, transportar e ingerir os vegetais utilizados na preparação do chá ayahuasca -proibido para quem não é membro de uma dessas igrejas.

Se a Lei Geral das Religiões, já aprovada pela Câmara e aguardando votação no Senado, se materializar, mais vantagens serão incorporadas. Templos de qualquer culto poderão, por exemplo, reivindicar apoio do Estado na preservação de seus bens, que gozarão de proteção especial contra desapropriação e penhora.

O diploma também reforça disposições relativas ao ensino religioso. Em princípio, a Igreja Heliocêntrica poderá exigir igualdade de representação, ou seja, que o Estado contrate professores de heliocentrismo.

fonte: Folha de S.Paulo. Via Pavablog .

Política e religião (10) – Entre a cruz e o Estado

18 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: politica, religiao

[...] Um exemplo da “indigestão” causada pelo relativismo no Ocidente é o recente caso dos crucifixos nas escolas italianas. Aparentemente uma mãe se queixou de que o filho se sentia “desrespeitado” porque, não sendo cristão, tinha que frequentar uma sala de aula com uma cruz na parede. A partir daí, teriam decidido pela proibição do crucifixo nas escolas.

Essa decisão é ridícula porque a cruz é um símbolo, seja eu cristão ou não, das raízes do próprio Ocidente, naquilo que ele mais preza: amor ao próximo, generosidade e justiça, enfim, um Deus que morre de amor. Nós contemporâneos somos ignorantes de um modo gritante acerca do cristianismo, confundindo-o com alguns de seus momentos mais infelizes e cruéis (toda cultura é infeliz e cruel de alguma forma). Essa proibição cospe na cara de 2.000 anos de história de uma grande parte da humanidade, e os ignorantes que a realizaram deveriam ser obrigados a pedir desculpa aos cristãos.

Trecho do artigo do filósofo Luiz Felipe Pondé ( acesse aqui ). Um outro texto que também aborda o assunto e que foge do senso comum da intelectualidade universitária é este aqui .

Lady in red e o retorno às cavernas

8 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: ética, civismo, comportamento, cultura, sociedade

Abaixo reproduzo o artigo publicado na coluna de Augusto Nunes que, para mim, é um ótimo retrato sobre a nossa condição moral. Crescido nos anos 1980 – sob a defesa da cidadania, direitos da mulher, entre outras coisas que hoje não parecem ser mais tão importantes – nunca imaginei que iríamos regredir culturalmente. Sempre acreditei que minha geração iria presenciar avanços importantes nas instituições democráticas, no direito individual e no respeito à mulher. A expulsão de Geisy da Uniban mostra que eu estava errado.

Por Augusto Nunes

O monumento ao primitivismo que começou a ser erguido na noite de 22 de outubro, quando centenas de alunos do campus de São Bernardo protagonizaram a tentativa de linchamento da moça do vestido curto, foi inaugurado com a expulsão de Geisy Arruda e a aprovação, com louvor, dos agressores. A nota divulgada pela direção da Uniban, com o título A educação se faz com atitude e não com complacência , faz sentido nestes tempos estranhos. Num Brasil pelo avesso, o certo virou errado e o errado virou certo.

Como o culpado é inocente, Antonio Palocci pode estuprar a conta do caseiro, o MST pode invadir o que vier pela frente, José Sarney pode continuar engordando o prontuário de matar de inveja um general do PCC. Como o inocente é culpado, Francenildo Costa não pode queixar-se da condenação ao desemprego, os fazendeiros não podem invocar o direito de propriedade nem alegar que as terras são produtivas. Por divulgarem verdades sobre um homem incomum, o Estadão merece censura e merecem pancadas jornalistas que escrevem livros contando um pouco do muitíssimo que fez o dono do Maranhão.

Como o que era já não é, diplomas de universidades estrangeiras agora equivalem a atestados de elitismo. Devem ser transferidos da parede para o porão, antes que os diplomados sejam considerados inimigos do Grande Ignorante e, portanto, da pátria. Falar e escrever direito é coisa de preconceituoso, miudezas desprezíveis para um enviado da Divina Providência. O brasileiro tem de aprender a desaprender, porque é de linguagem chula que o povo gosta, é palavrório grosseiro o que o povo quer.

A minissaia foi inventada em 1960, os trajes das universitárias hoje sessentonas eram bem mais ousados. Mas um microvestido ficou moderno demais, porque o país está avançando para trás. A sindicância interna concluiu que Geisy teve “uma postura incompatível com o ambiente da universidade, frequentando as dependências da unidade em trajes inadequados”.

A sorte é que jovens de boa família estavam lá para defender “os princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade” desrespeitados pela moça desvestida de vermelho. “A atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar”, descobriu a Uniban.

Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, a Uniban transformou o campus de São Bernardo no muro da boçalidade. A expulsão do vestido curto riscou a fronteira que separa o país moderno do Brasil primitivo. A turma das cavernas está do lado de lá.

fonte: Veja .

Tempos modernos

25 de maio de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: religiao, sociedade

Tempos modernos

Via Pixdaus .

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