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Pois é, quem não faz, outros acabam fazendo. Mais ou menos há seis anos, na aula de sociologia econômica no doutorado, estávamos discutindo o texto do Granovetter sobre imersão social e na discussão tive uma idéia/hipótese que gostaria de ter desenvolvido: “pobreza é falta de relações”. O tempo passou e fui para outras searas, mas esse tema sempre me sensibilizou.
E hoje fiquei feliz ao ler uma reportagem da Agência Fapesp abordando justamente a relação entre as redes sociais e pobreza. O estudo foi realizado por Eduardo Marques, professor do Departamento de Ciência Política da Universidade de São Paulo (USP) e pesquisador do Centro de Estudos da Metrópole (CEM). Os resultados indicam que membros de redes com grande homofilia – com parceiros de contato com mesmo perfil socioeconômico e demográfico – têm maior dificuldade para conseguir um emprego, e menor acesso a informação, repertórios e oportunidades.
Esses resultados são esperados de acordo com os conceitos de laços fortes e fracos da teoria das redes sociais. A riqueza do trabalho está em aplicar essas teorias para entender o fenômeno multidimensional da pobreza.
Para ler a reportagem completa, acesse aqui.



“Redes sociais e sociologia econômica são duas abordagens que se encontram em franca expansão e reconhecimento acadêmico. Ambas podem ser utilizadas para se compreenderem inúmeros fenômenos contemporâneos nas áreas de Administração Pública e Privada, Economia, Antropologia, Ciência Política e Sociologia. As duas abordagens contribuem de forma inovadora para a compreensão de questões clássicas das Ciências Sociais: de que modo as instituições e estruturas sociais conformam os mercados e as organizações econômicas? Como a estrutura de relações, o contexto social e os processos históricos afetam a organização da produção, a troca e o consumo? Neste livro, o leitor encontrará trabalhos já considerados clássicos de elaboração teórica sobre redes e sociologia econômica e trabalhos recentes, que têm como base pesquisas empíricas produzidas no Brasil. O livro pretende contribuir para que os sociólogos voltem a se debruçar sobre os fenômenos centrais da vida econômica, tais como a construção social dos mercados, o impacto das normas e instituições sobre os agentes, as representações, crenças e valores que propiciam a cooperação ou a competição, a criação e o desenvolvimento de várias formas de capital. Os sociólogos não devem restringir seus interesses aos aspectos irracionais da ação ou das organizações econômicas, mas repensar as noções de racionalidade, preferências, mercado e demais conceitos fundamentais da economia.”