Ciência e relativismo moral

8 de junho de 2010 por Mauricio Serafim
Categorias: ciencia

Palestra provocativa de Sam Harris que critica o relativismo moral/cultural.

Lady in red e o retorno às cavernas

8 de novembro de 2009 por Mauricio Serafim
Categorias: civismo, comportamento, cultura, sociedade, ética

Abaixo reproduzo o artigo publicado na coluna de Augusto Nunes que, para mim, é um ótimo retrato sobre a nossa condição moral. Crescido nos anos 1980 – sob a defesa da cidadania, direitos da mulher, entre outras coisas que hoje não parecem ser mais tão importantes – nunca imaginei que iríamos regredir culturalmente. Sempre acreditei que minha geração iria presenciar avanços importantes nas instituições democráticas, no direito individual e no respeito à mulher. A expulsão de Geisy da Uniban mostra que eu estava errado.

Por Augusto Nunes

O monumento ao primitivismo que começou a ser erguido na noite de 22 de outubro, quando centenas de alunos do campus de São Bernardo protagonizaram a tentativa de linchamento da moça do vestido curto, foi inaugurado com a expulsão de Geisy Arruda e a aprovação, com louvor, dos agressores. A nota divulgada pela direção da Uniban, com o título A educação se faz com atitude e não com complacência, faz sentido nestes tempos estranhos. Num Brasil pelo avesso, o certo virou errado e o errado virou certo.

Como o culpado é inocente, Antonio Palocci pode estuprar a conta do caseiro, o MST pode invadir o que vier pela frente, José Sarney pode continuar engordando o prontuário de matar de inveja um general do PCC. Como o inocente é culpado, Francenildo Costa não pode queixar-se da condenação ao desemprego, os fazendeiros não podem invocar o direito de propriedade nem alegar que as terras são produtivas. Por divulgarem verdades sobre um homem incomum, o Estadão merece censura e merecem pancadas jornalistas que escrevem livros contando um pouco do muitíssimo que fez o dono do Maranhão.

Como o que era já não é, diplomas de universidades estrangeiras agora equivalem a atestados de elitismo. Devem ser transferidos da parede para o porão, antes que os diplomados sejam considerados inimigos do Grande Ignorante e, portanto, da pátria. Falar e escrever direito é coisa de preconceituoso, miudezas desprezíveis para um enviado da Divina Providência. O brasileiro tem de aprender a desaprender, porque é de linguagem chula que o povo gosta, é palavrório grosseiro o que o povo quer.

A minissaia foi inventada em 1960, os trajes das universitárias hoje sessentonas eram bem mais ousados. Mas um microvestido ficou moderno demais, porque o país está avançando para trás. A sindicância interna concluiu que Geisy teve “uma postura incompatível com o ambiente da universidade, frequentando as dependências da unidade em trajes inadequados”.

A sorte é que jovens de boa família estavam lá para defender “os princípios éticos, a dignidade acadêmica e a moralidade” desrespeitados pela moça desvestida de vermelho. “A atitude provocativa da aluna resultou numa reação coletiva de defesa do ambiente escolar”, descobriu a Uniban.

Vinte anos depois da queda do Muro de Berlim, a Uniban transformou o campus de São Bernardo no muro da boçalidade. A expulsão do vestido curto riscou a fronteira que separa o país moderno do Brasil primitivo. A turma das cavernas está do lado de lá.

fonte: Veja.

Julgamento moral e emoção: comprovação experimental

24 de maio de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: neurociencia, ética

Emoções e decisões morais

Por Fernando Reinach

A relação entre a moral e as emoções é parte subjacente da trama de grande parte dos romances, filmes e novelas.

Nossas decisões morais são influenciadas por nossas emoções ou seriam as emoções efeitos de nossos conflitos morais? Até recentemente esse tipo de problema pertencia ao campo da filosofia e da psicologia, mas agora neurocientistas estão abordando essas questões experimentalmente.

Imagine que você se defronte com o seguinte problema: um pequeno vagão vem descendo sem controle por um trilho que desemboca em uma bifurcação.

Cabe a você operar um comando que determina se o vagão vai para a direita ou para a esquerda. Se você desviá-lo para a esquerda ele vai atropelar e matar cinco pessoas. Se você desviá-lo para a direita ele vai matar uma única pessoa.

Diante desse dilema moral, a grande maioria das pessoas escolhe a solução do mal menor: desvia o vagão para a direita sacrificando um para salvar cinco.

Imagine agora que o vagão vem descendo a ladeira em direção às cinco pessoas, mas, antes, vai passar por baixo de uma ponte. Você está em cima da ponte e tem de tomar uma decisão. Ou não faz nada e deixa as cinco pessoas morrerem ou agarra uma pessoa que está em cima da ponte e a lança sobre os trilhos para parar o vagão.

Apesar de o número de pessoas mortas ser idêntico em cada opção (cinco mortes ao invés de uma), a grande maioria das pessoas prefere deixar as cinco pessoas morrerem a tomar a atitude de fisicamente jogar uma pessoa inocente nos trilhos e causar sua morte.

Recentemente, esse e outros experimentos do mesmo tipo foram repetidos com pacientes com uma lesão no córtex pré-frontal.

Seis pacientes foram escolhidos pelo fato de terem lesões causadas por tumores ou por derrames em uma região específica do cérebro que, se destruída, reduz a capacidade da pessoa de sentir emoções como empatia, culpa ou vergonha.

Apesar de não sentirem essas emoções, os pacientes tinham capacidade de raciocínio e inteligência normais. O que foi observado é que os pacientes com a lesão tomavam as mesmas decisões que as pessoas normais quando as escolhas morais não envolviam aspectos sentimentais muito próximos ao indivíduo.

Assim, nos exemplos acima, esses pacientes reagiram da mesma maneira que pessoas normais no caso do desvio do vagão.

Ao contrário das pessoas normais, mesmo quando a decisão envolvia pessoas próximas, os pacientes com a lesão tendiam a escolher a opção lógica. No exemplo da ponte, não hesitavam em atirar uma pessoa da ponte para salvar outras cinco.

A conclusão desse estudo é que nossas decisões morais são intrinsecamente dependentes de fatores emocionais, mas que essa influencia só altera o julgamento quando a decisão moral envolve pessoas ou situações muito próximas ao sujeito.

Esse resultado não é inesperado, afinal a própria Justiça reconhece que o julgamento moral das pessoas pode ser bloqueado quando a decisão envolve pessoas ou situações muito próximas a cada um de nós.

O interessante é que, pela primeira vez, se obtém comprovação experimental para essa observação, inclusive com o mapeamento das regiões do cérebro envolvidas nos fenômenos.

Aos poucos a biologia vai explicando fenômenos mentais que antes pareciam exclusividade da filosofia.

Artigo publicado em O Estado de S.Paulo, 24.05.2007.

Novo livro sobre ética empresarial

16 de fevereiro de 2007 por Mauricio Serafim
Categorias: administracao, empresa, ética

Novo livro sobre ética empresarialAcabou de ser publicado pela DVS Editora o livro “Ética na vida das empresas: depoimentos e experiências”, com a coordenação de Maria do Carmo Whitaker. Participo da obra com um pequeno artigo, que vc pode acessá-lo aqui. Para comprar o livro, acesse aqui. Vale a pensa visitar o site Ética Empresarial, organizado por Maria do Carmo. Segue comentário de Carlos Aurélio Mota de Souza sobre o livro:

Em Ética na Vida das Empresas. Depoimentos e Experiências, a professora e advogada Maria do Carmo Whitaker apresenta-nos entrevistas e ensaios de empresários, dirigentes e professores de administração, economia e jornalismo, para ressaltar o impacto da Ética no mundo dos negócios e analisar a gestão ética, a responsabilidade social, a sustentabilidade das instituições e relevantes temas sobre a vida empresarial.

Como profissional, desenvolve treinamento para incentivo à cultura ética nas organizações, implantação de códigos de ética, criação e funcionamento de comitês de ética, análise de conflitos e desvios de conduta, discussão e reflexão sobre Ética etc., além de ampla divulgação de obras e textos específicos em seu Portal
sobre Ética Empresarial.

Ou a ética ou a política

4 de novembro de 2006 por Mauricio Serafim
Categorias: politica, ética

Sou um daqueles que não ficou contente com a reeleição do Lula. Desde quando comecei a votar acreditei no PT e no seu cadidato à presidência. Achava que o partido tinha um real projeto para o Brasil e que era o único que levava a sério a ilegitimidade da dicotomia entre a ética e a política.

Ou a ética ou a políticaO que é essa dicotomia? Certos costumes em nossa sociedade não podem ser justificados do ponto de vista ético, embora o façam do ponto de vista econômico ou de manutenção de poder. Há uma separação entre a política e a ética, quando a primeira é vista como a oportunidade de satisfazer desejos e interesses privados e que o poder deve ser mantido a qualquer custo. A famosa aporia “o fim justifica os meios” se encaixa perfeitamente nesse contexto. Dessa forma, é promovido uma dupla moral que rompe a integridade do ser humano, que se sente autorizado a viver, no empenho político partidário, segundo normas diferentes que, em casa, ensinaria aos próprios filhos. Agora, quando adotamos a ética como orientadora de nossa conduta, é indiferente se estamos no partido A, B ou C, se estamos na Igreja, em casa ou na prefeitura, ou se estamos no começo ou no fim de um mandato.

Sempre devemos agir – e esta é uma exigência da ética – levando em conta que meus interesses, simplesmente por serem meus, não podem ser mais importantes que os interesses de outras pessoas. Na esfera privada, esta exigência tem um alcance que se restringe aos nossos familiares e amigos. Contudo, ao adentrarmos na esfera pública (ao assumirmos, por exemplo, cargos como o de prefeito, de secretários municipais ou vereadores) esta exigência é estendida a todos os cidadãos. Dessa forma, os interesses de João da Silva e de um deputado estadual, se forem os mesmos, devem ser tratados igualmente. Aquele que detém um cargo público que assim age, preserva sua integridade e seu caráter, não tendo vergonha de contar para seu filho o modo de vida que leva.

Realmente acreditei que o PT pudesse provar que o dilema exposto no título deste texto fosse falso e que mostraria que a separação entre a ética e a política é uma realidade apenas para aqueles que acreditam no “rouba, mas faz”. Tal dilema deveria ser destituída de seu status de justificativa para que pudéssemos, indignados, dizer “faz, mas rouba!”. Infelizmente isso não aconteceu. O caráter dos muitos que assumiram os cargos e funções do executivo foram revelados. Aliás, como escreveu Sófocles em sua tragédia grega Antígona, datada de 440 A.C., apenas sabemos o real caráter de uma pessoa ou de um grupo quando esta(e) assume o poder. E o que vi me deixou profundamente triste. Não apenas pela corrupção, mas por terem se transformado em contra-exemplo de um governo democrático.

Maurício C. Serafim

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