Li e recomendo – Ruth Cardoso: Fragmentos de uma vida

19 de maio de 2011 por Mauricio Serafim
Categorias: administracao, capital social, ciencia, cultura, politica, redes sociais, sociedade

Li e recomendo – Ruth Cardoso: Fragmentos de uma vida

“Combater a pobreza não é transformar pessoas e comunidades em beneficiários passivos de programas sociais. Toda pessoa tem habilidades e dons. Toda comunidade tem recursos e ativos. Combater a pobreza é fortalecer capacidades e potencializar recursos." Ruth Cardoso

Um livro escrito com delicadeza e riqueza de detalhes sobre uma pessoa de uma extraordinária riqueza de vida . Sua experiência durante o governo FHC deveria ser amplamente estudada nos cursos de administração pública porque ela soube catalizar como ninguém a efervecência da sociedade civil daquela época, conjugada com ações governamentais. E foi ela quem propôs uma das mais bem-sucedidas experiências de coprodução dos serviços públicos no Brasil: o Alfabetização Solidária.

o comovente posfácio de Manuel Castells que descreve sua amizade e influência que recebeu de Ruth. Para ele,

Ruth foi uma grande pesquisadora e sua obra será compilada de forma sistemática nos anos vindouros. Mas foi sobretudo uma extraordinária inovadora social, que utilizou sua pesquisa e sua mente para inventar processos de mudança social em benefício de uma multidão de pessoas. E extraiu permanentemente ensinamentos dessas experiências a fim de refinar a análise e colocá-la em prática em novas iniciativas que contribuíram para mudar a sociedade, de baixo para cima. Influenciou agentes políticos, empresariais, líderes sociais, que viram em suas ideias a resposta para muitos dos problemas práticos que eles se colocavam ( p. 252)

A obra me fez pensar muito sobre muitas coisas. Uma em especial foi uma passagem que descreve a incomodação de Ruth com a entrada de FHC na política. Ela detestava a política partidária, mas logo se deu conta que aquilo poderia ser a ‘aventura de sua geração’. E foi mesmo. O Brasil ficou muito melhor, apesar do discurso dominante dizer o contrário. E pensei: ‘qual seria a aventura de minha geração?’. Não tenho uma resposta.

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Virtualidade real

29 de outubro de 2010 por Mauricio Serafim
Categorias: civismo, redes sociais, sociedade

(…) Havia gente que dizia que a internet era um lugar alienante, onde as pessoas se ilhavam, mas, pelo contrário, onde há sociabilidade é na internet. Onde há cada vez menos sociabilidade é na vida física individual, porque as pessoas só correm, não têm tempo para nada. Há uma cultura individualista de competição no trabalho e na vida familiar, e onde as pessoas realmente se articulam socialmente é na internet e, a partir daí, desenvolvem sua própria vida. Passamos não ao mundo virtual, mas ao mundo do que chamo de virtualidade real. Não da realidade virtual, mas da virtualidade real.

A virtualidade é uma dimensão básica de nossa realidade, e é nesta articulação que se constrói nossa sociedade. E se constrói autonomamente (…).

Manuel Castells , em sua palestra “Redes sociais e transformação da sociedade”, proferida no Centro Ruth Cardoso em 16 de setembro de 2010.

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I Seminário Internacional do Centro Ruth Cardoso

28 de outubro de 2010 por Mauricio Serafim
Categorias: eventos

Para quem estiver em São Paulo, fica a dica deste ótimo evento.

Dias 24 e 25 de novembro de 2010, na USP

Abertura

Graça Machel (Moçambique/África do Sul)

Mesas

Democracia e novas formas de participação social – com a presença de Gerard Clarke (Inglaterra)

Empreendedorismo social e desenvolvimento sustentável – com a presença de Ezequiel Reficco (Colômbia)

Educação e cidadania – com a presença de Lesley Redwine (Estados Unidos)

Redes sociais e sociedade em rede – com a presença de Gustavo Cardoso (Portugal)

Veja mais aqui .

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  • I Seminário Internacional do Centro Ruth Cardoso

Centro Ruth Cardoso

6 de outubro de 2010 por Mauricio Serafim
Categorias: capital social, civismo, politica, sociedade

Recebi a bela notícia da inauguração das novas instalações do Centro Ruth Cardoso em São Paulo, que aconteceu em setembro com a presença do amigo de Dona Ruth, Manuel Castells, sociólogo espanhol e diretor do Instituto Interdisciplinar em Internet da Universidade Aberta da Catalunha. Na ocasião, Castells fez o seguinte pronunciamento:

Ruth foi uma grande pesquisadora, e sua obra será compilada de forma sistemática nos anos vindouros. Mas foi sobretudo uma extraordinária inovadora social, que utilizou sua pesquisa e sua mente para inventar processos de mudança social em benefício de uma multidão de pessoas.

Irretocável.

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  • Centro Ruth Cardoso

Lançamento do Centro Ruth Cardoso

10 de setembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, sociedade, sociologia, vida

A Alfasol (Alfabetização Solidária) lançará no próximo dia 18 um centro de pesquisas e eventos em homenagem à ex-primeira-dama Ruth Cardoso (1930-2008). As atividades serão concentradas em um prédio na rua Pamplona, nos Jardins (zona oeste de São Paulo), que será batizado com o nome da antropóloga. Haverá também um espaço que irá expor parte do trabalho de Ruth Cardoso, mulher do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso (PSDB).

A visitação será aberta dentro de oito meses a um ano, após reforma do prédio. As atividades de pesquisa e seminários começam já neste mês. Haverá parcerias com centro de estudos de universidades, como os da USP (Universidade de São Paulo).

A primeira investigação será sobre o comportamento dos jovens que vivem em regiões metropolitanas do país, além da oferta de políticas públicas e privadas a essa população. O projeto foi iniciado pela própria ex-primeira-dama e deverá durar oito meses.

Também estão previstos seminários temáticos, com assuntos como sustentabilidade, que darão origem a cadernos com textos para discussão.

“Há a necessidade de uma organização histórica do trabalho que a doutora Ruth deixou. Mas também abordando discussões para o futuro”, afirmou a superintendente da AlfaSol, Regina Esteves.

A ex-primeira-dama era bacharel em ciências sociais pela Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas da USP.

A AlfaSol e as outras quatro organizações que a antropóloga criou -Unisol, Artesol, Capasol e Comunitas – também funcionarão no local, com projetos integrados. No prédio, de cinco andares, deverão trabalhar cerca de 130 pessoas.

Segundo Esteves, o centro está sendo custeado com contribuições de empresas ou pessoas que possuíam afinidade com Ruth Cardoso, como Antônio Ermírio de Moraes e a família Safra. Os recursos provenientes da obra “Livro de Ruth” (Imprensa Oficial) também são utilizados no projeto.

Fundada em 1996, a Alfabetização Solidária capacitou 254 mil alfabetizadores e atendeu 5,5 milhões de alunos e adultos em 2.433 municípios.

Folha de SP, 10/9/2009. Via Jornal da Ciência .

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  • Lançamento do Centro Ruth Cardoso

Recomendo – Livro de Ruth

18 de agosto de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, civismo, informacao, politica, vida

Recomendo   Livro de Ruth Há mais de um ano eu escrevi sobre minha admiração a Ruth Cardoso, uma mulher que trabalhou para a felicidade humana como poucas. Como eu sentia muita falta de uma bibliografia que tratasse sobre sua vida e obra, fiquei muito satisfeito com o anúncio da publicação (prevista para hoje) da obra Livro de Ruth , de Margarida Cintra Gordinho. Certamente valerá a leitura.

Sinopse :

A obra traça a trajetória de vida de Ruth Cardoso (1930-2008), a sua dedicação às causas sociais, a militância acadêmica e política e sua maneira delicada de interferir nos processos e na vida das comunidades. A biografia discorre sobre a vida e o legado de Ruth Cardoso em três capítulos que se complementam. Em ‘Uma mulher’, o leitor conhece sua trajetória, da infância em Araraquara, interior paulista, até a época de estudante na Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas de São Paulo, onde conheceria o marido, Fernando Henrique Cardoso, e as décadas seguintes, em que atuou como professora, primeira-dama e condutora de projetos sociais. Este capítulo traz depoimentos de Fernando Henrique Cardoso, Ignácio de Loyola Brandão, Tessy Hantzschel, Ivaldo Bertazzo, Gilda Portugal Gouvêa, José Arthur Giannotti, José Serra e outros. Os dois capítulos que se seguem aprofundam alguns aspectos já vistos no anterior. Em ‘Lições de vida’, partindo da contribuição de nomes como Rosa Maria Fischer, Eva Blay, o cardeal Paulo Evaristo Arns, Eunice R. Durham, Danielle Ardaillon, Maria Helena Gregori, a autora se detém nas atividades de Ruth Cardoso como professora, orientadora e intelectual. No terceiro capítulo, ‘O Bom Combate’, um relato histórico a partir da mobilização dos jovens estudantes contra o regime militar instalado no país em 1964; mostra também o trabalho de Ruth Cardoso na área de pesquisa e levantamento socioeconômico de áreas faveladas na Grande São Paulo, na criação da Comunidade Solidária, da Comunitas e na nova visão dela em relação ao Terceiro Setor. Ruth Cardoso introduziu e inovou com as parcerias com governos, empresariado e sociedade civil.

Vale a pena conferir uma entrevista que a Dra. Ruth Cardoso concedeu à profa. Ana Cristina Braga Martes e ao prof. Mario Aquino Alves (ambos da FGV-SP) e publicado na Revista de Administração de Empresas, em 2006. Tive a honra de ter participado desse texto como editor assistente. Para ler, acesse aqui .

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  • Recomendo   Livro de Ruth

Um adeus a Ruth Cardoso

25 de junho de 2008 por Mauricio Serafim
Categorias: academia, vida

Um adeus a Ruth Cardoso

Herdei o carinho e admiração a Ruth Cardoso de minha orientadora do doutorado na FGV-SP, Ana Cristina Braga Martes. Cris, como a chamo, foi orientada por Ruth no seu doutoramento na USP e trabalhou como sua assistente de pesquisa por vários anos. Seriedade na função de pesquisador, a importância da pesquisa de campo, a ética em todo o processo da pesquisa, respeito e liberdade de pensamento aos orientandos foram algumas das atitudes que Cris se orgulha de ter aprendido com Ruth.

Quando eu estava no final de minha tese, Cris me perguntou o que eu achava de convidarmos a Ruth para compor minha banca . Fiquei temeroso e inseguro porque julgava que a tese não estava no nível do quilate de Ruth. Mas confiei no bom senso da Cris. Ela me disse: “Mauricio, pode ter certeza que a Ruth vai ler sua tese com muito cuidado e carinho, e fará contribuições valiosas”. Certamente o convite a ela foi uma das melhores coisas que aconteceu no meu doutorado. Sua participação começou um dia antes de minha defesa, em uma mensagem encaminhada a minha orientadora, em que disse: “Adorei ler esta tese”. Essas quatro palavras mudaram o meu estado de ansiedade para serenidade, dando-me coragem para dar o último passo no doutorado. Ruth chegou sorridente no dia da defesa (22 de fevereiro de 2008). A primeira coisa que chamou minha atenção foi sua vitalidade, incrível para uma mulher de 77 anos. Conversamos um pouco, e contou-me que particularmente nas duas últimas semanas estava trabalhando intensamente na Comunitas na captação de recursos para os projetos em andamento. A banca iniciou com a Ruth fazendo seus comentários. Ela foi muito generosa e perspicaz na leitura de minha tese, contribuindo em muitos pontos com suas críticas. Seus elogios estão guardados comigo como um tesouro. E, por fim, compreendi melhor a razão da admiração que a Cris tem por ela.

Provavelmente sua participação em minha banca foi sua última atividade na academia. Perde a academia, mas também perde o país, perde a luta pelo fortalecimento da sociedade civil, perde o verdadeiro espírito público. Difícil hoje em dia que o desaparecimento de uma pessoa represente tantas perdas. Mas com a Ruth isso aconteceu.

Vale a pena conferir uma entrevista que a Dra. Ruth Cardoso concedeu à profa. Ana Cristina Braga Martes e ao prof. Mario Aquino Alves (ambos da FGV-SP) e publicado na Revista de Administração de Empresas, em 2006 . Tive a honra de ter participado desse texto como editor assistente. Para ler, acesse aqui .

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