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Via Wordle.
Mais um artigo saindo do forno. A parceria com os dois co-autores, Ana Cristina Braga Martes e Carlos Rodriguez, foi uma experiência ímpar.
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Mais um artigo saindo do forno. A parceria com os dois co-autores, Ana Cristina Braga Martes e Carlos Rodriguez, foi uma experiência ímpar.
A preocupação com a prática pode se tornar um mal entendido quando se antagoniza com a teoria, ou seja, quando a primeira é vista como prioridade, relegando à segunda um caráter de ‘mal necessário’. [1] Tomando isso como certo, está se considerando que uma é mais importante que outra, consideração essa apenas possível se dicotomizarmos a teoria da prática. Feita a separação, uma parece ter vida própria em relação à outra, adquirindo status diferenciados.
Façamos um experimento de pensamento e consideremos que realmente sejam autossuficientes. A teoria, fora da prática social, assemelha-se ao livro colocado em uma biblioteca que ninguém lê. Sua existência não faria a menor diferença às pessoas. Essa desvinculação da teoria com a prática a transforma em mero palavreado, que Paulo Freire chamou de verbalismo. Aqueles que criticam a teoria estéril, mesmo sem saber, referem-se a esse gosto da ‘palavra oca’, sem nenhum tipo de compromisso com a realidade.
A prática, tomada como autossuficiente, não passa de mera técnica. Essa nos mostra o como fazer ( know-how ), nos dando prescritivamente passos para realizarmos determinada tarefa. O problema está no fato de que, com o fornecimento desses métodos há uma data de validade – como toda receita – no tempo e no espaço, variando muito de contexto para contexto. Por exemplo, o sistema de produção, a organização administrativa e a realidade econômica variam de empresa para empresa, de região para região. Devido a isso é impossível ensinar na universidade todas as técnicas de todos os possíveis contextos em que o aluno irá se inserir. Neste caso, o aluno terá que possuir as condições mínimas e necessárias para que possa desenvolver a habilidade para quando se deparar como o novo, saber avaliá-lo, julgá-lo, apreendê-lo e modificá-lo de acordo com a realidade na qual está inserido. Em uma frase, deverá ser autônomo e não autômato. Sob o ponto de vista apenas da prática, o indivíduo fica à mercê da técnica e, portanto, se torna autômato, simples repetidor.
Quando olhamos a teoria e a prática em relação e em constante tensão, dissipam-se os dois cenários acima. A teoria não se torna verbalismo nem a prática em automatismo. Dessa forma, no entender de Paulo Freire, a teoria “implica numa inserção na realidade, num contato analítico com o existente, para comprová-lo, para vivê-lo e vivê-lo plenamente, praticamente” [2] . Freire rebate a afirmação de que o pecado de nossa educação é ser ‘teórica’ afirmando que “nossa educação não é teórica porque lhe falta esse gosto da comprovação, da invenção, da pesquisa. Ela é verbosa. Palavresca” [3] , no sentido que lhe atribuímos quando a teoria se pretende autossuficiente.
A relação teoria-prática permite entender a teoria como o farol do carro na estrada em uma noite escura, que ilumina, a cada momento, um novo ângulo e de modo diferente, a fim de decifrar a topografia do percurso. A admissão da relação teoria-prática explicita tal interdependência que permite um maior apuramento de ambas. É o ‘estar em relação’ que dá o caráter dinâmico da transformação tanto da teoria quanto da prática. Considerá-las independentes é relegá-las ao estatismo, inércia, imobilismo.
A teoria é feita de conceitos, que são abstrações da realidade. Assim como foi comparado com o farol de um carro, podemos entender as abstrações como caminhos do pensamento que nos aproximam das dimensões do real. Como afirma Luis Boada, “a compreensão que possamos ter da situação concreta será maior se formos capazes de nos aproximar da realidade manifestada através daquele conceito abstrato” [4] . Quanto maior for o grau de concretude do pensamento, menor será a compreensão da realidade. Isso porque há uma tendência em atribuirmos propriedades de partes de uma realidade que experienciamos à totalidade dessa realidade. Por exemplo, se algum indivíduo não possui a capacidade de abstração (ou teórica), algumas experiências desagradáveis com algumas mulheres tenderão a ser julgadas por ele como uma característica de toda uma categoria humana denominada mulher .
Com isso quero deixar claro que não podemos pensar se devemos privilegiar ou a prática ou a teoria. Devemos privilegiar a teoria e a prática. É uma relação includente e não excludente. O aluno deve ser alfabetizado – seja em administração, economia, engenharia ou qualquer outra área do conhecimento – para ler o mundo e não apenas as palavras. Uma educação que privilegia preponderadamente a técnica (ou a famigerada ‘prática’) é uma alfabetização reduzida e mecânica da existência. Abstrair não é fugir da realidade, mas nela se inserir de um modo não banal. Portanto, acredito que o embate entre teoria-prática esconde algo mais profundo: se desejamos ou não entender o mundo. Se desejamos educar pessoas para a autonomia ou automato nomia [5] . Se desejamos repetidores ou criadores. Olhando por esse ângulo, podemos perceber a falácia que é separar e diferenciar o status entre a prática e a teoria. Não é lógico, mas ideológico.
[1] Uma primeira versão deste texto foi publicada na Revista Espaço Acadêmico, ano 1, n. 7, 2001.
[2] FREIRE, Paulo. Educação como prática da liberdade . Rio de Janeiro : Paz e Terra, 1999.
[3] (Id., ibidem)
[4] BOADA, Luis. Uma economia poética . São Paulo : Brasiliense, 1987, p.17.
[5] Neologismo formado pelas palavras autômato (maquinismo que se põe em movimento por meios mecânicos) e nomos (lei, regra norma), ou seja, capacidade de apenas se comportar mecanicamente, automaticamente, provinda de leis mecânicas.
Artigo que publiquei em coautoria com Licia Paglione na revista Nuova Umanità: rivista bimestrale di cultura, Roma, Itália, p. 703 – 723, 01 nov. 2010.
Foto de um dos parques da cidade de Cernusco Sul Naviglio, próximo a Milão. Acervo pessoal
Domenico de Masi , professor de sociologia da Universidade La Sapienza de Roma, é conhecido no Brasil por seus trabalhos sobre a criatividade, importância do tempo livre e sociedade pós-industrial (centrada na produção de bens imateriais, como a estética). Para quem conhece um pouco a Itália ou já esteve lá, não se espanta que essas idéias sejam defendidas por um italiano. No meu entender, é o típico caso de um contexto cultural exercer forte influência sobre as idéias: são as idéias dentro do lugar.
A primeira impressão que tenho da sociedade italiana é que o senso estético inunda todos os vínculos sociais. Para citar um exemplo, por lá, quando eles gostam de um filme (mesmo os de terror), não dizem que ele é bom – como dizemos por aqui – mas que é bello , uma das palavras mais usadas por eles. Outra característica que noto é que eles levam a sério o tempo livre ( tempo libero ), uma expressão também muito usada. É o tempo do não trabalho, que eles aproveitam para freqüentarem as praças públicas a partir das 17 horas, por exemplo. Em Milão, as praças são lugares onde as pessoas podem caminhar e “dar um tempo”, ou ainda se encontrar com pessoas para conversar, comer e beber algo. E eles sabem muito bem comer e beber. A qualidade da comida que se consome cotidianamente é superior ao Brasil. Para ter essa qualidade, precisamos gastar muito mais.
E isso me faz pensar se as idéias de De Masi não ficariam um pouco fora de lugar no Brasil. De fato, elas são muito atraentes, mas me pergunto sobre a qualidade de nosso tempo livre, quando o temos. Uma questão crucial, a meu ver, é que nossos espaços públicos, onde poderíamos usufruir desse tempo, estão degradados: são feios, não oferecerem segurança, e muitas vezes distantes. Há muito a praça deixou de ser lugar de encontro e fonte do sentimento de pertença à cidade. O que deveria ser regra, é privilégio: sentar em um banco de praça sem ser perturbado ou ter medo de ser assaltado. Talvez a palavra “deveria” seja a chave. Quando uma idéia está dentro do lugar, é possibilidade, e é preciso apenas de “mudança de mentalidade”. Mas quando uma idéia está fora do lugar, vira desejo e, assim, “gostaríamos” e “deveríamos” ter essa possibilidade. E, dessa forma, continuamos a aguardar o futuro, nem que seja o do pretérito.
Publicado na GV-executivo, São Paulo, v. 7, n.1, p. 19, 2008 .
No V Encontro Nacional de Pesquisadores em Gestão Social – ENAPEGS 2011 minha coautora, Flavia Maciel, apresentou nosso artigo, que se apoiou na concepção da oikonomia para refletir sobre a ética nas organizações. Você pode acessá-lo aqui. Boa leitura!
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Foi publicado neste mês o texto traduzido para o alemão que escrevi em co-autoria com Ana Cristina Braga Martes Arm und ausgebeutet im „Land der Chancen“ – Zuwanderung in Brasilien und im Mercosur (Gestão da imigração recente no Brasil: Políticas públicas e os desafios da integração no Mercosul). Trata-se de um capítulo de um livro sobre a imigração de iniciativa da Fundação política alemã Konrad Adenauer Stiftung . O livro completo está aqui .
Junto com Licia Paglione e Bernhard Callebaut apresentei o artigo cujos slides estão aqui (em italiano). Uma boa reportagem sobre o evento está aqui . O evento discutiu o desenvolvimento do conceito/categoria “agir agápico”. Um das coisas mais interessantes é que havia um ambiente no qual a crítica era realmente bem-vinda.
SERAFIM, Mauricio C. e ANDION, Carolina. Capital espiritual e as relações econômicas: Empreendedorismo em organizações religiosas. Cad. EBAPE.BR [online] . 2010, vol.8, n.3, pp. 564-579 .
Acabou de ser publicado um artigo que escrevi em parceria com a profa. Carolina Andion. Faz parte de minha pesquisa realizada na tese e traz um termo bastante controverso: capital espiritual. Vou procurar desenvolver mais a idéia porque acredito que as organizações religiosas constroem um tipo peculiar de capital especial que outras organizações não são capazes.