Liberdade compartilhada

24 de outubro de 2010 por Mauricio Serafim
Categorias: vida

[...] Para podermos encontrar o outro, um outro inteiro, é preciso que já tenhamos realizado em nós mesmos a unidade entre o masculino e o feminino. Não se trata de procurar a outra metade, mas trata-se de procurar o outro, inteiro. Há muitos encontros de metades, mas há poucos encontros de seres inteiros. Procurar sua outra metade é sempre procurar a si mesmo, é procurar a metade que nos falta, a metade masculina ou a metade feminina. Ocorre que, quando tivermos vivido algum tempo com esta metade que veio de fora e graças a esta metade exterior integramos a nossa metade interior, poderemos nos perguntar o que faremos com essa que nos ajudou em nossa integração. Isso pode se transformar em um drama. Em um drama ou no momento em que verdadeiramente escolhemos. Porque eu não escolho mais para preencher a minha falta. Eu escolho por ele mesmo, pela sua diferença. O que era um casal se transforma em uma aliança de dois seres inteiros onde existe algo divino. O encontro entre a Sofia e o Logos, entre Yeshoua de Nazaré e Miriam de Magdala é o encontro entre dois seres inteiros.

Podemos dizer a alguém: “Não tenho mais necessidade de você, posso viver muito bem sem você, estou muito bem sozinho (é uma bela declaração de amor), mas escolhi viver com você.” Não falamos mais na ordem da necessidade, mas estamos na ordem do desejo. Não falamos da falta, mas da liberdade compartilhada. Nessa aliança existe algo de sagrado.

Texto de Jean Yves Leloup – Palavras da Fonte.

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Além da luz e da sombra – Jean-Yves Leloup

14 de fevereiro de 2010 por Mauricio Serafim
Categorias: cultura, vida

Tornar-se adulto é passar da idade dos contrários para a idade do complementar, para um outro modo de olhar as coisas. Se alguém diz algo contrário ao que penso e sou capaz de entender esse contrário como complementar, vou crescer em consciência e em compreensão. Se em vez de rejeitar ou negar alguns elementos de minha vida obscura, sou capaz de acolhê-los, tornar-me-ei mais inteiro.

A sombra é o que dá relevo à luz. Quando amamos alguém, um dos sinais de amor verdadeiro é que amamos os seus defeitos. É fácil amar os defeitos de nossos filhos. É difícil amar os defeitos dos adultos ou de nossos cônjuges. Esse amor de que falamos não significa complacência, não é dizer ao outro que me agrada o que ele tem de desagradável, pois isso seria mentira e hipocrisia. O amor de que falamos é dar ao outro o direito de ser diferente. É dar a ele o direito de experimentar sua liberdade. De experimentar em mim mesmo esta capacidade de amar o que é amável e de amar, também, o que não é amável. Dessa maneira passaremos de uma vida submissa para uma vida escolhida (p. 83).

[...] Nossa vida vale pelo olhar que é posto nela. Os olhares de juiz nos enchem de culpa. Há olhares benevolentes, misericordiosos e ao mesmo tempo, justos. Precisamos desses olhares porque todos nós temos necessidade de verdade e de sermos amados. Por vezes, os olhares que encontramos são muito amorosos, muito doces, mas falta a eles a exigência desta verdade. Outras vezes, os olhares que se colocam sobre nós são plenos de verdade e justiça, mas falta a eles a misericórdia e o amor.

[...] Há um olhar integral do qual temos necessidade a fim de nos vermos tal e qual somos. Porque a verdade sem amor é inquisição e o amor sem verdade é permissividade. Estas são reflexões gerais e cada um pode entrar em particularidades que lhes são próprias, sentindo se existe em sua vida alguém que pode suportar sua sombra sem julgá-la, apesar de não se mostrar complacente com ela. Creio que todos nós temos a necessidade, pelo menos uma vez em nossas vidas, de um tal olhar pousado sobre nós. Nesse momento não teremos mais necessidade de mentir, de nos iludirmos, de usarmos máscaras. Podemos mostrar nossa verdadeira face, nosso verdadeiro corpo, com seus desejos e seus medos. Podemos mostrar nossa verdadeira inteligência com seus conhecimentos e suas ignorâncias. Mostrar-se com o coração verdadeiro, capaz de muita ternura e também capaz de dureza e indiferença. Mostrar-se como não-perfeito, mas aperfeiçoável. Sob este olhar nossa vida pode crescer. Porque o olhar que nos julga e nos aprisiona em uma imagem nos faz ficar parados, enquanto que o outro olhar nos impulsiona a dar um passo adiante desta imagem que os outros têm de nós (p. 100).

Trechos da obra Além da luz e da sombra – sobre a arte do morrer, do viver e do ser ( Editora Vozes, 2001), de Jean-Yves Leloup . É o tipo de texto que gostaria de dizer há muito tempo mas não sabia como.

Tornar-se adulto é passar da idade dos contrários para a idade do
complementar, para um outro modo de olhar as coisas. Se alguém diz
algo contrário ao que penso e sou capaz de entender esse contrário
como  complementar, vou crescer em consciência e em compreensão. Se em
vez de rejeitar ou negar alguns elementos de minha vida obscura, sou
capaz de acolhê-los, torna-me-ei mais inteiro.

A sombra é o que dá relevo à luz. Quando amamos alguém, um dos sinais
de amor verdadeiro é que amamos os seus defeitos. E´fácil amar os
defeitos de nossos filhos. E´difícil amar os defeitos dos adultos ou
de  nossos cônjuges. Esse amor de que falamos não significa
complacência, não é dizer ao outro que me agrada o que ele tem de
desagradável pois isso seria mentira e hipocrisia. O amor de que
falamos é dar ao outro o direito de ser diferente. E´dar a ele o
direito de experimentar sua liberdade. De experimentar em mim mesmo
esta capacidade de amar o que é amável e  de amar, também, o que não é
amável.  Dessa maneira passaremos, de uma vida submissa para uma vida
escolhida. (p.83)

(…)

…Nossa vida vale pelo olhar que é posto nela.  Os olhares de juiz
nos enchem de culpa. Há olhares benevolentes, misericordiosos e ao
mesmo tempo, justos. Precisamos desses olhares porque todos nós temos
necessidade de verdade e de sermos amados. Por vezes, os olhares que
encontramos são muito amorosos, muito doces, mas falta a eles a
exigência desta verdade. Outras vezes, os olhares que se colocam sobre
nós são plenos de verdade e justiça, mas falta a eles a misericórdia e
o amor.

… Há um olhar integral do qual temos necessidade a fim de nos vermos
tal e qual somos. Porque a verdade sem amor é inquisição e o amor sem
verdade é permissividade.
Estas são reflexões gerais e cada um pode entrar em particularidades
que lhes são próprias, sentindo se existe em sua vida alguém que pode
suportar sua sombra sem julga-la, apesar de não se mostrar complacente
com ela. Creio que todos nós temos a necessidade, pelo menos uma vez
em nossas vidas, de um tal olhar pousado sobre nós. Nesse momento não
teremos mais necessidade de mentir, de nos iludirmos, de usarmos
máscaras. Podemos mostrar nossa verdadeira face, nosso verdadeiro
corpo, com seus desejos e seus medos. Podemos mostrar nossa verdadeira
inteligência com seus conhecimentos e suas ignorâncias. Mostrar-se com
o coração verdadeiro, capaz de muita ternura e também capaz de dureza
e indiferença. Mostrar-se como não-perfeito, mas aperfeiçoavel. Sob
este olhar nossa vida pode crescer. Porque o olhar que nos julga e nos
aprisiona em uma imagem faz-no ficar parados, enquanto que o outro
olhar nos impulsiona a dar um passo adiante desta imagem que os outros
têm de nós. (p.100)

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Amores modernos

24 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: humor, vida

Amores modernos

Fonte: Blog dos Malvados .

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Crítica à cultura da autenticidade e confissão

20 de junho de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: comportamento, cultura, sociedade, vida

Jurandir Freire Costa, um dos pensadores brasileiros mais importantes da atualidade, faz uma crítica contundente ao que ele chama de “cultura da autenticidade e confissão”, a partir do filme “Felicidade”, de Todd Solondz.

Achei particularmente interessante o texto porque foi escrito em 1999, portanto, anterior à popularização das redes sociais na Internet, mas podemos utilizá-lo para refletir sobre o comportamento de muitos internautas que utilizam o twitter, blogs, orkut e facebook, entre outros,  para reverberarem tudo e qualquer coisa de suas vidas, iludidos pela crença de que estão sendo autênticos.

Como o psicanalista alerta em determinado ponto do texto:

Fazer das relações humanas cópias de confessionários religiosos ou divãs de psicoterapias não é ser mais honesto, sincero ou autêntico: é desistir do exercício da autonomia.

Com certeza, um artigo para se pensar. Você pode lê-lo integralmente aqui .


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