Categorias: ciencia, religiao
Desmonta uma das distorções que aprendemos na escola e que repetimos sem questioná-la.
Desmonta uma das distorções que aprendemos na escola e que repetimos sem questioná-la.
Artigo que publiquei em coautoria com Licia Paglione na revista Nuova Umanità: rivista bimestrale di cultura, Roma, Itália, p. 703 – 723, 01 nov. 2010.
Que outro lugar, neste país, hoje, está de portas abertas e com alguém a postos para escutar o que o outro tem a dizer, ainda que possa ser apenas para avaliar o quanto de dinheiro poderá arrancar de quem desabafa? Se você está doente ou seu marido é alcoólatra, você vai encontrar alguém que o escute no SUS? Se seu filho está mal nos estudos ou agressivo em sala de aula e em casa, ou envolvido com traficantes, você vai encontrar alguém que o acolha na escola ou em outra instituição? Se você está sem emprego ou sua casa foi levada pela enchente porque a prefeitura e o estado deixaram de fazer as obras necessárias, onde você vai encontrar um teto e um banco para sentar e um ombro para chorar, ainda que tenha de dar o último trocado que restou no seu bolso? Em que outro lugar você se sentirá parte, ainda que no meio de uma multidão, mas uma com a qual você se identifica e o reconhece como um igual?
Por mais fraudulento que possa parecer – e em muitos casos é –, há algo que funciona nesses espaços. Há uma mercadoria que é entregue – ou os templos estariam vazios. E é entregue em geral não por um pastor ou bispo ou apóstolo ou irmão fulano qualquer, mas um fulano com um nome, sobrenome e rosto parecido com o do fiel. Este acolhimento e esta escuta fazem diferença na vida dessas pessoas ou elas não estariam lá. Deveria ser diferente? Acredito que sim. E lamento que não seja.
Mas as pessoas, todas e especialmente as mais pobres e desamparadas, têm de se virar com a realidade que está aí. Hoje, agora. E estas são as portas que estão abertas – quando quase todo o resto parece falhar. Ou está fechado. Ou não tem vaga.
Uma das análises mais lúcidas e generosas que conheço na imprensa sobre o crescimento das novas igrejas evangélicas. Muito mais do que olhar a demanda, Eliane Brum aborda a oferta de serviços que essas igrejas oferecem de modo competente. No ano passado publiquei um artigo que vai nessa direção.
Via Pavablog .
Os direitos individuais são a pedra de toque para saber se uma convivência minimamente harmônica entre Ocidente e Islã é possível. O que distingue o Ocidente das demais civilizações são as suas bases espirituais: a afirmação da razão humana como eficaz para conhecer a realidade e, como consequência disso, a descoberta de uma moral natural. Um dos maiores méritos de Tomás de Aquino é exatamente esse: a elaboração racional da ética sem necessidade de fé e não circunscrita a um “povo eleito”. Nossos direitos inalienáveis são descendentes diretos da lei natural de S. Tomás. Não é pouca coisa que, nos séculos XVI e XVII, enquanto a Espanha expandia seu império e escravizava povos inteiros, os teólogos de Salamanca afirmavam que os índios tinham direito a suas terras e à sua liberdade, que nada justificava o roubo de suas posses e sua escravização, nem mesmo a recusa em se converter ao Cristianismo. Parece pouco, dado que os crimes ocorreram sem grandes empecilhos práticos? Mas no campo do espírito quem venceu foi Salamanca, e isso fez toda a diferença.
A grande conquista do Ocidente é essa: a eficácia da razão humana no plano teórico e os direitos individuais no plano prático. A ciência, a arte, a riqueza, são consequências disso. Os muçulmanos não têm nenhum pudor em se apropriar de certas filosofias ocidentais. Marxismo, relativismo, desconstrucionismo; de fato, todas vieram do Ocidente; mas o que as caracteriza é justamente a negação daquilo que nos constitui. A razão humana é incapaz de conhecer o mundo real, e o discurso moral e político não passa de máscara para jogos de poder. Elas caem como uma luva para uma visão de mundo fideísta : a razão é impotente, portanto tudo é questão de fé; portanto ninguém tem como criticar minha fé. Não há certo e errado objetivos, apenas vontades arbitrárias em conflito; portanto, entreguemo-nos à vontade arbitrária de Deus.
Ótimo t exto de Joel Pinheiro sobre o conflito no mundo islâmico e o que nós temos a ver com isso.
Este artigo sugere uma relação interessante entre religião, redes sociais e felicidade. Há algum tempo que defendo a idéia de que as organizações religiosas são um lócus diferenciado de outros tipos de organizações em relação à construção de amizades e redes sociais devido, principalmente, ao elevado grau de confiança entre os membros, o que incentiva relações de reciprocidade.
Fonte: Will Tirando .